3 de janeiro de 1898

12 dezembro, 2010 at 4:59 pm 3 comentários

1.
pois saibam, meninos, hoje
luis carlos vai nascer.

2.
nascido, prestes conta as dores
dos desiguais na vida, dos sedentos,
dos famintos de esperança e trato.
sua luz do olho vê, em cada passo
o refazer das manhãs de um país.

tumultos são contidos nestas mãos
que só revelam sua face justa
quando umas forças violentas pulsam
no lá fora da vida desmontada.

quantos dentes nos faltam nos limites
da grande pindorama que nos coube?
quantos calos nos sobram nas montagens
de umas lavouras que enriquecem ricos?

por tudo se revela cavaleiro
da esperança em mãos que o contêm
na forma que conter um corpo é
estar liberto das amarras podres.

“eu sou aquele, cavalo e cavaleiro,
que foi montado na rede do patrão
e só tocou riqueza pelas mãos
do fazer contínuo, sem podê-las.

eu sou aquele, cavalo e cavaleiro
que se move no travo do país
arrancando da terra uma raiz
que será alimento permanente.”

(do livro inédito “carlos, carlos & manuel”)

romério rômulo

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“o mundo vai morrer de água e sangue” “romper-me mutilado dos cangaços”

3 Comentários Add your own

  • 1. Mirze Souza  |  12 dezembro, 2010 às 6:35 pm

    Romério!

    Um poema surpreendente datado no mesmo ano do nascimento da minha avó. É incrível o desenrolar do poema.

    Foi Luis Carlos, poderia ser qualquer um de nós, que certamente também naquela época, como agora, somos famintos de trato.

    As duas últimas estrofes eu ressalto como a imagem desse nosso povo sofrido:

    “eu sou aquele, cavalo e cavaleiro
    que se move no travo do país
    arrancando da terra uma raiz
    que será alimento permanente.”

    Parabéns, poeta!

    Aplausos!

    Beijos

    Mirze

    Resposta
  • 2. líria porto  |  17 dezembro, 2010 às 9:03 am

    prestes a cair
    o velho se levantava
    plantava rosas vermelhas

    olgas

    (líria porto)

    Resposta
  • 3. Kátia Campos  |  31 dezembro, 2010 às 12:38 am

    Curiosa, depois do papo de hoje, é claro que vim logo conferir o blog. E este é meu favorito provisório, muito embora tenha tido enorme consideração pelo seu rômbico sapo. Pensei naqueles amuletos de jade, sei lá porque. Uma referência mineral, eu acho. E me dou conta, que conversamos ao pé do Vandico, ao pé da casinha imaginária e salgada do alferes, vizinho de parede dos amores de Cláudio, exatamente ali. (Um dia desses te conto sobre um comovente testamento que descobri nos arquivos). Enfim, percebo que passei um tempo inusitado, apanhada de surpresa, entre poetas e heróis, que só agora se encerra com a senha perfeita para mais um primeiro dia. Esperança? Um abraço, Kátia

    Resposta

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