musa & poeta, 1

9 março, 2011 at 6:15 am 5 comentários

há musas pias, musas alfabetas
há musas trevas, musas incorretas
musas levadas, fugas, abjetas
musas letais pra todos os poetas.

musa é maior. as musas são concretas.
há musas-lava, musas sem tamanho
musas-sermão. as musas são profetas
e todas levam um corpo meio estranho.

poetas andam em todas as estradas
nas veias, braços, peles e andores
em meio às ruas, no meio das manadas
pois há poetas pra todos os pavores.

romério rômulo

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trago meu cavalo doido musas, 1

5 Comentários Add your own

  • 1. Katyuscia  |  9 março, 2011 às 6:47 am

    Romério, como fiquei fã dessas tuas musas!
    Beijos.

    Resposta
  • 2. Mirze Souza  |  9 março, 2011 às 7:23 am

    Um presente, esse poema!

    Já que há tantas musas, pias, letais…. e há poetas para todos os pavores, então seriam as musas causa de pavor?
    Como viveriam os poetas sem o foco das musas.

    Muito bom!

    Beijos, poeta!

    Mirze

    Resposta
  • 3. marden  |  9 março, 2011 às 1:01 pm

    há.

    Resposta
  • 4. Silas Correa Leite  |  13 março, 2011 às 6:52 pm

    Pequena Resenha Crítica

    “Per Augusto e Machina” Editora Altana
    Livro da Radiante Poética Aurífera de Romério Rômulo

    “Ouço que cada batalha é a que terminará
    com a guerra/Vi milhares morrerem e jamais
    soube para que/E ainda assim nosso maior
    medo é que batam na porta…”

    Its Just The Way of The Word

    More Allison

    -Volta e meia recebo de preciosos e interessantes amigos virtuais – alguns que circunstancialmente as vezes se tornam grande amigos também presenciais – e, na medida do possível, gostando muito até, faço pequenas resenhas, que se pretendem criticas literárias, o que ocorre com certa freqüência, porque, bem lembrando Walt Whitman, “quem toca um livro/toca um homem”; e porque também a safra da poesia brasileira, variada que seja, é verdade, no geral é mesmo de boa qualidade, principalmente com seus criadores quarentões, cinquentões, todos com mais de um livro, já rodados portanto, assim experimentados e livres, puros. E tenho entre Marcelo Ariel e Solivan Brugnara, entre alguns outros nomes, agora também qualifico o Romério Rômulo entre os melhores poetas que li da poesia brasileira contemporânea. Já pensou? E eu me acho devedor com o Romério Rômulo e seu excepcional “Per Augusto & Maquina”, principalmente porque recebi o seu livro numa temporada extremamente ruim para mim um sobrevivente do antes, que acabou sendo pior ainda em 2010; o pior ano de minha vida, entre grandes perdas que me arrebentaram o espírito, rasgaram a alma e quase secaram o sensível coração transido. Vacas magras em época de transição e fechamento de doloroso ciclo…

    -Por isso, eis que, literalmente emergindo das cinzas, dei ocasionalmente de novo com o belo livro de Poemas “Per Augusto & Maquina”, e, dentro dele, um primeiro rascunho de apanhados vários, sobre o bendito (maldito?) livro. O que me encantou e pemitiu-me uma nova releitura serena, e assim, capitulado pela qualidade do mesmo, capitalizando palavras, eis-me aqui, submergindo do limbo, lendo a melhor poesia de quem é fera na arte-criação e ainda podendo dizer do meu enorme prazer de sabê-lo e sabê-la. Porque Romério Rômulo a priori parece não-poeta: e se debasta, olha-se e alça-se, vergativo e criacional de lascas-pedrinhas do que compõem com eloqüente de uma bela poesia na melhor perfeição criacional-criativa, em esmerada lucidez. O artista suplantando-se a si mesmo, inquirindo seus temores, nas vicissitudes de seu tempo, as agruras de seu tempo, tempo tenebroso, diria Bertolt Brecht. A benção, homem-máquina? Ora direis, Jorge de Lima…

    Seu outro/novo livro, agora (entre outros lançados) “Per Augusto & Machina”, ricamente/belamente ilustrado (iconografia africana), Editora Altana-SP, 2009, tem essa qualidade proposital com afinadíssima “mixórdia” de uma lavra-lágrima que questiona, apura, depura, fortifica o próprio verso – enquanto entreverus, entreversus, entreversos, etc. – e assim lasca-se em criação de aurífera lavra.

