Archive for 8 junho, 2008

sou, por meus inteiros, vários

estas manhãs que chegam pelas costas
nos trazem um poder sobressalente.
o ciclo biológico se fecha
em queixas e cardumes.
as faces, duras pedras de pó carcomido,
trazem visgos.
quando olho a montanha
refaço-me
sou o que trouxe o osso da cadela
nas mãos.
meu estômago é leve, o intestino, bruto.
posso roer manhãs como moradas

a cabra que alimenta meu coração
tem um salto de potro, um estado
de cão louco, uma avidez de flecha

se penso a noite, a refaço pelas beiras.
os rios que me ruíram as sobras
não são vestais: são curtidos de visgos,
águas barrentas.

uns lençois baratos recobrem meu silêncio.
um ananás do passado mostra a lucidez do meu corpo.

não vim ser anjo,
vim ser estardalhaço!

(para patrícia, o que sou)

8 junho, 2008 at 2:00 pm 6 comentários

pleno na tua boca

teu braço pode ser tamanho corpo
que se refaz na trânsita morada.
repiques tão mais breves, reticentes,
percorrem minha mansa imensidão.
teu trato é mais reter a tua ausência
é ver a tua ordem repetida
no braço e pulso de tua veia ardente.
mais, nossos corpos cindem-se em manhã
na verve de tua pele que me chega.
tamanhos são tamanhos, só me sinto
no pleno ampliar da tua boca.
podem ser atos nossos breves sonos
se nossos olhos se cobrem das ausências.

8 junho, 2008 at 12:00 am 2 comentários


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