Archive for julho, 2012

fragmento por joão cabral

o amor comeu minha mentira, meu riso, minha dor.
o amor comeu o meu escasso e o meu amplo
o meu terno e a minha companhia.
os meus dedos se perderam nas suas procissões
nas suas leituras e cadências.

quando o amor chegava eu via o desespero da morte.

romério rômulo

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12 julho, 2012 at 4:55 am Deixe um comentário

quando todos partirem

1.
quando todos partirem
eu vou ficar sem muros
e o silêncio dos cachorros
vai desabar sobre mim

penso nas ladainhas a rezar
nos bancos que serão meus assentos
e na ausência das aves

as pedras do meu olho
vão cair nos rios
e a minha mão
vai moer as cordas do tempo

pela noite
minhas facas saberão das noites a cortar
dos bichos a saber
e do meu corpo desfraldado

as carnes não deixarão rastros
e o ferro das ruínas
não caberá no poema.

2.
quando o mundo acabar
vou mutilar meus braços
meu hálito, meu desacerto.

quando o mundo acabar
vou desatar a glória
dos deuses correntes:
todos os diabos vão ficar nos cantos
das vias destratadas

os sóis serão banidos
e o começo de tudo estará pronto
(cozido, costurado, morto)

no adro do tempo
nem o meu coração tremido
vai bater.

romério rômulo

8 julho, 2012 at 10:30 am 1 comentário


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