abertura, 1 *

18 junho, 2009 at 2:58 pm 21 comentários

1. é louco ser solene.
é lúcido ser louco!

2. se tenho, como última morada
o som caleidoscópico da vida
carrego matrizes, almas sombreadas.

3. meu coração de cavalo, meu ato de terra
surrado dos demônios, ímpio em desvario.

4. quando surgi de mim, fiquei varrido.
e meu estado de coisa correu solto!

5. qualquer ambigüidade tem um tônus
que corta toda a alma pelo avesso!

6. a dor fecunda das hostes:
vou retomar meus laços com a vida.

 

*Inédito – do livro “Per Augusto & Machina”, a ser lançado brevemente

Anúncios

Entry filed under: Inéditos.

só o tempo desliza levantar poço e água

21 Comentários Add your own

  • 1. Mirse Maria  |  18 junho, 2009 às 5:30 pm

    Belíssimo, Romério!

    Os loucos trazen en si a solene lucidez que abstrai os sentidos dos que se dizem sãos.

    Espero ter um pouco de loucura para solenemente retornar meus laços com a vida.

    Bravíssimo!

    Beijos

    Mirse

    Responder
    • 2. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 11:51 am

      mirse:
      obrigado pela presença e pelas palavras.
      um abraço.
      romério

  • 3. Ana  |  18 junho, 2009 às 5:33 pm

    «a dor fecunda das hostes:»
    És de uma expressividade pungente, extraordinária.
    beijo

    Responder
    • 4. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 11:52 am

      ana:
      o que responder?
      um beijo.
      romério

  • 5. Janaina Amado  |  18 junho, 2009 às 5:40 pm

    Que bom, poeta, que voltou – e com um poderoso inédito! O poema todo é ótimo, mas o número 2… especial!

    Responder
    • 6. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 11:53 am

      janaína:
      a demora foi por estarmos a cuidar do próximo livro.
      romério

  • 7. Janaina Amado  |  18 junho, 2009 às 5:43 pm

    PS – A Vivina entrou em contato? Ele viu um comentário seu lá no blog, queria saber se você é você mesmo, velho amigo dela… Remeti-a aqui para o blog.

    Responder
    • 8. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 11:56 am

      janaína:
      a vivina e o gilberto eram pessoas que eu buscava.de repente,
      pelo seu blog,me chega a vivina.já trocamos endereços.
      muito obrigado.
      romério

  • 9. Moacy Cirne  |  19 junho, 2009 às 11:05 am

    Poema ótimo: fecundo. Quando será o lançamento do livro?

    Um abraço.

    Responder
    • 10. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 11:59 am

      moacy:
      o livro está em processo final.o tião nunes agora é quem dita os ritmos,pois o homem de sabará é quem faz o objeto.
      um grande abraço.
      romério

  • 11. líria porto  |  19 junho, 2009 às 12:25 pm

    romério – te leio, imagino-te a esculpir estes pensamentos, a transformá-los em imagens de pedra sabão! seria a influência de ouro preto, de aleijadinho, tão grande assim??
    besos

    Responder
    • 12. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 12:35 pm

      líria:
      isso é mistura de montanha e planura,barroco e sertão.o aleijadinho e o manuelzão são fortes.
      um beijo.
      romério

  • 13. nina rizzi  |  19 junho, 2009 às 12:28 pm

    eu gosto dessas coisas todas
    desvarios, loucuras, solenidades, almas, laços, avessitudes,
    cavalos então…
    mas gosto mesmo é desse jeito que vc arranja as apalvras-coisas. massa 🙂

    beijo.

    Responder
  • 14. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 12:37 pm

    nina:
    dos cavalos tenho todas as lembranças.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 15. Nydia  |  19 junho, 2009 às 1:02 pm

    RR
    Pela abertura, podemos imaginar o que vem depois… Amei o o “tônus das ambiguidades”…
    beijo

    Responder
    • 16. Romério Rômulo  |  19 junho, 2009 às 7:40 pm

      nydia:
      as ambiguidades são muitas.
      um beijo.
      romério

  • 17. Roberto Locatelli  |  21 junho, 2009 às 4:59 pm

    Ah, a libertação de ser louco.
    E a dor de ser normal.

    Responder
    • 18. Romério Rômulo  |  21 junho, 2009 às 6:23 pm

      locatelli:
      aí estão as dúvidas.
      um grande abraço.
      romério

  • 19. Beta  |  24 junho, 2009 às 7:33 pm

    Compartilho de fantasiar com a líria, que te lê e te imagina esculpindo tais pensamentos. A alusão é ótima ao trabalho árduo em pedra e sabão. Há muita beleza aqui, porque há em ti. Seu verso tem uma pureza instintiva, os que mais me chegam e me comovem. Dor sem mágoa, auto-consciência assombrosa. E o resultado estético de tanto sentimento é impressionante. Acabei por me estender em elogios e palavras..rs

    Responder
  • 20. Romério Rômulo  |  24 junho, 2009 às 8:08 pm

    beta:
    não há o que dizer.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 21. Pedro Lobato Pinto de Moura  |  5 agosto, 2009 às 8:48 pm

    é belo!

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Feeds

junho 2009
S T Q Q S S D
« maio   jul »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

RSS Fênix em Verso e Prosa

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

%d blogueiros gostam disto: