arrancar da tua nuca

14 dezembro, 2009 at 11:36 am 10 comentários

eu tenho que arrancar da tua nuca
a vaga decisão de ser meu corpo
o elo de teu ventre com a terra.

devo extirpar o gesto adquirido
num, por somenos, ato reticente
de ver distância de mim ser teu intento.

quando as valas mostrarem nosso rumo
quando as formigas resvalarem atos
de um só ser em nós se validar

vou te mostrar a minha mão candente
meu corpo todo ele enluarado
e o meu dente podre de manhã.

há de sobrar de nós-o quê? –só torpes
rasgos de vento no olho do tufão.

a pura pedra me diz: quando fui homem?

(arrancar da tua nuca)

[Per Augusto & Machina]

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Entry filed under: Per Augusto & Machina, Uncategorized.

avalio-te o termo cândidos, um sopro

10 Comentários Add your own

  • 1. Mariana Botelho  |  14 dezembro, 2009 às 4:10 pm

    adoro esse poema.

    Responder
  • 2. assis freitas  |  14 dezembro, 2009 às 4:22 pm

    Poemaço, cara. Sem senões.

    Responder
  • 3. Ana  |  14 dezembro, 2009 às 6:43 pm

    Forte, como sempre!
    bj

    Responder
  • 4. J.F. de Souza  |  14 dezembro, 2009 às 7:47 pm

    Excelente!

    1[]!

    Responder
  • 5. Roberto Lima  |  14 dezembro, 2009 às 11:57 pm

    Romero,
    arrancou em mim mais que dois arrepios.
    Esses poetas de Felixlândia…
    Rapaz, e eu que já era seu fã.
    Abração do
    Roberto.

    Responder
  • 6. Adriana Godoy  |  15 dezembro, 2009 às 10:46 am

    arrancou da nuca e fez tremer as palvras. muito bom, RR, um poema de arrebentar, no bom sentido…

    Beijo.

    Responder
  • 7. nina rizzi  |  17 dezembro, 2009 às 1:32 pm

    são versos assim que me fazem amar ainda mais a terra. vontade de engolir sementes e parir poesia.

    sim, tou a esperar meu livro, visse! :p

    um beijo

    Responder
  • 8. Graça Pires  |  18 dezembro, 2009 às 4:31 pm

    Um belo poema.
    Beijos.

    Responder
  • 9. Adriano Nunes  |  18 dezembro, 2009 às 9:12 pm

    Romério,

    Outra pérola! Muito bom!

    P.s.: queo saber como faço para adquirir um exemplar do seu belo livro!

    Grande abraço,
    Adriano Nunes.

    Responder
  • 10. gisela Rosa  |  7 fevereiro, 2010 às 10:55 am

    “eu tenho que arrancar da tua nuca
    a vaga decisão de ser meu corpo
    o elo de teu ventre com a terra.”

    Belíssimo Romério, forte! Abraço meu

    Responder

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