Archive for janeiro, 2011

fragmento de desarmar a morte

se todos morremos na estrada
o quê fazer dos caminhos?
vou desarmá-los, amada!

-vou afogar-me nos vinhos-

vou fazê-los horizontes
com o meu pulso de sol
repisar algumas pontes
anunciadas em vôo
de morcego, bacurau
o meu desvio de rota
o meu cavalo de pau.

se todos morremos na estrada
o quê fazer dos caminhos?
vou desarmá-los, amada!

romério rômulo

29 janeiro, 2011 at 11:15 am 2 comentários

se eu fosse maradona, 11

se eu fosse maradona
ou virgulino ferreira
o meu cavalo maluco
viveria na carreira.

numa bola feita gol
numa bala feita morte
num estalo de água doce
eu colhia a minha sorte

meu riso, qualquer que fosse
de um amazonas vadio
por mais certo era que fosse
o meu sangue, puro sal
minha veia, meu esguio
manto de canavial.

romério rômulo

26 janeiro, 2011 at 8:14 pm 3 comentários

o mais armado, fragmento

sou o mais armado dos homens!
meus obuses, estanhos, tantas luzes
arrefecem a raiva dos canhões
na goela dos canhões a pólvora seca
arremata o mundo em contrições
os pecados do corpo se revelam
como fossem guerreiros em pulsões
nas pulsões algum gesto se mortalha
na pantera do corte dos facões.

romério rômulo

23 janeiro, 2011 at 5:56 am 4 comentários

fragmentos de poema

pensam que faço poemas a machado
faço poemas com fino tratamento
no corpo do poema o meu tormento
na sua pele, meu corpo revelado.

se corto o poema num momento
e não parece estar bem recortado
é que talvez, chegado de algum vento
eu me carregue em golpes de machado.

romério rômulo

19 janeiro, 2011 at 3:27 pm 3 comentários

se eu fosse maradona, 6

se eu fosse maradona
tudo virava poema
eu faria a maior zona
com um o, um a e um trema

chegava ao campo de cena
mijava logo na grama
que a vida só vale a pena
se tiver alguma lama

eu sei a culpa que tenho
e te dou mais atenção
dançando um tango portenho
nas abas do coração.

romério rômulo

15 janeiro, 2011 at 12:53 pm 5 comentários

se eu fosse maradona, 3

se eu fosse maradona
fazia tudo que quero
o meu gado, minha chuva
minha dança de bolero
a minha vida na zona
a minha mão sem a luva
bordada de mandruvá
levada em cateretê.

se eu fosse maradona
eu carregava você!

romério rômulo

12 janeiro, 2011 at 7:49 am 1 comentário

“se eu fosse maradona, 9”

a casa é torta e vazia.
vinicius peca num quarto.
no outro, carlos scliar
vê o rosto de clarice
a se entregar num retrato.

a casa é seca e vazia.

quem ama a casa secreta
do meu olhar, pura nona
sinfonia de poeta?

ah! se eu fosse maradona!

romério rômulo

8 janeiro, 2011 at 9:30 pm 2 comentários

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