apossado

12 junho, 2008 at 12:00 am 4 comentários

o amor chega
te aplica uma gravata destravada,
te morde até o tudo ser um nada,
te arrebenta a veia chamuscada.

o amor chega
te diz uma razão sobressalente,
te esmurra o queixo até quebrar um dente,
te faz se ver um verme de repente.

o amor chega
no salto estapafúrdio de um cavalo,
no canto estarrecido de um galo,
no estertor de um sino só badalo.

o amor chega
sem avisar de nada e chuta a porta,
sem perguntar se alguma coisa importa,
sem se inteirar se é viva ou se é morta.

o amor chega
da garganta traduz um brusco vento,
do estômago teu faz um tormento,
do intestino realiza o excremento.

daí, então
banguela, idiota a entender de nada,
chegado o amor, esqueces, e demente
num esforço frouxo que te sai dormente
ainda tens força pra gritar: amada!

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a véspera se do amor

4 Comentários Add your own

  • 1. meg  |  12 junho, 2008 às 11:39 am

    Romério…

    Com este poema fiquei de rastos…

    daí, então
    banguela, idiota a entender de nada,
    chegado o amor, esqueces, e demente
    num esforço frouxo que te sai dormente
    ainda tens força pra gritar: amada!

    Eu queria destacar uma imagem, mas não consigo.
    Porque amor quando chega mascarado de paixão
    é isso tudo…

    Romério este foi um dos poemas mais bonitos que li
    de você.
    Minha alma ainda estremece de recordações.
    E o sujeito poético…
    Foi forte, muito forte, mas belíssimo, intenso, um murro no estômago. MAS GOSTOSO!!! GOSTOSO DEMAIS!

    Beijo

    Responder
  • 2. Romério Rômulo  |  12 junho, 2008 às 12:39 pm

    meg:paixão e murro no estômago têm parentesco.os dois te deixam abestalhado.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 3. Izelda Maia  |  12 junho, 2008 às 7:48 pm

    Romério,
    que poesia…!
    “quando o amor chega…” Ah! o amor.

    PARABÉNS pelo blog, está muito bacana.

    abraços poéticos.

    Responder
  • 4. Romério Rômulo  |  12 junho, 2008 às 8:34 pm

    izelda:o amor é uma pancada seca.se você sobreviver,tudo bem.
    é desafio na vida e na poesia.
    um grande abraço.
    romério

    Responder

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