as putas

17 maio, 2009 at 7:17 am 14 comentários

as putas surgem na manhã, encruzilhadas
de corpo e ato, verdade que refreia
o noturno das almas.
cada corpo e olho trazem demandas
impulsionadas nas veias.
muitas extirpam a dor. outras, dor
já amada, fazem daquilo seu tempo.
e a mulher é lava adolescente.
se vista à necessária distância
seu pulso vive como antro de larva
em repulsa da mão que lhe percorre.

dilaceradas, lhes sobra um mundo vesgo.

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(intima, sua luz refrega substância.) bagagem

14 Comentários Add your own

  • 1. Twitted by romerioromulo  |  17 maio, 2009 às 8:25 am

    […] This post was Twitted by romerioromulo – Real-url.org […]

    Responder
  • 2. Bruna Mitrano  |  17 maio, 2009 às 2:20 pm

    “um mundo vesgo”…
    Tão forte. Tão bonito.

    Responder
  • 3. Moacy  |  17 maio, 2009 às 5:54 pm

    A precisão de sempre:
    rigor em forma de poesia.

    Um abraço.

    Responder
  • 4. Lou Vilela  |  18 maio, 2009 às 8:27 am

    Imagem atentamente observada e bem construída, meu caro. A realidade fere pela rudeza e gera olhares vesgos.

    Abraços,
    Lou

    Responder
  • 5. líria porto  |  18 maio, 2009 às 9:11 am

    sempre amei as putas – desde os tempos remotos, quando, menina, morava perto de um bordel – era lá que buscávamos bambu para as pipas, escondidos de nosso pai… e elas eram lindas, coloridas – eu queria ser puta! não fui por incapacidade… risos

    (teu poema me instigou, deixei no meu blog uns versos pra elas)

    besos

    Responder
  • 6. Yvy  |  18 maio, 2009 às 11:58 am

    Estou amando seu Matéria Bruta. Aborda o que alguns intelectuais hipócritas, escondem mas vivenciam …

    Responder
  • 7. Silêncio Culpado  |  18 maio, 2009 às 5:09 pm

    Excelente. O remate final é fabuloso: dilaceradas lhes sobra um mundo vesgo.

    Abraço

    Responder
  • 8. nina rizzi  |  19 maio, 2009 às 12:38 pm

    meu pai tinhan um puteiro, o cambalacho. minha mãe
    não sabia tirá-lo daquela vida.
    mais tarde não soube tirar a mim também
    [se eu fosse homem, meu pai teria ali me levado
    a iniciar. mas sei
    me insinuar sem covites (sim, covites sem N)].
    aí escrevo de esquinas.

    olha esse m. bandeira:

    VULGÍVAGA
    Não posso crer que se conceba
    Do amor senão o gozo físico!
    O meu amante morreu bêbado,
    E meu marido morreu tísico!

    Não sei entre que astutos dedos
    Deixei a rosa da inocência.
    Antes da minha pubescência
    Sabia todos os segredos…

    Fui de um… Fui de outro… Este era médico…
    Um, poeta… Outro, nem sei mais!
    Tive em meu leito enciclopédico
    Todas as artes liberais.

    Aos velhos dou o meu engulho.
    Aos férvidos, o que os esfrie.
    A artistas, a coquetterie
    Que inspira… E aos tímidos — o orgulho.

    Estes, caço-os e depeno-os:
    A canga fez-se para o boi…
    Meu claro ventre nunca foi
    De sonhadores e de ingênuos!

    E todavia se o primeiro
    Que encontro, fere toda a lira,
    Amanso. Tudo se me tira.
    Dou tudo. E mesmo… dou dinheiro…

    Se bate, então como estremeço!
    Oh, a volúpia da pancada!
    Dar-me entre lágrimas, quebrada
    Do seu colérico arremesso…

    E o cio atroz se me não leva
    A valhacoutos de canalhas,
    É porque temo pela treva
    O fio fino das navalhas…

    Não posso crer que se conceba
    Do amor senão o gozo físico!
    O meu amante morreu bêbado,
    E meu marido morreu tísico!

    que dizer dos teus versos, ora, eu sou a redundância. quero comê-los puta.

    Responder
  • 9. Héber Sales  |  19 maio, 2009 às 12:56 pm

    Caro Romério,
    é um prazer recebê-lo no meu blog.
    Abraços,
    Héber

    Responder
  • 10. Fred Matos  |  19 maio, 2009 às 3:33 pm

    Ótimo poema, Romério.
    Grande abraço

    Responder
  • 11. Janaina Amado  |  19 maio, 2009 às 11:08 pm

    Romério, passei aqui para lhe dar um abraço. Estava com saudade da sua poesia. Vi os versos do Cronópios, gostei muito.
    Do mar (eu) à montanha (você).

    Responder
  • 12. Beta  |  26 maio, 2009 às 6:23 pm

    Preciso destacar esses versos que me tocam sobremaneira:

    cada corpo e olho trazem demandas
    impulsionadas nas veias.
    muitas extirpam a dor. outras, dor
    já amada, fazem daquilo seu tempo.

    Das coisas mais lindas que te li. 🙂

    Parabéns!

    Responder
  • 13. Mirse Maria  |  27 maio, 2009 às 9:41 am

    Perfeito!

    Admiro um poeta como você, que ao escrever sobre aquelas que poderiam ser qualquer uma de nós as eleva em poesia!

    Grande abraço

    Mirse

    Responder
  • 14. graciliano  |  28 junho, 2009 às 11:35 pm

    Puta?
    Para mim, desnecessária.
    Puta?
    Acabei de usá-la.

    (se tivesse que dar um título, diria “Descartável” ou coisa assim, pejorativa)

    Responder

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