lamber-de

3 fevereiro, 2010 at 5:53 pm 8 comentários

 

1.
-vou me lamber de vento.
a tralha do corpo se refere ao múltiplo
estado transformado.
quando noite, somos velados por nossas pedras,
matrizes, nosso osso de espanto, nosso arregalar
de infernos.

2.
-vou me lamber de terra.

a lama embevecida das almas confere seu rito
de eva transformada. adão se estarrece
em simulacros. pouco sobra dos homens.
quando, terra, irei rever teus músculos?
quando, terra, terei dos teus unguentos?

3.
-vou me lamber de água.

o líquido pomposo se me estampa
favorece olhos. o apagar do tempo
está contido. cada gota de corpo
lambe sua última sílaba.

4.
-vou me lamber de fogo.

queimo-te, fogo, como me queimas,
polpa que se encarece em revides.
o tempo se nutre de ventre
e sobras.
o céu se fermenta em tuas línguas
quando a pele da vida corre
em veias.
as últimas aranhas percorrem teu rescaldo.

(lamber-de)

[Per Augusto & Machina]

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moer todo o corpo merda no teu pelo

8 Comentários Add your own

  • 1. A. Zarfeg  |  4 fevereiro, 2010 às 8:17 am

    Romério:

    Felizardos, como eu, estão se deliciando com os poemas de Per Augusto & Machina. Aos poucos, homeopaticamente, mineiramente (ou seria baianeiramente?). Porque, em exesso, isso pode matar. Já dizia José Paulo Paes. Abraços. A. Zarfeg

    Responder
  • 2. Adriana Godoy  |  4 fevereiro, 2010 às 10:37 am

    Quatro elementos, quatro lambidas, quatro gozos. Maravilhoso poema. beijo.

    Responder
  • 3. Ana  |  4 fevereiro, 2010 às 7:38 pm

    Felizes mesmo os que têm o teu livro completo…
    bj

    Responder
  • 4. Hercília Fernandes  |  4 fevereiro, 2010 às 9:26 pm

    Belo poema bachelardiano, Romério.
    Vim me lamber destes [bons] elementos.

    Beijos,
    H.F.

    Responder
  • 5. AJ  |  4 fevereiro, 2010 às 11:00 pm

    Poema raro para deleites ocasionais.

    Responder
  • 6. Natália Nunes  |  5 fevereiro, 2010 às 1:00 pm

    sensacional, romério!

    Responder
  • 7. Moacy Cirne  |  6 fevereiro, 2010 às 7:47 am

    Meu caro,
    você hoje está no Balaio.
    Duplamente, pra falar a verdade.

    Um abraço.

    Responder
  • 8. Adélia Carvalho  |  15 fevereiro, 2010 às 12:04 pm

    Esse lamber-se dos elementos, cria e recria imagens supreendentes. Adorável. Abraços.

    Responder

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