Archive for junho, 2010

a carne é reticente; a noite cega

sou, por meus inteiros, vários.
minhas frações se fazem de repente.
o olho, de inteiro e faces,
disseca os cacos da manhã (lavada).
múltipla mão, da luz, me regurgita
uma estranha verdade, um denso espanto.

(minha doce face fuzilada)
uma poesia deserta, texto de pedra e secura.
poesia de ferreiro: metal e martelo.
uma poesia brasa candente. cozer tudo,
ato do verso, dure tanto ou nada.

(abertura)

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27 junho, 2010 at 10:43 am 7 comentários

quero dizer que manuelzão foi boi – IX

onde o instante da vaca é universo
onde o estado do boi pode caminho
a rua do seu corpo é só poeira
o valo do seu corpo é vau-de-rio
bandeira no horizonte é saia morta
que faz marruco (dizer) estripulia.

manuel carrega em pelo o horizonte
e sempre diz de ser belo vaqueiro.

21 junho, 2010 at 4:22 pm 4 comentários

quero dizer que manuelzão foi boi – VIII

se cada um valesse por cerrados
os bois, manuel, seriam mais velozes!
o cavalo, estreito no seu corpo,
seria sua roupa matinal.
os bois, manuel, são pura transcendência.
e o espaço que lhe sobra, pura noite,
diz, singela, gargantas de eloqüência
e nitidez velada, mão afoita

de ver facão vazado de espanto
coser a pele de homem e coser
o boi, manuel, revela cada encanto
que nosso corpo não cabe por caber.

vadio manuel estrada
vadio manuel daqui
manuel, estampa e gargalo,
manuel, estrago e

buscado saber da morte
por garrucha e devaneio
estrada é morte de outrem
cavalo, estrada e

estrada, manuel, tem morte
que nunca chega no fim
nos cabe o espanto da morte
(nos cabe a morte e o espanto)

13 junho, 2010 at 6:23 am 2 comentários

quero dizer que manuelzão foi boi – VII

uns arrebóis de lenda,
uns bois de criação,
extrato de secura:
irmão.

o hálito cerrado
em corpo de varão
estado todo:
vão.

revela o cavalo
do peito, grão
poeira pesada:
mão.

fratura desossada.
desolação.
vida arriada:
não.

7 junho, 2010 at 11:03 am 4 comentários


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