24 junho, 2009 at 8:16 am 10 comentários

e tal beleza flui teu corpo cru
que nego-me a revê-la de manhã.
a tua assaz tamanha reticência
é um valor de ossos, todo então.

cabe dizer-te cada coisa nua
que a amplidão da fala me apavora.
se te contemplo, dizes-me mistério
se te revelo, nada me revela.

tanta beleza soa falsa e dela
arranco meu tropeço, minha noite.
a goela se apavora, a nua cara
de visgo, teu passo de cadela.

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Entry filed under: Matéria Bruta.

levantar poço e água

10 Comentários Add your own

  • 1. nina rizzi  |  24 junho, 2009 às 10:19 am

    toda beleza soa falsa.
    a beleza é triste tamanho o conceito.
    as noites vem, vão esperanças nuas
    cios e pavores (vãos?)
    : ficam os mistérios,
    os tropeços.

    que belíssimo poema, meu caro.
    beijo 🙂

    Responder
  • 2. Moacy Cirne  |  24 junho, 2009 às 10:57 am

    Pô, cara, parece-me um de seus melhores poemas: enxutez verbal em larga escala.

    Abraços.

    Responder
  • 3. Beta  |  24 junho, 2009 às 7:20 pm

    Qdo passo muito tempo sem vir, seus versos me faltam como uma saudade. O bom é que posso saciá-la. Por isso não me estenderei nem em elogio nem em palavras. Usarei o tempo para o melhor, sorver os versos que perdi. Um bjo.

    Responder
    • 4. Romério Rômulo  |  24 junho, 2009 às 8:16 pm

      beta:
      obrigado,sempre.
      um beijo.
      romério

  • 5. Romério Rômulo  |  24 junho, 2009 às 8:12 pm

    nina:
    toda beleza soa falsa e dela
    arranco meu tropeço,minha noite.
    obrigado.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 6. Romério Rômulo  |  24 junho, 2009 às 8:14 pm

    moacy:
    se caicó fala,ouro preto fica em silêncio.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 7. Nydia  |  24 junho, 2009 às 10:57 pm

    RR
    quando a beleza soa falsa e não se revela… não é beleza.
    mas este poema É uma beleza, verdadeira e escancarada…
    beijo

    Responder
  • 8. Lou Vilela  |  26 junho, 2009 às 11:54 am

    “cabe dizer-te cada coisa nua
    que a amplidão da fala me apavora”

    … e nos silencia!

    Belíssimos versos, meu caro!

    Abraços!

    Responder
  • 9. líria porto  |  27 junho, 2009 às 7:54 pm

    dizer o quê?? frente ao belo, faz-se reverência – e só.

    Responder
  • 10. Natália Nunes  |  12 agosto, 2009 às 4:56 pm

    nua ela, um mistério, nunca.
    belo!

    ah, obrigada pela presença nos meus dois blog, romério.
    claro que gosto 😀

    abraço!

    Responder

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