Archive for fevereiro, 2012

carpintaria, 1

1.
pelo grosso
as musas só me roem a pele e o osso.
2.
no geral
as musas só me fritam em água e sal.
3.
num cambão
as musas me derretem em solidão.

romério rômulo

28 fevereiro, 2012 at 2:51 pm 1 comentário

travessia, 1

se ela quiser eu vou
faço logo a travessia.
manuelzão já me chamou.

inda que seja na cheia
atravesso o vau de rio
com um cavalo na veia.

o sertão é gado limpo
música semi colcheia.

com que roupa eu chego lá?
que pente que me penteia?

romério rômulo

26 fevereiro, 2012 at 6:08 am 2 comentários

rivotril, 16

a moça sugeriu a camomila
pra segurar meus cálidos pavores.
mas o diabo é sempre a minha vila:

aqui só servem rivotril. sem flores.

romério rômulo

17 fevereiro, 2012 at 1:23 pm 1 comentário

aço, 1

eu construí a musa de improviso
com uma carne feita de maçã
e uma terra certa: o paraíso.

mas eu padeço de febre terçã
e o seu olhar de aço foi o aviso:
a minha musa é toda em rolimã.

romério rômulo

12 fevereiro, 2012 at 6:45 am 3 comentários

o braço de manuelzão, 1

minas é um rio comprido
como um cachorro latido
no braço de manuelzão

eu olho minas de perto
como tecido coberto
pelo balaço do mar

manuelzão e mar são coisas
de fazer minas chorar.

romério rômulo

4 fevereiro, 2012 at 2:26 pm 5 comentários

sal, 1

morrer é um traço musical
desmanche da carne,toque de instrumento
navio aportado, soco duro.

a vida assombrada é um fragmento
emergido da terra, uma fogueira
onde a terra sem vida é uma beira
emoção do que é doce e virulento.

navio aportado, soco duro
o corpo me carrega em sal impuro.

romério rômulo

2 fevereiro, 2012 at 6:12 am 2 comentários


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