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cavalo

cavalo é uma forma impura, quase louca
de gritar na carreira dos cerrados
a inanição do homem, pura boca
quando os peões estréiam seus recados.

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30 outubro, 2009 at 8:05 am 15 comentários

puro antro

avaliar destarte o movimento
mais caudaloso rio sucumbido
na treva tanta, noite tremeada.
um vale de desígnios rotundos
de árias semeadas, vilas, éguas.
-lobos e fêmeas dormidos – puro antro.

e se souber demais, nascida terra,
o múltiplo te escolhe. eternamente.

26 outubro, 2009 at 8:01 am 8 comentários

onde o homem amanhece

o torto da manhã carrega um osso
que é esqueleto do dia de amanhã.
seu prazo é inerte: ronda um sol
por eixo da terra que nem sabe.

cada homem delega-se instrumento
de tudo isto em seu relógio louco
que mostra a manhã arrependida
de ser a outra depois, e mais, depois.

cada fala se sabe compreendida
no tempo desta luz e desta treva.
e o caminhar de escuros entre claros
define a substância dos caminhos.

estes caminhos são por demais ossos
de esqueletos, múltiplos, corpóreos,
estantes desta flor chamada gente,
martelo deste prego que arremata.

por seu intento e sabe-se o quê
os pisos rasos, fundos, ancestrais,
onde o homem amanhece noite
e sua claridade vai traduzir morte.

fosse eu o deus das madrugadas!

22 outubro, 2009 at 8:55 am 21 comentários

no cosmopolitismo das moneras

desta homogeneidade indefinida
nasce a maçã, o polvo virulento.
corto na tarde o rasgo da notícia
que chega, anquilosada, feito vento.

19 outubro, 2009 at 5:53 pm 20 comentários

a bunda verde, escândalo da noite,
alarga o riso e o sal da madrugada.
o sal da alma traveste-se em quesitos
de uma avenida torpe, resvalada
de merdas e detritos
e fosse eu a última morada
a claudicar atritos.

24 setembro, 2009 at 8:23 am 50 comentários

quando nasci

1.
quando nasci
uns bêbados diziam de eu ser cavalo,
um porco do cerrado,
um cachorro do mato.
bebi todos os copos que me abriram,
resvalei nas puras tempestades,
interpretei o ranço do silêncio.

bastardo da vida, fiz sobrar meu rasos.

2.
os rios me interrogaram de águas,
rasgaram minha garganta de luzes.
quantos peixes nadaram minha cara de cão?
mesmo plantas, do mato todas, se disseram de mim.
sobrou – da memória- a solidão vazada.

(( do livro Per Augusto & Machina ))

19 setembro, 2009 at 8:19 am 18 comentários

operar um açoite, quando o tempo
sonoro se arrefece num arregalo
de medo e uivo. dor, tormenta
será o que sobrar nesta cidade.

dardos por olhos, sempre desfibrados
calentam a timidez de certos corpos
no ruído da mão, sempre latente.

-há verbo que se faça sobre nós?

14 setembro, 2009 at 8:17 am 11 comentários

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