quando nasci

19 setembro, 2009 at 8:19 am 18 comentários

1.
quando nasci
uns bêbados diziam de eu ser cavalo,
um porco do cerrado,
um cachorro do mato.
bebi todos os copos que me abriram,
resvalei nas puras tempestades,
interpretei o ranço do silêncio.

bastardo da vida, fiz sobrar meu rasos.

2.
os rios me interrogaram de águas,
rasgaram minha garganta de luzes.
quantos peixes nadaram minha cara de cão?
mesmo plantas, do mato todas, se disseram de mim.
sobrou – da memória- a solidão vazada.

(( do livro Per Augusto & Machina ))

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18 Comentários Add your own

  • 1. Moacy  |  19 setembro, 2009 às 11:14 am

    Mais um belo poema, meu caro.
    Com a sua marca. Com o seu estilo.
    Com a sua força.
    Afinal,
    quando será lançado o livro?

    Um abraço.

    Responder
    • 2. Romério Rômulo  |  25 setembro, 2009 às 11:41 am

      moacy:
      discretamente o livro já está na rua.
      um abraço.
      romério

  • 3. Janaina Amado  |  19 setembro, 2009 às 7:53 pm

    Este poema é magnífico, Romério. Obrigada por ele.

    Responder
    • 4. Romério Rômulo  |  25 setembro, 2009 às 11:42 am

      janaína:
      eu me esforço. obrigado.
      romério

  • 5. Beta  |  20 setembro, 2009 às 12:07 am

    É preciso sabê-la: solidão. Nas graduações todas de uma vida, até o não sei onde que cala.

    “Bastardo da vida, fiz sobrar meus rasos”.

    Só é possível porque mergulha no assombro.

    Viver e seus vários nascimentos.

    Ah, e as imagens estupendas.

    Bjo,

    Responder
    • 6. Romério Rômulo  |  25 setembro, 2009 às 11:43 am

      roberta:
      a sua fala estimula sempre. um beijo.
      romério

  • 7. Meg  |  20 setembro, 2009 às 7:36 am

    Romério,

    Já não me espanta a força telúrica das tuas palavras inconfundíveis .
    Também eu espero ansiosamente pot este teu novo livro.

    Um beijo
    meg

    Responder
    • 8. Romério Rômulo  |  25 setembro, 2009 às 11:45 am

      meg:
      obrigado. o livro já caminha pelas ruas. discretamente, como sempre.
      um beijo.
      romério

  • 9. marco aurelio  |  23 setembro, 2009 às 10:41 am

    Foi para os favoritos! Parabéns pelo trabalho.

    Responder
    • 10. Romério Rômulo  |  25 setembro, 2009 às 11:47 am

      marco aurélio:
      vou acompanhar as suas avaliações. muito obrigado.
      romério

  • 11. fernando  |  23 setembro, 2009 às 11:23 am

    Obrigado pela visita.
    Como tenciono passar o mês de Dezembro em Muriu perto da Natal queria aproveitar para me actualizar com a moderna literatura brasileira que tivesse o nível Raduan Nassar. Pode-me ajudar?
    Coloquei-o nos meus favoritos. Cid Simões (Azambuja/Portugal)

    Responder
    • 12. Romério Rômulo  |  25 setembro, 2009 às 11:48 am

      cid:
      veremos isso por e-mail. um abraço.
      romério

  • 13. Lou Vilela  |  30 setembro, 2009 às 9:19 pm

    Passando para atualizar a leitura a qual, vale salientar, é sempre um prazer.

    Beijos,
    Lou

    Responder
    • 14. Romério Rômulo  |  8 outubro, 2009 às 11:22 pm

      meu agradecimento atrasado.
      um beijo.
      romério

  • 15. Namibiano  |  3 novembro, 2009 às 7:10 am

    Romério,
    Gostaria de publicar este poema no meu outro blogue “Cores & Palavras”, posso? Com os devidos créditos é claro.
    Estou fazendo um link para Ondjira Sul, também.
    Kandandu

    Responder
    • 16. Romério Rômulo  |  14 janeiro, 2010 às 6:16 pm

      namibiano:
      publicado o poema, te agradeço.
      um grande abraço.
      romério

  • 17. Iara Carvalho  |  14 janeiro, 2010 às 12:51 pm

    Nossa, que poesia mais doce. Que aridez fluida, sentidos indescritíveis.

    Te encontrei através do Roberto Lima e agora me pergunto: onde eu estava que nunca te tinha lido/visto/ouvido/sonhado? (sentidos indescritíveis).

    Te lerei mais e sempre.

    Beijos…

    Responder
    • 18. Romério Rômulo  |  14 janeiro, 2010 às 6:18 pm

      iara:
      a poesia aqui vai continuar. chegue sempre.
      um beijo.
      romério

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