ROMÉRIO RÔMULO: o cantador de mistérios em Vila Rica

27 abril, 2009 at 11:49 am 19 comentários

 

Entrevista a Hercília Hernantes, do Novidades e Velharias

eu faço poesia
porque a vida não basta
e preciso dividir mistérios

Estes são os versos iniciais do poema Para Renata do poeta mineiro Romério Rômulo.

O artista e educador Romério Rômulo é natural de Felixlândia-MG e reside na histórica cidade de Ouro Preto-MG, onde atua como professor de Economia Política na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

A sua trajetória literária comporta várias publicações em livro, destacando-se as obras: Só pedras no caminho pedras pedras só pedras nada mais (Lemi, BH, 1979); Anjo Tardio (Edição do Autor, Ouro Preto, 1983); Bené para Flauta e Murilo (Edições Dubolso, Sabará, 1990) e Tempo Quando (Dubolso, 1996). Também consta em sua trajetória literária o Prefácio da primeira edição assinada das poesias eróticas de Bernardo Guimarães, “O Elixir do Pajé” (Dubolso, 1988) e a sua efetiva colaboração na fundação do Instituto Cultural Carlos Scliar.

Na web, o poeta difunde as suas linhas poéticas no blog Romério Rômulo e, atualmente, dedica-se ao lançamento do livro Per Augusto & Machina, que será publicado, ainda neste semestre de 2009, pela editora Altana.

A poesia de Romério Rômulo trafega o universo dos sonhos e da materialidade, daquilo que é, simultaneamente, imaterial e palpável na palavra, na arte e existência humana. Através de inquietações, reflexões profundas e buscas por sentidos, o poeta voa os labirintos do devaneio poético e da universalidade, onde delineia o próprio reconhecimento e, concomitantemente, a sua identidade histórica.

Em entrevista concedida ao Novidades & Velharias[1], Romério Rômulo expõe as suas concepções acerca de homem comum e poeta, explicitando quando e como lhe ocorreu a descoberta da poesia e a consciência artística, atestando que no princípio da carreira sentia-se um poeta maldito, um Baudelaire, algo assim. Esclarece, também, os motivos que perpassam suas linhas poéticas, as influências culturais e literárias da antiga Vila Rica, onde acena que por vezes se considera um personagem do século 18, e que não há em sua poesia rupturas claras com o passado, o que leva-o a beber nas águas dos poetas da Inconfidência.

Acerca dos mistérios intrínsecos à poesia, à atividade do poeta e a relevância da experiência poética para a existência humana, Romério Rômulo elucida que os mistérios são as não-respostas, os avessos e até os direitos não compreendidos e que compartilhar os mistérios da vida não é a única razão da poesia, mas é, certamente, uma delas.

Além de questões conceituais e a trajetória criadora do artista, o poeta mineiro reflete alguns elementos imbricados em poemas como Para Renata, Uma bravura regenera a noite, Cândidos, um sopro; e, apresenta as linhas gerais de seu novo trabalho poético: Per Augusto & Machina. Sobre o seu novo livro, o poeta elucida as relações entre nuvens e materialidade corpórea, onde acena que o mundo transita entre o fluido e o palpável.

No café literário virtual foram debatidas, também, questões relacionadas à literatura na Blogosfera e à receptividade literária pelo meio acadêmico-científico da literatura veiculada na Web. No tocante à aceitação de sua poesia veiculada no universo virtual, Romério alude que o meio acadêmico-científico do campo literário parece se entender comigo. Entretanto, alerta que na Internet há blogs e blogs, e que o dele consiste um puxadinho. O do Nassif, um latifúndio[2].

Ademais, Romério Rômulo apresenta, em breve palavras, as suas convicções teóricas e artísticas, explicitando as suas preferências e referências literárias. Passemos, então, à voz do poeta e os mistérios de sua criação poética:

 

 

Entrevista com ROMÉRIO RÔMULO

 

Novidades & Velharias: Romério Rômulo, como você compreende o “Romério Poeta” e o “Romério homem comum”? Há diferenciações entre o “sonhador” e o homem das atividades “diurnas” voltadas para a educação? Quando você se reconheceu poeta? Houve uma ocasião específica que favoreceu a esse descobrimento? Descreva um pouco de sua trajetória literária e produção em livros.

