“eu que já fui cavalo e cavaleiro”

6 agosto, 2010 at 8:55 am 7 comentários

 

eu que já fui cavalo e cavaleiro
rangi os trapos num cerrado chucro,
pavoneei às feras meus intentos,
sofri imensidões como se gotas.

cavalo e cavaleiro que já fui
por anos repisados de novilhos
brandi os versos como fossem trilhos
de intensa solidão. agora rui

o meu intento de quixote e sancho
ter uma dulce, marília, o que me leva
a ser cavalo, cavaleiro e treva
pelos adros das ilhas que não sei.

eu que já fui cavalo e cavaleiro
de tronos abissais em que entorpeço
arranco os estilhaços de um berreiro
e me destravo, nu, no meu avesso.

cavalo e cavaleiro fui.
cavalo, cavaleiro e rei.

romério rômulo

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” vejam bem ” ( para zeca afonso ) Romério Rômulo: uma poética implacável

7 Comentários Add your own

  • 1. José Inácio Vieira de Melo  |  6 agosto, 2010 às 10:10 am

    O teu centauro (“eu que ja fui cavalo e cavaleiro”) tem um ritmo vibrante e leva às paisagens primevas do meu delírio. Lindo poema. Bravo!

    JIVM

    Responder
  • 2. Itaerci  |  6 agosto, 2010 às 10:23 am

    Amei, me emocionei, me achei. Amo tudo oque se relaciona com cavalos, campo etc..Posso copiar e colocar no meu blog? tenha dias felizes. Abreijos.

    Responder
  • 3. Mirze Souza  |  6 agosto, 2010 às 10:41 am

    Perfeito, Romério!

    Poema assim, sempre à frente do tempo!

    “e me destravo, nu, no meu avesso”!

    Aplaudo de pé!

    Um forte abraço!

    Mirze

    Responder
  • 4. Georgio Rios  |  6 agosto, 2010 às 12:50 pm

    uma ode me perfeita armonia com os varedos da poesia.

    Responder
  • 5. Wellitania Oliveira  |  9 agosto, 2010 às 9:17 pm

    Obrigada por compartilhar! Sua poesia transporta-me a um cenário de sertão… Neste poema percebe-se a construção minuciosa e sugestiva de imagens, que por meio dos elementos descrevem um ser cansado e triste. Todo o poema reflete um passado de glória e decadência na vida do eu lírico, O simbolismo das palavras “cavalo e cavaleiro” encontram paralelo nos vocábulos “tronos e rei” que ambos indicam poder, fartura, felicidade dos quais o eu lírico não goza mais. As expressões “solidão” e “estilhaços” simbolizam um corpo novo degradado pela vida, transformado no ‘avesso’. É sem dúvida uma bela reflexão sobre a vida que todos nós, de alguma forma, vivemos. Mais uma vez, obrigada por compartilhar!

    Wellitania Oliveira

    Responder
  • 6. Ana  |  15 agosto, 2010 às 10:54 am

    Poema excelente.
    Bj

    Responder
  • 7. Nivia de Oliveira Castro  |  3 setembro, 2010 às 11:45 pm

    Oi Romério.

    Que maravilha! Fiquei encantada, não resisti e fui implacável com a sua poética, sem pedir licença: rebloguei, pronto, foi isso, tomei coragem e contei. Desta vez não foi na minha velha “casa” de campo, mas no “apto” novo, da cidade.Também, né, você ia saber de qualquer jeito pelos danados dos ping backs… rsrsrs.

    Bjs, Nivia

    Responder

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