Archive for dezembro, 2009

quando os bagaços

parte cortada em sangue e ferro quente
o corpo reconduz-se, por pedaços,
ao mundo seu, no centro destas gentes.

quando os bagaços revivem, massacrados,
os dentes rangem como humilhados
perdidos no arsenal das frontes tristes.

em pandemônios mentais, delírios sólidos,
com as carências biológicas dos bólidos
que antecipam a luta já em riste.

em seus cavalos, titãs, os corpos rangem
como se fossem máquinas exangues
movidos, eles, no caudal de sangue
que exagera a vida. a sobra é triste.

(quando os bagaços)

Anúncios

27 dezembro, 2009 at 9:22 am 12 comentários

cândidos, um sopro

 

meu corpo traz uma equação de nuvem.
pobres resgatados, desmorados, osso e braço
rezam no ar de penitência suas águas.
proprietários do sobrado, pouco lhes resta.

 
de tempo, arreganham dentes de uma fome sólida.
ralos de feijão, seus corpos sabem os horizontes da terra.

escaldados, cândidos, um sopro.

 
(cândidos, um sopro)

 

20 dezembro, 2009 at 12:26 am 10 comentários

arrancar da tua nuca

eu tenho que arrancar da tua nuca
a vaga decisão de ser meu corpo
o elo de teu ventre com a terra.

devo extirpar o gesto adquirido
num, por somenos, ato reticente
de ver distância de mim ser teu intento.

quando as valas mostrarem nosso rumo
quando as formigas resvalarem atos
de um só ser em nós se validar

vou te mostrar a minha mão candente
meu corpo todo ele enluarado
e o meu dente podre de manhã.

há de sobrar de nós-o quê? –só torpes
rasgos de vento no olho do tufão.

a pura pedra me diz: quando fui homem?

(arrancar da tua nuca)

[Per Augusto & Machina]

14 dezembro, 2009 at 11:36 am 10 comentários

avalio-te o termo

avalio-te o termo, poeta!
se tua minguante for vadia
faço do teu corpo piso da semente.
se teu olho brotar miséria
digo tua mão insana, tua peste incandescente.

sobra-te, visível, um astro navegado,
roupa de pele sutil, claro fantasma.

a abóbada do olho cabe revista
e a resenha do dente nasce da secura.

(avalio-te o termo)

7 dezembro, 2009 at 4:47 pm 9 comentários

estrada e chumaço

meu nutriente
é a carcaça de corvo que me habita,
a estrada vil que me percorre,
o chumaço cigano que destrava,
a desgraça infame que velejo:
se cada mão
souber fazer a ponte
sobre carcaça e estrada tão incultas
entre estrada e chumaço tão perversos
por chumaço e desgraça tão atados.

(estrada e chumaço)

2 dezembro, 2009 at 4:23 pm 13 comentários


Feeds

dezembro 2009
S T Q Q S S D
« nov   jan »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

RSS Fênix em Verso e Prosa

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.