Romério Rômulo: Poeta e homem comum são faces de um mesmo homem. Transitam e transitaram pelos mesmos caminhos. As diferenças só acontecem na externalização dos assuntos. Eu me reconheci poeta aos 16 anos, embora tenha escrito o primeiro poema aos 9. Então, comecei a produzir em grande quantidade. Ficava a pergunta: “tem valor?”. Aí dependemos do outro, dos outros, que vão contribuir nesta montagem de opinião. Várias rupturas ajudaram no descobrimento. De início, me sentia um poeta maldito, um Baudelaire, algo assim. Caminhei impregnado também pelo Augusto dos Anjos, que sempre esteve na contra-mão da vida e da linguagem. O primeiro livro, “pedras no caminho”, 1979, tem essas marcas. A Laís Corrêa de Araújo e o Affonso Ávila, a quem conheci em 1982, se interessaram por mim. Ela, com uma coluna semanal no “Estado de Minas”, comentou da força do trabalho. Pra mim, um reconhecimento. O Drummond, o Armindo Trevisan e outros também já tinham se manifestado e reforçavam as minhas energias. Morei no Rio de Janeiro, de 1980 à parte de 1982, e o trabalho deu uma guinada. A cidade grande influenciou claramente. Saiu um livro, “anjo tardio”, publicado em 1983, com outra embocadura. Elegíaco, nerudiano. Mulher, tempo, poeta e poesia como preocupações centrais. Mas algo da terra, do sertão de origem, já se mostrou ali. Sou encantado com os meus amigos e escrevo sempre sobre e para eles. Perguntado da utilidade da poesia, já respondi: “serve para falar sobre os amigos”. Reuni um grupo de poemas sobre amigos, conhecidos ou não, que eles não se encontram obrigatoriamente no nosso cotidiano, ou nós os descobrimos amigos depois que morreram. Em 1986, saiu o “amigos & amigos”. Pela ocasião, conheci o Tião Nunes e começamos a trabalhar algumas coisas juntos. Editamos “o elixir do pajé” do Bernardo Guimarães, edição que teve impacto, na medida em que poesia causa impacto. Esta edição, com prefácio meu, continua a ser comentada por aí. Agucei a embocadura, como deve ser, e saltei à terra. “Bené para flauta e Murilo”, 1990, e a caixa com 4 livros em 2 volumes, “tempo quando”, 1996, mostram isso. Na segunda metade dos anos 80 me tornei grande amigo do manuelzão, o que reforçou a postura da terra. A amizade com o Carlos Scliar também teve um peso definitivo: o homem político pisou mais no meu trabalho, dos anos 80 em diante. Fiquei 10 anos sem publicar um livro, mas escrevendo muito. Em 2006 saiu um dos resultados disso, o “matéria bruta”, pela editora Altana / SP. Daí vem ainda a maior parte do “per augusto & machina”, já em processo de planificação visual para publicação.

Novidades & Velharias: Você reside em Ouro Preto, cidade que comporta, em grande medida, boa parte do legado cultural brasileiro de ideais, conhecimentos, artes, historicidade. De que modo as riquezas e ruínas de um passado histórico perpassam as suas linhas? A tradição literária – artística, filosófica, política de um modo geral -, consiste objeto de exploração em sua poesia? Ou, você busca estabelecer rupturas com as heranças literárias oriundas da antiga Vila Rica? Como você relaciona “tradição” e “descontinuidade” em sua poesia?

Romério Rômulo: Ouro Preto se tornou uma marca. Por vezes, me considero um personagem do século 18. Há 4 anos moro em Ouro Preto e no Rio, muito mais em Ouro Preto. As minhas reservas estão, predominantemente, aqui. Não tenho rupturas claras com o passado e bebo nas águas dos poetas da Inconfidência. Me nutro neles, me nutro na cidade que segue com aquelas marcas trazidas pra hoje. Parte do “per augusto & machina”, uma segunda parte, são poemas sobre Ouro Preto, com as pontes, gonzagas, marílias, cláudios, escravos e outras evidências. O ouro diabólico dos séculos 18 /19 dito nos 20 /21.