    Percepção. Imagens, homem-ser, homem-máquina, homem-poeta (resistir é preciso?), sentidor, criador, pensador, ao mesmo tempo em que filosófico, e portentoso na poética em uma premissa de conciliar paradoxos, simplificar extremos conflitantes, e, acima de tudo, nessa nossa triste e fútil Geração Facebook, inventariar a vida que vê, e ele mesmo lê-a meio que carpindo no próprio garimpar profícuo que teima, reina, cisma e produz, tecendo seus marimbondos de fogo, entre as gracezas que ventila, solenemente lúcido, identificando os pragmatismos da vida nua e crua na sua poesia toda própria, cara e coragem laborial…

    Trevas, placebo, urubus, estarrecimento e emoção estão no seu liquidificar idéias, sentimentos e torpedos letrais. A ferro e fogo, vai rompendo a perda-(morte) de uma veia literária singular, articulando o desprezível, enveredando entre a máquina e o ser sedento e sedentário. Na linha de James Joyce que dizia, in, Ulisses: “Não mais sofrer. Não mais despertar. Ser de ninguém(…) Não sentir mais. É no momento que se sente. Deve ser infernalmente desagradável(…). Depois derivando e divagando. Delírio. Tudo o que escondeste toda a tua vida. A luta mortal (…)”.

    Pois é, baby baby, Romério Rômulo não está sozinho. Existem outros. E existe a arte poética de seu próprio punho, carne e sangue, bateia de pedras preciosas que poeta. Eis o livro.

    Macadame de vocábulos e adjetivos; a consciência criativa acurada e voraz per/segue o livro, es/cavando, afrontando, feito um louco (lúcido) desvario no hades/limbo das contundências que recolhe, pontua, pois, além dos granizos, acontecências que retrata, há o ser que sonha, registra, desde a podridão da vida à paleta da alma transida (humana), passando pela peneira do que escreve, seu olhar anacrônico, assim perseguindo o indizível, e criando magníficos versos de primeira grandeza.

    Ah, o que resiste! O augusto Ser, meio Augusto dos Anjos, meio Augusto Campos; a máquina de poesia revelando-se, e, revelando o ser da complexidade à simplicidade, entre neuras, restos, contrastes, arbítrios, criando poemas de arestas. O hades é mais embaixo? Promotor Cultural, paladino da cultura, Romério Rômulo sabe o que escreve. Trabalha o verso e une-os em terra e água, chão e céu, seres e reses, vilanias e alvuras, cascalhos e nuvens, fragmentos e interiorizações. E questiona-se:

    “É louco ser solene”. (pg 13)

    Ou mesmo: Bastardo da vida, fiz sobrar meus rasos… (pg 17)

    Corpo de tormenta – o poeta carnalizando a arte – buscando o placebo entre quimeras e ventos… Um poeta revelado a vida eivada muito além da podridão humana… O existir do poeta na terra é para isso mesmo: augusto e machina, ele ainda inventaria a dor de resistir. Afinal, é a palavra poética como espírito, idéia, prazer, como bem cantou Vargas Lhosa. Sim, irmãos, a melancolia que nos aniquila, ainda cria poesia. O que seria da sobrevivência na arte, sem o socorro de quem cria? A ordem exige a ação de presença de coisas ausentes (Paul Valery), que Romeiro Rômulo recolhe e, em Per Augusto & Machina, nos faz beber o leite negro da aurora (Paul Celan) no que cria com maestria de craque poeta.
    -0-

    Silas Correa Leite – Poeta, Ficcionista, Ensaísta
    Estância Boêmia de Santa Itararé das Artes/Samparaguai, Brasil
    E-mail: poesilas@terra.com.br
    Livros Porta-Lapsos, Poemas e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, à venda no site: http://www.livraricultura.com.br
    Site: http://www.portas-lapsos.zip.net

    Resposta
  • 5. Encantos  |  14 março, 2011 às 6:00 am

    de facto, romério rômulo, tu és grande!
    esta tua série das “musas”, está fantástica!
    impossível dizer qual das séries é melhor que a outra, já que todas diferentes e todas elas fabulosas!
    vou fazendo teus livros ;), aqui, neste meu recanto…
    … e são momentos de prazer os que passo relendo-te a quando dos meus intervalos.
    beijo.

    Resposta

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