a casa da minha infância (para luis nassif)

17 dezembro, 2010 at 7:11 am 5 comentários

1.
a casa da minha infância
nunca foi casa qualquer
tem mocinho, tem bandido
uns cantos cheio de medo
uns estados de martírio
medos de deus que se mostram
umas velas choradeiras
da vida que se ilumina
nos seus olhares já mortos
da minha casa vazia.
o pai e a mãe são momentos
de estender as mãos e ver
que certas artes das coisas
se fizeram por inteiro.
quanto de mim vejo agora?
quanto de cada manhã
eu vivi, torridamente.
sem saber, naquela casa
me carrego como um todo.
outros olhos, mais lavrados,
finco no tempo e meu corpo
se perde num tempo oco
quando a mão se esvai, somente
a encontrar cada noite
onde o gosto da lembrança
é um santo protetor
onde um pássaro de fogo
me revelou quem sou eu.

2.
quanto de água ainda bebo
desta casa, destes quartos
se tudo se sabe em mim
em trapos que são do tempo.
a casa sobrou num canto
da memória destilada
do vinho desengonçado
que fala de mim em tudo.

3.
as pedras que me sobraram
os muros que me pariram
todos eles guardei, todos
no meu corpo permanente.

4.
a dicção da paisagem
chega inerte
toda a sonoridade
verte, verte.

romério rômulo

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matisse, fera falta

5 Comentários Add your own

  • 1. Mirze Souza  |  17 dezembro, 2010 às 9:09 am

    MARAVILHA, Romério!

    Um poema “noir” onde a memória não deixa nada escapar, e vai restituindo ao corpo aquilo que foi vivido com tanta intensidade que verte,

    Brilhante!

    Beijos

    Mirze

    Responder
  • 2. gisela  |  17 dezembro, 2010 às 7:14 pm

    Adorei Romério. Abraço

    Responder
  • 3. gisela  |  17 dezembro, 2010 às 7:14 pm

    Adorei Romério.

    Abraço

    Responder
  • 4. Ana Cecília  |  18 dezembro, 2010 às 8:36 am

    Belíssimo poema. Um abraço, poeta!

    Responder
  • 5. Martha  |  19 dezembro, 2010 às 1:35 pm

    bonito, Rômulo. CASA pra mim é uma palavra cheia de significados e significantes. Colada em minha alma.

    Responder

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