Novidades & Velharias: Você dispõe de um blog na Internet, cujo espaço apresenta-se bastante visitado. Nele, o leitor pode beber um pouco de seu manancial criador. Mas, tratando, especificamente, do poema “Para Renata”, disponível em seu espaço virtual, percebe-se a existência de uma explicação do ato poético, sobretudo nos versos iniciais: “eu faço poesia / porque a vida não basta / e preciso dividir mistérios”. O que é dividir mistérios? Compartilhar as obscuridades dos fenômenos consiste função da poesia, portando tarefa do poeta?

Romério Rômulo: Falei da importância dos amigos na minha vida e na minha poesia. A Renata é a poeta Renata Nassif, casada com o Luis Nassif, jornalista, músico e mais um monte de coisas. Ele é dessas pessoas com quem você se assenta para aprender. Tive uma aproximação com a Renata e ele, inicialmente pela internet, que se fortaleceu. A Renata, senhora das forças internáuticas, entendeu que eu deveria ter um blog. A contragosto, no início, encarei. Mas, ela é que faz acontecer. Não conheço o assunto e o blog se assenta em São Paulo. Na verdade, se assenta no computador que a Renata manusear. E os mistérios da construção poética, eu os divido primeiramente com ela. Quando fiz este poema, estava evidente a quem deveria ser dedicado. Estes mistérios são as não-respostas, os avessos e até os direitos não compreendidos. Dividi-los não é a única razão da poesia, mas é, certamente, uma delas.

Novidades & Velharias: Ainda falando de “Para Renata”, o poema, além de lançar imagens poéticas em expressões como “mel da manhã” / “fel em mim” / “hiato das pontes”, realiza um fazer metalingüístico quando propõe refletir/questionar o ato criador e suas influências sob a linguagem e vida humana. E, em meio ao desenrolar de afirmações e questionamentos, o eu-lírico indaga-se: “quando os solavancos da palavra / vão redimir meu corpo?”. Você já encontrou respostas para esse questionamento? Ou, contrariamente, esse processo envolve um quefazer contínuo de buscas, inquietações e ressignificações? A palavra poética, ou as sensações que lhes são intrínsecas, é capaz de transformar a existência humana?

Romério Rômulo: A poesia não carrega respostas. A coisa é um amontoado de dúvidas, afirmações cheias de dúvidas, perguntas sobre as afirmações e sobre as dúvidas. Os solavancos das palavras são os “motores”, os motivadores. O ser humano opera a transformação da existência humana e a poesia tem uma pequena participação nisso.

Novidades & Velharias: Tratando de buscas e inquietações, é perceptível em sua poesia a presença de profundos questionamentos associados a reflexões existenciais e filosóficas. No texto “Uma bravura regenera a noite”, a voz poética questiona: “de quantas nuvens se faz uma loucura? / é construída a mão que bate o prego?”. Para você, o ato poético configura um instante de loucura? Em que medida a racionalidade permeia o instante criador? Há sistematicidade no voo poético, levando em conta a “manualidade” que envolve o ofício do artista em materializar imagens poéticas através da linguagem?

Romério Rômulo: Este é o nó do processo criativo. O criador, ou criativo, é aquele que foge do tom, que surpreende. Então, a loucura é um dado. Mas, e se eu consigo organizar essa loucura? O Oscar Niemeyer não organiza, faz prédios e cidades? Parece um contra-senso, um absurdo, e é. Mas, é real. Daí termos situações como o Rimbaud, que aos 19 anos se sentiu esgotado, ou o Niemeyer que, centenário, continua operando. Mananciais e construções, no caso, são diversos. Tumulto e racionalidade, aqui, são íntimos.

Novidades & Velharias: Ainda explorando “Uma bravura regenera a noite”, vislumbra-se, a partir de um caminho de leitura adotado, um verso e/ou frase dominante que compõe “construção chave” para leitura e entendimento das outras atmosferas poéticas, qual seja: “hábito eloqüente do delírio”; que se complementa com o último verso composto em frase exclamativa: “quanta eloqüência travada no meu olho!”. Em sentido dicionarizado, eloqüência significa faculdade de expressão, ato de persuadir por meio da palavra; que, na antiguidade grego-romana, consistia um dos objetivos da educação. No sentido filosófico do termo, a palavra associa-se a retórica, a capacidade de expressar bem o conhecimento instituído. Assim, de que maneira a eloqüência torna-se delírio / e o delírio em eloqüência? Quando o homem racionaliza, tornando hábito, até mesmo a loucura? Ou essa operacionalidade condiz apenas aos artistas que, por domínios específicos de criação, são capazes de transformar os desvarios em arte?

