Archive for maio, 2011

pantera, 1

essa mulher, amigo, é uma fera
e destroçou a minha carne fria
com seu olhar agudo de pantera

mas quero me casar com essa amada
um antro de veneno e de poesia
a regar meus desastres pela estrada.

romério rômulo

31 maio, 2011 at 4:24 am 4 comentários

absint, 9

quando o tempo me pisa e me arremata
me destronco em ossos na poesia
atracado nalguma apostasia
despedida do todo que maltrata

vejo tanques de guerra pela estrada
e garrafas de vinho dos açores
me retrato perdido de amores
à distância de um cheiro indistinto

o que sobra por tudo e por nada
é uma vida de ópio e absinto.

romério rômulo

29 maio, 2011 at 5:41 am 2 comentários

soneto torto para Maradona

a sede que invade meu espanto
meu fel e meu extrato de agonia
se encontra toda no tropel do manto
que me socorre em plena luz do dia

soubesse dessas luzes no encanto
dos ancestrais da minha agonia
o meu estado de noite em que levanto
seria só o espanto pelo dia

sou mais devasso ao me perder portanto
nessas estradas de cavalaria
que outro homem feito de quebranto?

que homem se repete só no espanto?
só Maradona em estado de poesia
veria meu suor por todo canto.

e eu me arregaço pela luz do dia.

romério rômulo

22 maio, 2011 at 5:21 am 3 comentários

ezra

um grosso espalhafatoso
um tímido underground
um olhar puro escabroso
o mundo sujo ezra pound.

romério rômulo

21 maio, 2011 at 4:18 pm 2 comentários

absint, 5

meus ossos se esfarelam de dormença
as carnes se desfazem por instinto
sobre a pele torrada de absinto
na cidade da dor e da descrença.

romério rômulo

14 maio, 2011 at 3:03 am 2 comentários

absint, 3

meus olhos remanescentes
perdidos nas aguardentes

as minhas carnes impuras
cavadas por leveduras

os meus risos escarninhos
desamparados nos vinhos

os meus olfatos extintos
roídos por absintos

as minhas veias, gorgonas
comidas por beladonas.

romério rômulo

10 maio, 2011 at 4:20 am 3 comentários

todos os cavalos

os gados todos que andei em pelo
na carne dura, vou interrogá-los.
meu antro desastrado, meu novelo
selvagens putos, todos os cavalos.

cavalos são estrondos, são estradas.
cavalos são leões. suas voragens
repisam os estouros das manadas.
cavalos são estrelas e homenagens.

me vi na contramão destes cavalos.
eu, puro sangue, em desalinhos.
eles, impuros, bebem nos gargalos.
todo cavalo é um monte de espinhos.

romério rômulo

7 maio, 2011 at 9:56 pm 3 comentários


Feeds

maio 2011
S T Q Q S S D
« abr   jun »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Top Posts

RSS Fênix em Verso e Prosa

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.