Archive for 9 junho, 2008

Bernardo Guimarães

a cronópios publicou “o elixir do pajé” do bernardo guimarães, edição do tião nunes e minha de 1988. escrevo a introdução. convido-os a dar uma caminhada por lá. o bernardo foi um porra-louca.

Elixir do Pajé, Edições DuBolso, Sabará, MG, 1988, Ilustração de Fausto Prats

Apresentação do próprio autor (do próprio autor?)

No intuito de perpetuar estes versos de um poeta nosso bem conhecido, os fazemos publicar pela imprensa, que, sem dúvida, pode salvar do naufrágio do esquecimento poesias tão excelentes em seu gênero, e cuja perpetuidade alguns manuscritos, por aí dispersos e raros, não podem garantir das injúrias do tempo.

A lira do poeta mineiro tem todas as cordas; ele a sabe ferir em todos os tons e ritmos diferentes com mão de mestre.

Estas poesias podem se chamar erótico-cômicas. Quando B.G. escrevia estes versos inimitáveis, sua musa estava de veia para fazer rir, e é sabido que para fazer rir são precisos talentos mais elevados do que para fazer chorar.

Estes versos não são dedicados às moças e aos mineiros. Eles podem ser lidos e apreciados pelas pessoas sérias, que os encarem pelo lado poético e cômico, sem ofensas da moralidade e nem tão pouco das consciências pudicas e delicadas.

Repugnam-nos os contos obscenos e imundos, quando não têm o perfume da poesia; esta, porém, encontrará acesso e acolhimento na classe dos leitores de um gosto delicado e no juízo será um florão de mais juntado à coroa de poeta que B.G. tem sabido conquistar pela força de seu gênio.

Ouro Preto, 7 de maio de 1875.

9 junho, 2008 at 5:24 pm 7 comentários

alvorada

sublime devastação do corpo, brado extirpado
da terra adjacente, que envolve
rasgo e pleno.

quanto resta no dente da manhã
que seja folha?
quanto sobra de brilho em cada
corpo revelado noite?

(te dizer minha manhã incendiada)

9 junho, 2008 at 3:00 pm 4 comentários

(ao affonso ávila)

ponte azulada. contos.
pela casa espalham documentos
tal e qual fossem eles os ungüentos
salvadores de cláudio na escada.

como affonso dedilha sua lira
pelos esconsos flagrados de escravos
a multidão em repulsa solta uns bravos
rugidos que incendeiam aquela pira

molhada de luz. soubesse eu dos versos
de cláudio na manhã em que morreu
diria aos ditames do reinado
cláudio é eterno: o rei enlouqueceu!

condenaria o rei a varrer pedras
e brumas da vila de sempre. em seu reinado
as pragas o teriam mutilado!

(ponte: contos)

(per augusto)

9 junho, 2008 at 6:32 am Deixe um comentário


Feeds

junho 2008
S T Q Q S S D
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

RSS Fênix em Verso e Prosa

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.