Archive for agosto, 2011

poesia, 5

há poetas que cozinham
noite e dia
na suave oficina da poesia

eu cozinho a poesia
chifre e rabo
na dura oficina do diabo.

romério rômulo

29 agosto, 2011 at 10:35 am 2 comentários

musa e vestal, 1

1.
a musa e a vestal são meus abismos.
se abro uma, contém mirabolâncias
se abro outra, descubro silogismos.

vou revelá-las em todas as instâncias
cobertas de razão, mas sem juízo.

2.
a musa e a vestal são as amantes
do meu corpo imperfeito de narciso
e cegamente refletem meus juízos
num estado de ferro e de diamante.

vou amansar uns ópios indecisos.

romério rômulo

26 agosto, 2011 at 3:54 pm 3 comentários

desmontar a musa, 1

1.
eu pego da amada os parafusos
e reconheço cada, nos seus usos.
jumelos, lambrequins e outras gentes
monto e desmonto os olhos e os dentes.

daí carrego a musa em meus arreios
pra assegurar os tanques e os freios.

a vida já virou uma caçada
quem sabe dos chassis da minha amada?

2.
vou remontá-la toda, em madrugada
numa poesia de dança e gargalhada.

romério rômulo

23 agosto, 2011 at 3:25 pm 5 comentários

maradona, virgulino e limeira, 1

1.
eu chamei maradona e virgulino
pra um serviço no couro do sertão
minha alma de santo e de menino
escondida num verso fescenino
se perdeu no primeiro palavrão.
2.
maradona sacou seu dom divino
virgulino vestiu de lampião
zé limeira ferveu no desatino
qualquer deles não tem comparação.

ninguém viu um encontro tão moderno
o sertão é o beco do inferno.

romério rômulo

18 agosto, 2011 at 9:14 am 2 comentários

maradona torceu o parafuso

1.
maradona torceu o parafuso
e bebeu o gol de muitas gentes
com o cântico dos cânticos cafuso
fez tremer as terras e os dentes
dos corpos a sobrar, todos confusos
por sua bala no teto dos desplantes
sob a injeção de deuses e descrentes
num pisar de anões e de gigantes
a encantar caretas e dementes.
2.
maradona torceu o parafuso
encontrou o pavão misterioso
com um gol, o mais belo e amoroso
fez cair toda regra em desuso
ao rasgar a nervura do tufão.

maradona, percebido furacão
a caber numa banda de tambores
com a alma mordida de amores
sex pistol que joga com a mão
carregado na poeira dos andores
por um santo de cícero romão.
3.
pra mirar no poeta, cão recluso
maradona torceu o parafuso.

romério rómulo

13 agosto, 2011 at 12:29 pm 1 comentário

se eu fosse maradona, 25

olhando por cima d’ água
eu sou bicho mamulengo
no anzol e na anágua
plantei muito capim bengo
plantei pólvora, novelo
espinho, pele e cabelo
comprei cavalo, novilho
pelo fim toquei sanfona
de tudo comprei, meu filho

ah! se eu fosse maradona!

romério rômulo

11 agosto, 2011 at 3:21 pm 3 comentários

posses, 1

no meu olhar de alçapão
na minha pele de escova
na minha mão de bigorna
no meu dedo só impulso

no meu enfado bandido
no meu riso de atropelo
no meu antro de desdém
na minha quadra de luzes

na minha vila 18
no meu cabelo de estopa
a minha casa dos contos
o meu quinto dos infernos.

romério rômulo

7 agosto, 2011 at 4:00 am 3 comentários

Posts antigos


Feeds

agosto 2011
S T Q Q S S D
« jul   set »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Top Posts

RSS Fênix em Verso e Prosa

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.