“quando eu morrer amanhã”

28 junho, 2011 at 4:40 am 7 comentários

(por uma crônica de luis nassif)

quando eu morrer amanhã, não interrogue
da só devassidão dos meus ofícios
eu deixo um girassol, como Van Gogh
e um afro-samba eterno de Vinícius

de Caravaggio eu largo essa madona
a recorrer dos rasgos e artifícios
de Scliar, a paisagem da intentona
de Baudelaire, as bendições e os vícios

ainda fica Zé Limeira no cordel
de Cabral deixo um galo e a madrugada
tecida nas texturas de um bordel
onde Bandeira descobriu-se em nada

de Augusto dos Anjos deixo a trilha
das dores retalhadas numa zona
de um soneto. deixo a luz que brilha
num gol fundamental de Maradona

se assim nos entendermos, volto ao jogo
e trago os meus cavalos e o meu guia
numa cidade escaldada em fogo
onde só queima o extrato da poesia.

quando eu morrer amanhã, deixe o meu vôo
que eu, de mim, jamais morro e perdôo.

romério rômulo

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os meus cavalos, fragmento a mão de picasso, 1

7 Comentários Add your own

  • 1. Mirze Souza  |  28 junho, 2011 às 7:07 am

    Romério!

    Uma obra prima, este poema! Poetas como os citados e como você, não morrem. Apenas se eternizam . O perfume da sua poesia já está formando o extrato que irá deixar.

    Maravilhoso!

    Beijos

    Mirze

    Responder
  • 2. Katyuscia  |  28 junho, 2011 às 6:27 pm

    Zé Castor, poeta do povo do meu sertão, trovadorava com esse mote:

    “Eu tenho pena de morrer, deixar o mundo
    Quando eu morrer, o mundo pode se acabar…”

    .

    Romério, quando cheguei no verso

    “ainda fica Zé Limeira no cordel”

    levantei-me e subi no “palco” pra te dar um abraço.

    Responder
  • 3. Anamélia Fernandes Gonçalves  |  3 julho, 2011 às 4:25 pm

    Que beleza de testamento! Fiquei sinceramente emocionada.
    Obrigada pela visita e volte sempre.
    Um abraço,
    Ana Ribeiro

    Responder
  • 4. 50kg  |  10 julho, 2011 às 7:45 am

    Gostei imenso… Muito bom

    Responder
  • 5. Michelle  |  11 julho, 2011 às 3:48 pm

    Oi, parabéns pelo blog.Belos poemas!

    Responder
  • 6. sueli cavendish  |  15 agosto, 2011 às 2:28 am

    Romério parece que eu consegui chegar aqui. Vamos ver se vai

    Responder
  • 7. sueli cavendish  |  15 agosto, 2011 às 2:30 am

    Foi. Muito bom!
    Estou lendo, várias coisas. Vou marcando.
    Veja os rastros.
    Beijo
    Sueli

    Responder

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