não consigo me livrar desse poema

12 dezembro, 2011 at 3:00 pm 5 comentários

tenho medo.
o medo de viver sob essa pele,
o medo das mulheres que me absolvem do pecado,
o medo do câncer que termina em morte.
medo das estradas sem caminho,
do envolver o espanto do meu olho
e derivar os poemas da noite.
medo dos cachorros é o que tenho.
tenho medo dos cavalos,
da beleza que destilam
quando eu não consigo a coragem de vê-los.
tenho medo do olhar,
de todos os olhares:
a vida lhes pulsa o meu medo
e só me cabe retê-los um pouco.

o grande medo,
o medo que estarrece,
o medo que me promete a explosão da carne,
é o medo da pele que me come
e eu não vejo.

não sei da vida,
não sei da morte e suas atrofias
e me revelo no medo.
tenho medo da loucura,
das mentiras e verdades que me roem,
do meu sono e da minha insônia.
o suicídio é um alento carregado de medo:
o medo do fracasso.

a coragem
é o arremedo
da minha clave escondida.

de todos os medos
arranquei meu dia
e não consigo me livrar desse poema.

romério rômulo

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5 Comentários Add your own

  • 1. Mirse Maria de Souza albuquerque  |  12 dezembro, 2011 às 5:17 pm

    Maravilhoso, Romério!

    Você é mesmo um SENHOR POETA!

    Às vezes eu sinto isso. Mas jamais saberia explicar!

    Bravíssimo!

    Beijos

    Mirze

    Resposta
  • 2. Tania  |  13 dezembro, 2011 às 4:27 pm

    Teus poemas são tão, e sempre, profundamente sentidos, pulsantes, intensos…Gosto muito de te ler e preciso fazer isso mais vezes.
    Beijos,

    Resposta
  • 3. Karoline NOgueira  |  18 dezembro, 2011 às 9:16 am

    O medo depende muito da interpretação, da imaginação…
    te imagino sem medo de nada!

    Resposta
  • 4. Silvia Helena Calmon  |  30 dezembro, 2011 às 6:28 am

    Ouço o quer escreves, encanto beleza e dor, sinto sua pele trêmula e ofegante de poemas. Felizmente, poesia salva. Feliz 2012! \o/

    Resposta
  • 5. silvana gonçalves viola  |  30 dezembro, 2011 às 2:44 pm

    Interpretei com formas , cor e linhas…. Belo! silvana viola

    Resposta

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