Romério Rômulo: Esta pergunta é braba e tenho muitas dúvidas ao respondê-la. O “hábito eloquente do delírio” faz parte de mim e do meu cotidiano. Professores da universidade costumam me enxergar em doideira permanente. Com uma não-aceitação como consequência. O que faço? Por vezes, aguço mais as situações, pois não cabe recuo. Se esta operacionalidade só condiz com os artistas, não estou certo. Mas estou certo que ela condiz mais com eles. Uma conversa minha com artistas amigos meus, se dada a público, pode sugerir algum tratamento psiquiátrico. E vamos em frente, que o assunto é por aí.

Novidades & Velharias: Relações entre nuvens e materialidade corpórea são identificáveis em seus poemas, conforme se podem ler nos textos já citados e em “Cândidos, um sopro”; através do verso: “meu corpo traz uma equação de nuvem”. Fale-nos um pouco sobre essas associações e como elas se organizam em seu novo livro Per Augusto & Machina, que será lançado, brevemente, pela editora Altana. Fale um pouco sobre o Per Augusto e Machina; acenando, inclusive, para o sentido e escolha do título.

Romério Rômulo: “Meu corpo traz uma equação de nuvens”. O mundo transita entre o fluido e o palpável. Daí, o desdobramento na poesia. Na primeira resposta, citei o “Per augusto & machina” e a sua origem, seqüência do “matéria bruta”. O estado continua. O título vem desse poema de abertura: “augusto e máquina se arranham na última dose atormentada do corpo. A válvula é entranha. Até a amargura é mutilada”. O “augusto” é o Augusto dos Anjos, de quem procuro seguir a trilha em boa parte do livro.

Novidades & Velharias: A internet tem permitido uma maior interação entre autores, textos e leitores. Possibilitando que os desconhecidos saiam de suas tocas e os textos das mesas e escrivaninhas. Entretanto, apesar da crescente criação literária e trocas de saberes e poéticas entre autores blogueiros e leitores, percebe-se que a poesia na Web, sobretudo a apresentada em blogs, ainda não é devidamente bem quista no meio acadêmico-científico. Como você compreende essa realidade? A literatura, particularmente a poesia, na Web veio para ficar; isto é, tende a se legitimar junto aos críticos, acadêmicos e leitores comuns? Ou, contrariamente, não há (boa?) literatura na virtualidade, portanto ela tenderá ao desaparecimento junto a velocidade e transitoriedade da comunicação virtual?

Romério Rômulo: O meio acadêmico-científico do campo literário parece se entender comigo. Há estudos, publicações e convites que mostram isso. Claro que se dá com a linguagem própria do meio, mas eu não me abalo. Na web temos um vale-tudo. São muitas as manifestações em todas as áreas e cabe uma avaliação. Autores canônicos, já estabelecidos, também se apresentam aí. É espaço aberto. No dia em que o Luis Nassif publica um poema meu no blog dele, tenho mais leitores do que tive em todos os meus livros. E o que não me ler ali, pelo menos vislumbra o nome. Há blogs e blogs. O meu é um puxadinho. O do Nassif, um latifúndio. A literatura na web é definitiva. Quando apareceu a possibilidade da impressão em larga escala, também se falou em perda de qualidade, em desaparecimento. Se deu o contrário: fortaleceu. Com a web o fato vai se repetir, renovado e amplamente multiplicado. Como é de se esperar.

Novidades & Velharias: Romério Rômulo, o Novidades & Velharias, a fim de promover um maior conhecimento de seu universo criativo, preferências e concepções, lhe propõe um pequeno pinque-ponque. Apresente em breves palavras as suas idéias e gostos sobre:

Poesia

R. R.:

poesia é som
que faz um ar qualquer
se estremecer.
é choque
que retoca a posição
tomada.
pode ser grito
pode ser dor
pode ser merda
desde que estremeça.
mas, nem por isso
um terremoto qualquer
será poesia.

