Posts tagged ‘Carlos Scliar’

flores I

Carlos Scliar – Flores I (1971)

Técnica: Vinil sobre tela colado em madeira, 75 x 55 cm

23 junho, 2008 at 12:20 am 7 comentários

canto para amar carlos scliar

“eu devo tudo a todos” ( c. scliar)
“sou rico da experiência de todos os homens de todos os tempos” ( c. scliar )
“são desenhos de salvação” ( c. scliar)
“eu pinto o cheiro das flores”(c. scliar)

1 .
carlos, tamanhos,
do cone sul.
um carlos tango,
carlos gardel.
um carlos tanto,
luis carlos prestes.
carlos, nascido
carlos scliar.

2 .
boca do monte,
santa maria,
o horizonte
é só colagens

henrique fala
fala cecília
vamos nascer
carlos scliar

quantos carlitos
se fazem soltos
pelo brasil
naquele instante?

quantos brasis
se fazem em homens
como aquele
carlos scliar?

3 .
riscos no muro, rebelde, cinco anos
carlos traça seu traço de protesto.
carvão na casa, pela casa toda,
scliar se mostrava e se dizia.

amigo mais amigo, se formava
fraterno mais fraterno, se fazia.
scliar libertava em cada olho
o contido no mundo. mais, ficava.

4 .
arme e desarme, carlos
é paixão
tua guerreira
mão que permanece.

é o espaço do teu olho, todo vivo
é a rendição das gentes ao teu ato
a vida que pulsaste pelo mundo
a fervura dos olhos que disseste.

a terra que te coube foi o mundo.
o corpo que te guarda é o mar.

arme e desarme, carlos
é paixão
tua guerreira
mão que permanece.

5.
de só scliar  vou  dizer ainda
quanto de infante fez sua poesia
quanta poesia fez seu estar solto
e, quando solto, produziu verdades.

azul do olho, fez seu bule, rastro
de homem que do povo relatou a alma.
perguntou quando, quem, onde, porque, ainda
fez afirmada em tela a causa justa.

se do operário reluziu façanha
de escravo negro denunciou negócio.
a vida, o homem, foi seu todo ato
de só pensar e traduzir-se todo.

plantado pela guerra entre desastres
ressarciu-se na vida de uma gente
recompôs-se no campo da paisagem
construiu, do desastre, um ser tamanho.

superar tormentas foi seu ato
todo tempo, buscado e traduzido
relatou o gesto nu do homem
de desmontar mas algo pôr, por sobre.

6.
a.                                                                        d.
há pouco, scliar                                                  vê seus exatos
fez-se de morto                                                 gestos em prumo
para fazer-se                                                      pelos telhados
carlos scliar                                                        plenos do mundo

b.                                                                       e.
quem já lhe sabe                                               vê suas entranhas
quem o conhece                                                reinterpretadas
vê suas mãos                                                    na luta louca
por ouro preto                                                   vida vivida

c.                                                                        f.
vê os seus atos                                                 vê seus amigos
no casarão                                                        plenos de olhos
que interpreta                                                    plenos de ouvidos
por cabo frio                                                      das suas falas

7.
qualquer pedra pode ser carlitos
qualquer luz pode conter sua fala
e a luz que se traduz em ouro preto
de certo tem sua mão, daqui se vê.

8.
scliar fez conosco a brincadeira
de ir-se, como quem nos deixa soltos
de pensar retribuir sua ironia
pensando ser verdade o que ele fez .

decidiu fazer-se cinza pelo mar
e brincar de ser peixe em profundezas
que aqui, inatingíveis, não sabemos.
daí virá, exato, álbum da vida.

decidiu fazer-se saibro pela terra
traduziu-se em  estrada de outra parte.
e decidido fica neste canto:
scliar não morreu. homem não morre.

13 junho, 2008 at 8:00 am 4 comentários

passagem por scliar e ouro preto

verdade mineira de dizer scliar: difícil de tão fácil, relato-me e o
relato: do mineiro que sou ao gaúcho que vê ouro preto de ouro
preto, gaúcho que me descobre a ouro preto que não vi: retilínea
que eu vejo barroca. scliar analisa o tempo íntimo do tempo.
caminho-lhe a fala, de hoje, entrado, leio a palavra na paisagem:
“arme e desarme
a paisagem é outra
e a mesma
e você é o mesmo
e outro.”
armo e desarmo, sou o mesmo e outro. a paisagem: scliar e ouro
preto, outros. a paisagem: scliar e ouro preto, mesmos. sclair é fé:
estou com ele.
prestes homenageado, traço scliar, traço niemeyer. desenho e
palavra mostram a vida tanta: prestes 90 anos.
percorro trípticos, agitado, um. calmo, outro. tensão-dimensão: o ato
compulsivo-dialético do homem. O homem que scliar acredita.
caminho por flores de racionalidade. a flor de racionalidade em
scliar é emoção. cada gesto, domado. cada emoção, domada. domados,
emoção e gesto pulsam, scliar relata: “eu pinto o cheiro das flores.”
quadros claros: esta maior última de scliar. ao “sermam de terceyra
dominga” scliar soma: “e agora.”
ouro preto volta: casario sobre tela. ouro preto volta: gravura com
o grito-bandeira de manuel bandeira que scliar agita:
“meus amigos
meus inimigos
salvemos ouro preto”
corto:
“meus amigos
meus inimigos
salvemos a luta de scliar.”
por cartazes e livros, scliar gráfico apontando caminhos. mesmo
de assinar. assinatura-traço-poema: concreto-pôr-sobre.
ultra-pássaro scliar
liberto tanto
ave!

O poema acima faz parte da exposição Scliar – 80 anos em formato de painel – 160 x 220 cm

10 junho, 2008 at 12:55 am 2 comentários

dos amigos


Carlos Scliar e Romério Rômulo, em Ouro Preto (1993)


RR recita poesia na inaguração da Orla Scliar, em Cabo Frio (2006)

Fontes: do site de Carlos Scliar – foto 1 – RR e Scliar, foto 2, RR na Orla

10 junho, 2008 at 12:45 am 4 comentários


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