Archive for julho, 2008

(são uivos relatados)

ancestral perverso desta fuga,
arredondada paisagem do inferno,
este caminho é pleno de relatos.

saber-lhe os uivos, que mais for, saber
o elo da montanha que lhe brusca
um último estandarte desta voz.

que mais trazer o pulso, uma verdade
corrente noite, ilustre madrugada,
um passo de caminho, uma afoiteza.
tonitroamentos todos são solenes
uivos relatados, que outros uivos
só podem rastejar num corpo alado.

29 julho, 2008 at 12:49 pm 6 comentários

de tudo o risco na pedra vai dizer

a poesia em seu instante de pedra.
barracos desmontam um memória do ferro.

quando, amplamente, falamos da vida
murmúrios regaçam nossas almas malditas.

somos a face de querer ser noite.

27 julho, 2008 at 12:01 am 2 comentários

(a musa carece de minguante)

recarregar de asperezas o corpo.
a manhã faz tempo ser espinho,
se outra novela não disser do outono.
quando, cruel viela, direi que outro
foi o campo vital da minha dúvida?
quando, noite passada, farei sono
ser mais que soturnez?

tanto mundo se mostra pedra
se facas regateiam nacos.

25 julho, 2008 at 12:03 am 4 comentários

entre poetas

essa menina bonita
tão bonita que me mata
é filha de um certo luís
com uma tal de renata

essa menina, ai de mim!
inteligente e formosa
é filha de um bandolim
com uma mãe amorosa

pra findar esse versejo
e controlar o meu ai:
essa menina não engana
é mesmo a cara do pai.

(para a bibi, poeta)

24 julho, 2008 at 10:58 am 10 comentários

eu, bravata de estalos

se instante fosse luz, quase somente
estado se faria, e eu, entrevado de voz,
escaparia pelas frestas.

24 julho, 2008 at 12:03 am 2 comentários

remendo e vértebra

os calos detrimentam meu estrato.
a pele, osso e pedra, é solta em rebordosas amplas.
viveres e pontes cabem meu caminho
como as amplitudes recaem sobre  nós.
olhando o espasmo, meu relincho dorme.
os homens neutros, os rios neutros,
se despedaçaram.

sobrou de tudo a última trompa.

se muros fervilharam, outros muros cabem
como estampas nos rins e coração.
a construção do novo, breve aura
no olho vê-se, brusca.

quando etapas rangerem, vou rever meus antros.

24 julho, 2008 at 12:01 am 2 comentários

cancela do mundo

venho de longe
venho de léguas
sou de botas largas, sertão seco,
de couro rasgado a músculo teso.
meu rosto, largo
das terras que passei.
meu olho, múltiplo
de atalhos e pinguelas.

o mundo é a pátria.

23 julho, 2008 at 12:02 am 2 comentários

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