menino, menina

8 março, 2010 at 4:48 pm 7 comentários

1.
o teu caudal de rua, a veemência do corpo
em ser faminto. o olho branco de osso,
um hábito de aranha, ralo de fomes.
tua emenda, fisga de impropério,

corpo lavado de esgoto, rasgo selvagem da boca.
uma boneca em cascalho te cinge o rosto.
um caminhão de rumos te afasta vida.

2.
quanto homem, mulher, se mata no teu antro?
pétala mordida de chão, um lábio solto

no ar, resvalam prumos.

(menino, menina)

 

[Per Augusto & Machina]

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manga, uma oval trato

7 Comentários Add your own

  • 1. Moacy Cirne  |  9 março, 2010 às 6:54 am

    Muito bom, rapaza,
    muito bom:
    as essencialidades poéticas.

    Um abraço.

    Responder
  • 2. Moacy Cirne  |  9 março, 2010 às 6:57 am

    Ah, meu caro,
    a pressa é inimiga da perfeição,
    já diziam os nossos bisavós:
    onde se lê “rapaza” leia-se, claro,
    “rapaz”.

    Outro abraço.

    Responder
  • 3. Moacy Cirne  |  9 março, 2010 às 7:01 am

    Ah, meu caro,
    a pressa é inimiga da perfeição,
    já diziam os nossos bisavós:
    onde se lê “rapaza” leia-se, claro,
    “rapaz”.

    Outro abraço.

    PS –
    Não, o comentário não está repetido,
    oh triste tecnologia sem humor,
    pode publicar o meu novo comentário.
    Não se trata de repetição,

    Responder
  • 4. Beta  |  9 março, 2010 às 10:18 am

    Esse poema atesta um desejo que venho postergando: ler seu livro. Beleza e revolta, a dor e espanto de quem entende o que ser multidão!

    Responder
  • 5. líria porto  |  9 março, 2010 às 10:26 am

    muita vez não alcanço a tua poesia – e assim, na ponta do pé, estendo os dedos – como se fora pegar uma estrela…

    besos

    Responder
  • 6. Decio Bettencourt Mateus  |  10 março, 2010 às 8:42 am

    Em “menino, menina”, curiosamente, RR deixa-nos perceber facilmente a mensagem por detrás da sua forte poesia. Nem sempre assim acontece. Mas aqui acontece. E acontece também não haver perda de beleza poética, felizmente, num interessante e hábil equilíbrio.

    Responder
  • 7. Adélia Carvalho  |  19 março, 2010 às 12:24 am

    Não sei com que cuidado escolhe suas palavras, se se obriga lapidar frase por frase dias, semanas, meses; ou se elas pulam das suas vontades assim sem saber como, numa intuição feroz; só sei que em mim elas chegam intensas, fortes e sinto que não podiam ser outras ali, sinto que coloca cada palavra certo, no lugar exato e preciso. E vou me encantando sem fim…Abraços.

    Responder

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