Archive for janeiro, 2010

moer todo o corpo

 

deixa o vento pisar na tua alma
faz a pedra moer todo o teu corpo
ri da lua, ismália enlouquecida,
vê a rua cair boquiaberta

se teus vales sonoros regurgitam
de amores vãos, latentes peitos
diz das flores, espaços que evitam
línguas mortas, instantes escorreitos

fala mais de alfa e de ômega.
se valessem as bocas instaladas
na rudeza atroz de alguma entrega
fosse toda a cidade resvalada.

furacão, grosso chumbo de loucura,
sobra o quê de um corpo na tortura?

(moer todo o corpo)

[Per Augusto & Machina]

31 janeiro, 2010 at 7:21 am 4 comentários

a vida pela vida se me doa

 

carrego a morte. o rumo que lhe dou
tem a atroz adjacência de montanha
que, carga sobre carga, se arreganha
pelo caminho, espaço do meu vôo.

quando felina a morte me atordoa.

(a vida pela vida se me doa)

[Per Augusto & Machina]

26 janeiro, 2010 at 10:15 am 6 comentários

da tua solidão

pretendo traduzir teu labirinto em corpo.
é escasso meu dever de ser feliz.
quando pulso à noite, me desvio
da tua solidão, pânico puro.

purgar a vida, traduzi-la toda,
meu desígnio por ti se escasseia.
cabe mais, o utópico do mundo
retraduzir teu mundo em minha veia.

se teu hálito de todo se evapora
por quando ser meu corpo se sustenta
plural o olho da vida se enamora
a cada instante da morte que inventa

ser quanto ser, pedra cortada, tida
meu recato brumoso, estardalhaço,
de tudo que lavrei me sobra a vida!

(da tua solidão)

[Per Augusto & Machina]

21 janeiro, 2010 at 4:57 pm 9 comentários

todo sertão é um caldo de tortura

o meu pecado é válido, se podre
arranca luzes da cidade alta.
qualquer amante à noite se refaz
deixando a güela ressarcir desejos.

e quando mães, estacas, se filiam
às quadras do delírio permanente?

se, à noite, piso infernos e bordéis
é que um destino vago me repisa.
somos filhotes desta dor e medo.
somos filiados à mazela rústica.

quanto de podridão varreu-me sempre
se só o acaso dedilha meus olhares?

sou vil filhote desta dor e medo.

(todo sertão é um caldo de tortura)

[Per Augusto & Machina]

16 janeiro, 2010 at 4:06 pm 6 comentários

ave!

filhote da nobreza rural
que se destaca na lente e no machado
revida os ancestrais golpes soezes,
tartamudos, vitantes. galos
jazem na sua falha de dentes.

 
ave, mãe terra!
os que te têm, te saúdam!

(ave!)

 

[Per Augusto & Machina]

11 janeiro, 2010 at 1:06 pm 14 comentários

louco,cimentado

o meu cabelo é louco, cimentado
por cabedais em tudo transparentes.
carrego umas vogais de acessório
pra desditar poemas de indulgência.

o beijo, amigo, é a véspera da fome
que nos percorre: josés, joões, sem nome
sem consoantes uns, consonantados
outros. bêbados, invertebrados

da sanha do mundo. ruidosos calos
nas mãos de enxadas e assobios
suas visões são uns caudais de rios
que regam o mundo todo de abalos.

numa aparência louçã, insandecida
vou rebelar a noite de vestais
nuns sobremodos de maus modos tais
que até a morte vai se ver na vida!

(louco,cimentado)

Per Augusto & Machina

7 janeiro, 2010 at 1:42 pm 20 comentários

beira-mar e outros

somos loucos da estrada. nosso pasmo
resvala todo por noites e favelas.
nosso trio flanado nas prisões
vê o pó que sucumbe os destinos.

quantas pragas velamos? quantos somos
na poeira das vidas? quantos nus
se fizeram sobre nós? quantos, tantos
foram os ossos esmagados sobre?

a pura idéia, somos tão imensos, de
tantos braços soltamos sobre vidas
pálidas vidas, perdidas entre pragas
tantas vidas temos. tantas vidas!

(beira-mar e outros)

 

[Per Augusto & Machina]

3 janeiro, 2010 at 7:45 pm 16 comentários


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