todo sertão é um caldo de tortura

16 janeiro, 2010 at 4:06 pm 6 comentários

o meu pecado é válido, se podre
arranca luzes da cidade alta.
qualquer amante à noite se refaz
deixando a güela ressarcir desejos.

e quando mães, estacas, se filiam
às quadras do delírio permanente?

se, à noite, piso infernos e bordéis
é que um destino vago me repisa.
somos filhotes desta dor e medo.
somos filiados à mazela rústica.

quanto de podridão varreu-me sempre
se só o acaso dedilha meus olhares?

sou vil filhote desta dor e medo.

(todo sertão é um caldo de tortura)

[Per Augusto & Machina]

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ave! da tua solidão

6 Comentários Add your own

  • 1. Ana  |  16 janeiro, 2010 às 8:18 pm

    O sertão marca e eu nem imagino porquê…tão distante é a minha realidade, mas lendo o teu poema sinto verdadeira emoção estética.
    bj

    Responder
  • 2. líria porto  |  17 janeiro, 2010 às 7:16 pm

    ser tão forte com as palavras é um dom – tu o tens, romério!!
    besos

    Responder
  • 3. Graziele  |  18 janeiro, 2010 às 10:21 am

    Obrigada pelo aparecimento Romério 🙂
    O texto.. tuas palavras fazem com que se possa sentir a realidade do que é o sertão, mesmo quando não se tem idéia.
    Muito bom 🙂

    Beijos

    Responder
  • 4. nina rizzi  |  18 janeiro, 2010 às 1:58 pm

    caramba, romério… e eu aqui, na lan house, completamente atordoada com isso, tão ser tão.

    um beijo.

    Responder
  • 5. Janaina Amado  |  19 janeiro, 2010 às 4:10 pm

    Desde que li em seu seu livro, eu, que sou apaixonada pelo tema do sertão, não me esqueço. Você tem toda razão, Romério:
    “todo sertão é um caldo de tortura”. Abraço!

    Responder
  • 6. Meg  |  20 janeiro, 2010 às 3:03 pm

    Romério,

    Ah… esse sertão que tu nos mostras… sempre tão apelativo!
    Braveza e delírio… quem sabe um dia…

    Beijo
    meg

    Responder

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