(Pedras no caminho, Romério Rômulo, 1979)

Poeta

R. R.: “Um homem que sente fome como qualquer outro homem” (Romério Rômulo).

Poema

R. R.: “O solto, o desastre, o aço preso no corpo, em pétalas e mãos, estardalhaço” (Matéria bruta, Romério Rômulo, 2006).

Livro

R. R.: Cito 3: “Os sertões”, “Vidas secas”, “Grande sertão: veredas”.

Cidade

R. R.: Ouro Preto e Rio de Janeiro, minhas casas.

Citação

R. R.: São muitas. Não destaco uma. Mas, me lembrei de um verso do João Cabral: “um galo sozinho não tece uma manhã”.

Clássico da literatura universal

R. R.: Dostoievski.

Imortal brasileiro

R. R.: Graciliano Ramos.

Poeta contemporâneo

R. R.: 3 vivos, em ordem alfabética: Affonso Ávila, Augusto de Campos, Ferreira Gullar.

Blog

R. R.: Blog do Luis Nassif.

Novidades & Velharias: O Novidades & Velharias agradece a sua franca disponibilidade em participar desse “Café literário virtual”, e abre-lhe o espaço para que possa dirigir as suas palavras finais aos leitores.

Romério Rômulo: Um grande abraço.

Poemas de Romério Rômulo[3]

Antiga Vila Rica

 

Para Renata


eu faço poesia
porque a vida não basta
e preciso dividir mistérios.
incertos, os marimbondos vazios
me arrastam pela tarde.
o mel da manhã, fel em mim,
entope minhas veias.

quando os solavancos da palavra
vão redimir meu corpo?
quanto de mim é fogo
e terra?
sobram o hiato das pontes, os rios
degenerados. minha manhã dura
só faz o recomeço das coisas.

Uma bravura regenera a noite


de quantas nuvens se faz uma loucura?
é construída a mão que bate o prego?
as estações do corpo só revelam
o hábito eloqüente do delírio.
que nos corroa a pedra, o visgo louco
da agonia!

desmonte do tamanho, o extirpado dente,
gengiva em sangue são a mesma face
do hábito terrível de ser homem.
quanta eloqüência travada no meu olho!

Cândidos, um sopro


meu corpo traz uma equação de nuvem.
pobres resgatados, desmorados, osso e braço
rezam no ar de penitência suas águas.
proprietários do sobrado, pouco lhes resta.
de tempo, arreganham dentes de uma fome sólida.
ralos de feijão, seus corpos sabem o horizonte da terra.
escaldados, cândidos, um sopro.


Notas:


[1] A entrevista fora viabilizada através de correspondências de e-mails entre Hercília Fernandes (Caicó-RN) e o poeta e educador Romério Rômulo (Ouro Preto-MG). A fim de composição da matéria, o autor recebeu um questionário contendo questões abertas e contextualizadas, cujos objetivos consistiram em favorecer o conhecimento de sua trajetória artística e universo de criação, bem como o entendimento de elementos intrínsecos ao fenômeno criador e à atividade poética.

[2] Blog do jornalista e músico Luis Nassif: Luis Nassif Online.

[3] Os poemas Para Renata, Uma bravura regenera a noite e Cândidos, um sopro foram mencionados no decorrer da entrevista e serviram como pontos de partida para construção das questões apresentadas no Café literário virtual.

 

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álvaros amplos de dizer louco, cimentado *

19 Comentários Add your own

  • 1. gisela rosa  |  27 abril, 2009 às 5:18 pm

    adorei Rómulo! Os meus parabéns por nos revelar os seus mistérios…Um abraço

    Responder
    • 2. Romério Rômulo  |  28 abril, 2009 às 3:53 pm

      gisela:
      meus mistérios imediatos.obrigado.um abraço.
      romério

  • 3. adriano nunes  |  28 abril, 2009 às 7:28 am

    Romério,

    Ótimos esclarecimentos e visões! Excelente entrevista!

    Abraço forte!
    Adriano Nunes.

    p.s.: um dia, se vier à Maceió, avise-me!

