a fala do Freud

27 fevereiro, 2011 at 4:22 pm 5 comentários

eu namoro uma donzela
que só me fala do Freud
pra chegar mais perto dela
eu tomo muito alcalóide

digo que sou poesia
camarada do Adelzon
e um certo Carlos Scliar
fez meu retrato em crepom

meu parceiro Rufo Herrera
o pai do bandoneon
tocou tango em frigideira
só pra provar que eu sou bom

se alguém me dá um fora
e eu fico fora de mim
o Nassif vem na hora
armado com o bandolim

se a vida me descamba
e o meu corpo se enrola
Caçula me toca um samba
pelas regras do Cartola

o poeta Tião Nunes
um homem que é só amor
beija os meus versos impunes
como se beija uma flor

na fala do Manuelzão
meu companheiro de prosa
eu descrevi o sertão
muito melhor do que o Rosa

Hélio Delmiro vai fundo
só por ser um meu amigo
e Deus quando vem ao mundo
só vem pra falar comigo

se a moça não me concede
e eu tenho de saber Freud
ela manda, não me pede
mas vou tomar alcalóide.

romério rômulo

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sujo, feio, maldito trago meu cavalo doido

5 Comentários Add your own

  • 1. gisela  |  27 fevereiro, 2011 às 5:45 pm

    Um abraço Romério.
    Muito bom ler sua escrita!!

    Responder
  • 2. Mirze Souza  |  27 fevereiro, 2011 às 5:54 pm

    Romério!

    Como você sofre. poeta! Se Carlos Scliar fez seu retrato em papel crepon, é porque você merece,
    Se Rufo Herrera, pai do bandoneon, toca tango em frigideira é porque você é bom na dança, e ele um gênio.
    Se Deus quando vem ao mundo, fala com você, só porque você é seu amigo, é porque sua ficha é limpa e sua carta está marcada nos reinos.

    Fale com a moça primeiro, alcalóide é perigoso, faz mal ao sistema nervoso central. Faça reza e alquimia, jejum de dez dias, deixa a moça ler o Freud, mas não tome alcalóide.

    O Rosa já sabe que tem quem o substitua e o poeta não pode negar aos seus seguidores outros poemas do boi.

    Jura que não toma alcalóide?

    Cômico, mas sensacional!

    Romério, aplausos!

    Beijos

    Mirze

    Responder
  • 3. Marcelino Cutrim  |  10 março, 2011 às 10:48 am

    Tenho uma predileção por esses versos heptassílabos, trazem um gosto do popular, do tirocínio da sabedoria popular, em suas rimas rápidas e certeiras. Ficou muito bom

    Responder
  • 4. Rejane Martins  |  11 janeiro, 2014 às 9:07 pm

    …a dona desta imagem, meu amigo [deixa te lembrar d’algo, se é que eu posso te chamar de amigo] – https://www.facebook.com/photo.php?fbid=509418942405135&set=pb.100000111006454.-2207520000.1389483644.&type=3&theater – não sabe o que fazer com ela; eu postei isso hoje, mas você não quis ver: a vida tem destas acontecências, meu querido Moacy Cirne, a comunicação em quadrinho, ou a falta dela, em 2010, o brasileirão com o flu e a libertadores do inter, …tanto mar proibido, chê, tantos poemas com mudanças de rumo e letra, em processos de revolução – e foi bonita tua festa e eu fiquei contente – gracias por tua vida, porque nós continuamos, nós vamos, nós fomos, nós fumos: teu cachimbo confundido, teu elefante da ilha patagônica latino-americana – sim, esta terra ainda vai cumprir seu ideal – ver, víamos, asávamos, voávamos, desenhávamos mais um ponto na carta do universo e veríamos ainda mais proibido assunto. http://youtu.be/1eRakHFAfLk ,nem ela, nem você, sim, eu não tenho deus, não sei fazer rimas rápidas nem certeiras, mas reconheço vermelho, ora essa!

    Responder
  • 5. Rejane Martins  |  12 janeiro, 2014 às 7:21 am

    …a dona desta imagem, meu amigo [deixa te lembrar d’algo, se é que eu posso te chamar de amigo] – https://fbcdn-sphotos-d-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc3/s720x720/530121_509418942405135_1378690267_n.jpg – não sabe o que fazer com ela; eu postei isso hoje, mas você não quis ver: a vida tem destas acontecências, meu querido Moacy Cirne, a
    comunicação em quadrinho, ou a falta dela, em 2010, o brasileirão com o flu e a libertadores do inter, …tanto mar proibido, chê, tantos poemas com mudanças de rumo e letra, em processos de revolução – e foi bonita tua festa e eu fiquei contente – gracias por tua vida, porque nós continuamos, nós vamos, nós fomos, nós fumos: teu cachimbo confundido, teu elefante da ilha patagônica latino-americana – sim, esta terra ainda vai cumprir seu ideal – ver, víamos, asávamos, voávamos, desenhávamos mais um ponto na carta do universo e veríamos ainda mais proibido assunto. http://youtu.be/1eRakHFAfLk , nem ela, nem você, sim, eu não tenho deus, não sei fazer rimas rápidas nem certeiras, mas reconheço vermelho, ora essa!

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