minas, palavra montanhosa

1 julho, 2008 at 1:32 am 10 comentários

poeta que de minas faz seu canto
vou revelar aquela face rubra
de mais um sol antecipado noite.

trazer crateras de montanha, mar
de minérios que faz hortelã
ter uma sabor tomado por ausência.

um verdejante arco de boi, traste
de, no cerrado, dente mudo, ver
na sua carne os rasgos desta gente.

que animal há de viver somente
no exercício fácil do resgate?
que montanha rasgar, tão inimiga,
se sobra o vácuo puro do mistério?

minas mais que sabor: traição, penúria,
é mais que o fácil boi dolente
remansado de pragas pelos pêlos.

é tão mais, mais que a barba bisavó
de inácios que me soam serem eu.

(segue)

inesgotável minas, uns deuses
lhe ampliaram a face-toda-água.

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Entry filed under: Matéria Bruta.

(abertura) medida inquieta

10 Comentários Add your own

  • 1. meg  |  1 julho, 2008 às 12:31 pm

    Romério,

    Depois deste teu poema, sem conhecer minas, melhor a conheço agora. de minas e de teus antepassados entretecidos nas tuas memórias. Pelas montanhas me perdi, às crateras me acerquei, deslumbrada…
    e uma vontade imensa de voltar.

    Beijo
    Meg

    Responder
  • 2. Romério Rômulo  |  1 julho, 2008 às 12:59 pm

    meg:
    meus antepassados davam tiros de carabina.com destaque para
    as mulheres.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 3. Maria Elisa  |  1 julho, 2008 às 5:53 pm

    Amigo Romério. Ao falar da montanha,feita em palavras de encanto que nos amacia os olhos,dá luz nos cabelos,nos banha em águas cristalinas. Assim eu vi este poema Romério.
    Beijos Lisa

    Responder
  • 4. Romério Rômulo  |  1 julho, 2008 às 6:32 pm

    lisa,amiga:
    minas é montanha,em parte.outra é cerrado e planura.eu sou trân-
    sito.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 5. Mário Mendonça  |  1 julho, 2008 às 7:59 pm

    Caro Romério

    Minas é tão misteriosa, que nem o mar faz falta
    Minas é tão misteriosa, que seu poderio virou rosa
    Minas é tão misteriosa, que o sangue derramando, virou flor
    Minas é tão misteriosa, que temos estes gênios pra nos deleitar
    Minas, um dia terei o prazer de conhecer.

    Abraços.

    Responder
  • 6. Romério Rômulo  |  1 julho, 2008 às 10:16 pm

    mário:
    agradeço por minas.
    e apareça para esse conhecimento.
    romério

    Responder
  • 7. xico santos  |  2 julho, 2008 às 8:39 am

    Nossa! Isso é lindo demais… corri pra vitrola, coloquei Nana. Li. Reli. Li… E… Nana cantando:
    …Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
    Vou-me embora pra bem longe…

    Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo
    A morte tece seu fio de vida feita ao avesso
    O olhar que prende anda solto
    O olhar que solta anda preso
    Mas quando eu chego eu me enredo
    Nas tranças do teu desejo
    O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo
    A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo
    O olhar que assusta anda morto
    O olhar que avisa anda aceso
    Mas quando eu chego eu me perco
    Nas tramas do teu segredo

    Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
    Vou-me embora pra bem longe

    A cera da vela queimando, o homem fazendo seu preço
    A morte que a vida anda armando, a vida que a morte anda tendo
    O olhar mais fraco anda afoito
    O olhar mais forte, indefeso
    Mas quando eu chego eu me enrosco
    Nas cordas do seu cabelo…

    Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
    Vou-me embora pra bem longe…

    Responder
  • 8. Romério Rômulo  |  2 julho, 2008 às 7:16 pm

    xico santos:
    vejo sua alma de montanha e cerrado.
    um grande abraço.
    romério

    Responder
  • 9. Fênix  |  3 julho, 2008 às 11:05 am

    RR,
    engraçado, reagi como XS: durante todo o tempo em que transcrevi e publiquei este poema, fiquei com Desenredo enredada no pensamento. Poema forte o teu. Terra forte, esta Minas, tua e de Drummond e também de LN. Mais tarde, coloco a música aqui. Beijo.

    Responder
  • 10. Romério Rômulo  |  3 julho, 2008 às 11:33 am

    fênix:
    a terra minas é desmontada desde que vista pelos “novos
    moradores”.sobra o pequeno recado da poesia.
    a música vai dar suporte.
    um beijo.
    romério

    Responder

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