Archive for agosto, 2008

domingo

“porque amanhã é domingo” (l.n.)

porque amanhã é domingo
vou dizer dos casais na calçada,
das novas estirpes que povoam meu hálito,
das meninas que tripudiam meus olhos.

porque amanhã é domingo
esticarei a noite. o sábado de vinícius
dirá de quantas mulheres e homens
são feitos os amores e os atos de pedra.

porque amanhã é domingo
ouvirei os sinos da vila de minas,
pisarei as ladeiras da vila de minas,
perdoarei, em definitivo, todos os pecados.

porque amanhã é domingo
e o domingo,  vasto.

(pelos encontros de sábado)

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31 agosto, 2008 at 9:59 pm 2 comentários

corpos multiplicam o avesso de ausências

as folhas sobram, calam, rangem, cobrem.
mais gargalham se topos reverberam.
corpos dos homens pisam pelos tempos
o seu caminho pálido em ausência.
treliças, mãos, tão mornas, acalantos
provam, sutis, os ritmos da noite
que sabem ser o múltiplo do desejo.

corpos arrebatam tempestades.

27 agosto, 2008 at 9:00 am 14 comentários

vastidão no corpo

o doce orgasmo da noite, se tempo,
pode retardar manhãs vorazes.
seus vínculos de louco, ácido tempo,
se outros fazem, fazem renascer
aquela ausência fortuita de ser homem.

a pedra e o pó me fazem madrugada.

“mulher em vermelho e verde” (f. léger)

cores sangria devastam a mulher.
verde tua nota de dizer daquela
feita outra, de cor e nádega.

uma cidade desmontada, delaunay.

mulher de vermelho e verde, fernand léger

25 agosto, 2008 at 3:00 pm 2 comentários

O luto no Sertão

Pelo sertão não se tem como
não se viver sempre enlutado;
lá o luto não é de vestir,
é de nascer com, luto nato.

Sobe de dentro, tinge a pele
de um fosco fulo: é quase raça;
luto levado toda a vida
e que a vida empoeira e desgasta.

E mesmo o urubu que ali exerce,
negro tão puro noutras praças,
quando no sertão usa a batina
negra-fouveiro, pardavasca.

João Cabral de Melo Neto

25 agosto, 2008 at 2:57 pm Deixe um comentário

madrugada encadeia luz

travado em pergaminho e vilarejo
um hábito de luz corrói seu tempo.

o meu extrato de pedra, a minha nuvem de atos,
obscurecem frio e madrugada.
corpo indigente permeia tempestade,
valo de luzes, contrição do medo.

as madrugadas fazem como lã
o ritmo da estrada, ovelha e pasto.
intenso e belo estado putrefato
do corpo! emoções me causam
um estardalhaço de anões na alma!

20 agosto, 2008 at 8:01 am 6 comentários

(o corpo pode ausências)

o tumulto do corpo pode ausências.
calar tem por demais, arrefecido
instante da manhã chamado vento.
uns mistérios, dizer o mais que sono
sem a palavra livre revelada.

quando uma carne concebe, intimamente,
uma outra carne rasura seu instante
mais breve de pedra. e saber
aquilatar é tudo, face o tempo.

que outros mais dizer irão, somente,
sabedorias se nem cabe a rouca
lamúria que no lábio sempre espera
pelo espaço de só ser lamúria.

19 agosto, 2008 at 6:01 pm 2 comentários

o poema – 2

o solto, o desastre, o aço preso do corpo,
em pétalas e mãos, estardalhaço.

18 agosto, 2008 at 12:00 pm 2 comentários

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