tempo quando

19 novembro, 2008 at 9:50 pm 13 comentários

a madrugada no capim
traçamos, o pai e eu,
em trilhos no cerrado.
à frente, ele rasga.
piso-lhe o passo.
cancela primeira vai.

olhamos lados que vacas
estercam com seus corpos.
corpo bovino é luz
de sentir, se não de se ver.
o pai vê atos nos rastros:
se vinda, ida, tempo.
cancela segunda vai.

canto, curral, bezerros misturam tetas.
esguichos arrabaldes, espumas
pavoneiam sua herança do mar:
se não há bater nas pedras
há som de balde, picado.
a peia garante calma.
o laço estanca brabezas.
o mar é brabo tamanho
porque não se viu sertanejo.

cancela do mundo vai.

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Todo grande poeta tem sua voz e vez inventor de resto

13 Comentários Add your own

  • 1. claudia cardoso  |  19 novembro, 2008 às 11:00 pm

    Obrigada pela visita!!!

    Abração!

    Responder
  • 2. Romério Rômulo  |  19 novembro, 2008 às 11:26 pm

    claudia:
    vou estar de volta.um abraço.
    romério

    Responder
  • 3. Pedro Lobato  |  20 novembro, 2008 às 2:47 pm

    Muito lindo…
    “espumas pavoneiam sua herança do mar”, o jorro do leite e o mar: belíssima imagem!

    cerrado,
    como pode
    ser tão mar?

    Responder
  • 4. Romério Rômulo  |  20 novembro, 2008 às 4:56 pm

    pedro:
    este poema foi publicado em 1996.o parentesco do sertão com
    o mar sempre me foi claro.o manuelzão era um jangadeiro.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 5. meg  |  22 novembro, 2008 às 8:40 pm

    Romério,

    Pela sua mão me deixo levar
    sem defesa
    pelos trilhos dos seus poemas
    seguindo sem surpresa
    mar e sertão que reconheço…

    Um beijo
    meg

    Responder
  • 6. Romério Rômulo  |  23 novembro, 2008 às 10:25 am

    meg:
    sertão e mar são unos.um beijo.
    romério

    Responder
  • 7. Izelda Maia  |  23 novembro, 2008 às 7:34 pm

    ÊÊ, amigo!
    Quanto tempo! Estava com saudades…
    estou aqui para deleitá-me com sua poesia sem igual.

    Vez ou outra fico muitos dias se acessar a internet, daí o motivo de ficar sem atualizar o córrego e visitar os amigos queridos.
    Mas, sempre que acesso e vejo o registro de vossa presença fico muito feliz.

    grande e fraterno abraço.

    Responder
  • 8. Romério Rômulo  |  23 novembro, 2008 às 10:39 pm

    izelda:
    não desapareça.
    um abraço fraternal.
    romério

    Responder
  • 9. Carlinhos Medeiros  |  9 dezembro, 2008 às 10:31 pm

    muito linda, essa poesia…
    amei.
    grande abraço, poeta.

    Responder
  • 10. Carlinhos Medeiros  |  9 dezembro, 2008 às 10:32 pm

    muito linda, essa poesia…
    amei.
    grande abraço, poeta.

    Izelda Maia

    Responder
  • 11. Romério Rômulo  |  10 dezembro, 2008 às 9:44 pm

    izelda e carlinhos:
    apareçam mais.um abraço fraterno.
    romério

    Responder
  • 12. líria porto  |  17 dezembro, 2008 às 9:45 am

    pai! estas lembranças, estas delicadezas…
    obrigada pelos teus lindos versos!
    para retribuir:

    cheiro verde
    líria porto

    em nossa casa
    quando nascia menino
    vovó – cozinheira de mão cheia
    fazia durante o resguardo
    sopa de galinha com farinha de milho
    muita salsa e cebolinha

    meu pai engolia o quarto
    quinto sexto sétimo oitavo
    nono filho
    às colheradas

    depois dizia
    sou rico

    *

    feliz 2009, repleto de poesia!

    Responder
  • 13. Romério Rômulo  |  17 dezembro, 2008 às 10:08 am

    líria:
    o meu poema é autobiográfico.o seu me parece também ser.
    um grande abraço e poesia muita.
    romério

    Responder

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