    Responder
    • 4. Romério Rômulo  |  28 abril, 2009 às 3:55 pm

      adriano:
      obrigado pela atenção.indo a maceió,te comunico.
      e apareça em ouro preto ou no rio.
      um grande abraço.
      romério

  • 5. Lou Vilela  |  28 abril, 2009 às 6:57 pm

    Romério,

    Já havia lido a entrevista no site da Hercília. Ficou muito bem estruturada.

    Foi um prazer conhecer um pouco de sua trajetória literária, caro poeta!

    Abraços,
    Lou

    Responder
  • 6. Romério Rômulo  |  28 abril, 2009 às 11:41 pm

    lou:
    gostei que você tenha gostado.estaremos conversando.
    um grande abraço.
    romério

    Responder
  • 7. Ana  |  29 abril, 2009 às 6:19 pm

    Muito boa informação. Agora fico bem mais informada, sobre o poeta e sobre o homem.
    Parabéns pela trajectória.
    BJ

    Responder
    • 8. Romério Rômulo  |  30 abril, 2009 às 4:47 pm

      ana:
      obrigado por tudo que você diz.
      um beijo.
      romério

  • 9. Beta  |  29 abril, 2009 às 7:16 pm

    De maneira alguma definitivo! Esse mês tive menos tempo, às voltas com rotinas, obrigações. Por isso não atualizei o blog, nem escrevi. Mantive o vínculo mais que vital com a poesia pela leitura em curso de “Para viver um grande amor”, do estimado poetinha Vinícius de Moraes. E por falar em boa poesia, sigo com a leitura da sua ótima entrevista. Meus parabéns, e continue sempre inspirado e inspirador. 🙂 Beijos, e até breve.

    Responder
  • 10. Romério Rômulo  |  30 abril, 2009 às 4:55 pm

    beta,roberta:
    ainda bem que não é definitivo.seu texto faz falta.mas,se lê
    o vinícius,merece todo o perdão.
    um beijo e até breve.breve,mesmo!
    romério

    Responder
  • 11. Bianca  |  30 abril, 2009 às 5:59 pm

    Faz tempo que venho aqui tentar comentar e não consigo…
    E agora aqui lendo, fico feliz em ver mais uma indição da Hercília…

    Parabens!Suas palavras tem uma concatenação perfeira.

    B.E.I.J.O.S

    Responder
  • 12. Romério Rômulo  |  30 abril, 2009 às 6:27 pm

    bianca:
    vamos ver o problema dos comentários.
    a hercília encarou elaborar questões e todo um trabalho adicional de edição,levantamentos,etc.eu gostei.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 13. Sidnei Olivio  |  1 maio, 2009 às 6:45 am

    Romério, obrigado pela visita no proseares. Fiquei encantado com o seu trabalho e já o adiconei nos meus favoritos. Prazer poeta e forla sempre.
    Sidnei

    Responder
  • 14. Romério Rômulo  |  1 maio, 2009 às 2:40 pm

    sidnei:
    obrigado pelo comentário.
    um grande abraço.
    romério

    Responder
  • 15. Yvy  |  3 maio, 2009 às 7:21 pm

    Romério, estive no blog de Hercília, logo após vocês terem encerrado à entrevista. Lindo o trabalho dela.Parabéns !
    Bela homenagem !

    Abrs:

    PS: Tem mens. no blog 🙂

    Responder
  • 16. Romério Rômulo  |  6 maio, 2009 às 9:30 pm

    yvy:
    li seu comentário no blog da hercília.eu também gostei do trabalho.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • […] terra, do sertão de origem, já se mostrou ali. Sou encantado com os meus … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

    Responder
  • 18. graciliano  |  29 junho, 2009 às 12:00 am

    Bela entrevista, com algumas questões resvalando para a semiologia pura, mas logo trazidas ao remanso da emoção pelo Poeta.
    Ao final, sinto-me um pouco mais próximo desta misteriosa personagem artística, e deste amigo ainda virtual.

    Responder
    • 19. Romério Rômulo  |  29 junho, 2009 às 12:41 am

      graciliano:
      espero que você apareça mais vezes.obrigado pelos comentários sobre a entrevista.
      um abraço.
      romério

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