Archive for março, 2009

álvaros amplos de dizer

a noite azeda comandava flores.

subalterno do tempo, outros vindos,
sabiam da poesia ser chuva.
gritos, moedas, álvaros, tão amplos
de dizer.

quanto de encanto cabe cada olho?
corpo é viés, planta rebatida
por sono avaro. outrora vi rompantes
ciganos serem homens.
se vindos, mais couberam em asas.
anjos todos, em ritmo fatal.

30 março, 2009 at 7:00 am 88 comentários

a paixão do poeta

1.
posso envernizar minha paixão.
posso dar-lhe uma nesga de brilho,
poli-la como aos sapatos burgueses,
os tecidos que encantam os salões,
as lantejoulas que efervescem a noite.
posso mesmo escavá-la como se faz com o furúnculo,
e, adentrado o seu pus,
arrebentá-la nas encostas de mim.
posso derivá-la em vida, cachoeira viva
que nunca será rio.

posso, então, o quê!

nada. nada posso
que não seja a sua própria carne,
seus espamos,
sua efusiva e momentânea fúria.

de tudo
o risco na pedra
vai dizer.
e só.

2.
a fúria, a tortura, os desejos
são caldos que engrossam a noite.
tensos, passamos pó sobre as feridas,
lambemos nossas almas de pedra,
reviramos cada estalo, cada medo.

os ruídos adentram nossa veia
como fogo da morte.
nada nos diz o silêncio. sobre nós
as formigas ressaltam seus desejos.

a chuva perdida sobre as portas
entrava as dobradiças, enferruja os homens.
a veia de minas, o chão de minas
nos confunde.

resta buscar o que sobrou do amor.

26 março, 2009 at 9:45 pm 29 comentários

pura pedra

meu poema seco,
rastro de sol e cerrado,
carrega uma moldura de ferro.
montanha e água,
meu poema seco
traça uns caminhos de rio.

os cavalos do poema
são trevas da poeira vivida,
do esgarçado dos dentes
em iscas do outro lado.

a manhã que encobre tudo
lambe, azeda, meu corpo de tormenta.

24 março, 2009 at 7:50 am 28 comentários


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