Archive for março, 2011

casa vazia, 1

carrego a casa vazia
rasgada de dura calma
o bem me corrói o corpo
o mal me consome a alma.

romério rômulo

28 março, 2011 at 6:28 pm 1 comentário

musas, 2

sobraram o tesão e o meu pecado.

busquei as musas mais patenteadas
e as devolvi ao dorso das estradas

seus braços e seus olhos penitentes
me delinquiram os ossos e os dentes

minha mão foi atiçada num emblema
meu pó, retaliado num poema

de tudo, eu roído e arrebentado,
sobraram a mão e o pó mancomunado.

romério rômulo

19 março, 2011 at 5:30 am 2 comentários

musas, 1

musas são mares, musas são problemas
em sais e açúcares, musas são blasfemas
nas peles inoculam eczemas
reduzem meus extratos a morfemas.

patrícias, fadas, bruxas, meretrícias
transformam os pulmões em enfisemas
destratam as estradas e os poemas
não querem os meus belos teoremas.

as musas que me arrastam são extremas.

romério rômulo

13 março, 2011 at 9:02 pm 3 comentários

musa & poeta, 1

há musas pias, musas alfabetas
há musas trevas, musas incorretas
musas levadas, fugas, abjetas
musas letais pra todos os poetas.

musa é maior. as musas são concretas.
há musas-lava, musas sem tamanho
musas-sermão. as musas são profetas
e todas levam um corpo meio estranho.

poetas andam em todas as estradas
nas veias, braços, peles e andores
em meio às ruas, no meio das manadas
pois há poetas pra todos os pavores.

romério rômulo

9 março, 2011 at 6:15 am 5 comentários

trago meu cavalo doido

seus parafusos são ocos
os seus olhos, luz do dia
sua pele, condenada
ao meu ombro de poesia.
seu esteio, minha amada
um osso só alforria.
sua mão é uma estrada
incendeia e incendia
sua voz quadriculada
me destrava e me alivia
o seu pelo me relata
sua ânsia me arrepia.
pro cariri vou agora
me declaro a essa senhora
e caso no mesmo dia.

busco meu cavalo doido
num galope à beira mar
tiro maria da terra
levo maria pro ar.
vamos partir num depois
do lá que é perto daqui
pra pisarmos, só os 2
as terras do cariri.

o meu cabelo varrido
minha cara de alvaiade
dou à maria em presente
como se dá quem me invade
num instante, à moça bela,
com uns uivos de cachorro
numa tesão de cadela.

o meu cabelo varrido
eu lhe dou. se quiser mais
busco palavras na feira
falo dos algodoais
já plantados numa beira
dos seus olhos vendavais.

trago meu cavalo doido
e fujo logo daqui
num olhar esbugalhado
em terras do cariri.

romério rômulo

5 março, 2011 at 6:33 am 2 comentários


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