(o grito)

4 junho, 2008 at 12:00 am 12 comentários

há um relato de voz naquela voz,
tão retorcida voz, toda ela espanto.
o corpo que é voz tem um esgar
que deixa de ser corpo e é só voz.
se munch se dissesse, rediria
a voz candente, noite de gravura,
que é gravura e voz que firma a tela.
intensos tão meandros destes traços
que num itálico do grito a fala sente
o homem ser só grito, sem mais homem.

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12 Comentários Add your own

  • 1. José Aloise Bahia  |  10 junho, 2008 às 11:56 pm

    Romério, esse é aquele poema que gostei tanto. Vc o recitou lá no Terças Poéticas. “O homem ser só grito, sem mais homem”: um belo desfecho para o poema. Romério, eu comentei com vc que um escritor noruguês (Axel Fugelli) amigo meu (morou uns tempos no Brasil) comentou comigo que debaixo da ponte no quadro do Munch existia um hospício. Isso na Oslo antriga. Dizem que o diálogo imagético expressionista de Munch capta, através das corres e traços fortes, os gritos dos loucos que estavam naquele hospício. O seu poema tb revela um diálogo sem igual com o quadro… Parabéns… Abração do amigo Josealoisebahiabhzmg…

    Responder
    • 2. jaime ferreira  |  18 junho, 2009 às 4:31 pm

      olá
      ao procurar por uma pesoa que eu conheci no rio de janeiro por volta de 1990, ele estava a caminho do espirito santo (marataizes), me disse que era noruegues e por um tempo nos escrevemos , mas perdemos o contato, não fosse muito encomodo, gostaria de saber se não se trata do mesmo e se vc possui contato com ele, gostaria de me comunicar com ele..
      grato, abraço
      jaime

  • 3. Romério Rômulo  |  11 junho, 2008 às 1:05 pm

    aloise:ainda bem que você apareceu.já sentia falta de sua presença,
    sempre positiva,sempre contribuindo.sabe,aloise,eu conheço
    bem os hospícios e pode ter sido,isso,elemento importante na
    construção do poema.o impacto do munch é uma porrada.
    um grande abraço.
    romério

    Responder
    • 4. daiane  |  3 novembro, 2009 às 3:03 pm

      olha sem quere zua,mais esse quadro naum é do roméro romulo,ele é do Edevard Munch

  • 5. Milene Moraes  |  11 junho, 2008 às 7:24 pm

    Olá Romério, acabei de conferir seu blog e achei muito legal. Tem alguns poemas que eu não conhecia, posso dizer que ainda estou impactada com a leitura e a visuaização de “o grito”, os dois ali juntos e ao mesmo tempo um só, é incrível como você captou exatamente o o que nos passa a imagem de Munch, o desepero de uma voz em silêncio, será que posso me servir desse paradoxo??? Pois, é nesse paradoxo, nessa antilogicidade que o quadro sempre se revelou para mim. Você conhece um outro quadro do Munch que se chama “Angústia”?
    Parece-me que a cena se passa na mesma ponte, (talvez ela fosse fosse o local preferido de Munch pra localizar seus personagens sorumbáticos) só que com outros personagens, tão enigmáticos e desesperados quanto aquele de “o grito”, eles parecem sonâmbulos que caminham sem direção, nunca posso deixar de notar nos quadros de Munch a forma com que ele pinta os olhos de seus personagens,olhos quase inexistentes, pequenos e fragéis.. acho que já estou divagando demais!!!
    Mas que tal um desafio, se você gostar deste quadro, por que não tentar escrever um poema sobre?? Ele me desafia já há algum tempo, estou matutando sobre ele, já escrevi alguma coisa mas não gostei, continuarei na captura… E você ,topa o desafio?? Um abraço, aguardo sua resposta!!!
    Milene Moraes.

    Responder
  • 6. Romério Rômulo  |  11 junho, 2008 às 11:17 pm

    milene:
    que bom que você trouxe seu comentário para o blog.já te disse que use os poemas como achar conveniente e amanhã buscarei
    o “angústia” pra escrever o poema.fale aqui sempre que puder.
    acho que tudo mais eu te falei no e-mail.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 7. Junior  |  15 agosto, 2009 às 1:58 pm

    Amo este quadro…ele é tão chocante, qto a vida. Pois se pararmos e olharmos nas atrossidades a nossa volta sobre politica, fome, educação, saude entre outros, nossa expressão seria essa.

    Responder
  • 8. Carlus  |  22 dezembro, 2009 às 2:48 pm

    Olá Romério

    descobri a pouco seu blog

    e me atrevi a fazer um uso pouco ou em nada ortodoxo de um poema seu.
    Se quiser verifique no meu blog e se não gostar retiro imediatamente com as devidas desculpas.

    abraços

    Responder
  • 9. aksel  |  14 junho, 2010 às 1:04 am

    Estou vivo, seu fdp! Ta achando o que?
    E Jaime, fui eu, sim. Lembro de voce. Meu email e akselfff@hotmail.com, tambem to no facebook, akselfugelli

    Responder
  • 10. poetasilascorrealeite  |  15 junho, 2010 às 8:54 pm

    Pequena Resenha Crítica
    A Portentosa Poética Neohedônica-Tropical de Oleg Almeida no Diferenciado Livro de Poemas “Memórias dum Hiperbóreo”

    “… A ironia é o meu último refúgio… ”
    Gregório Bacic, in Olhares Plausíveis

    Por todos os Deuses! A poesia de Oleg Almeida tem uma vertente neohedônica-tropical que arrebata. A lira-delirante de um viajoso-peregrino, por terras do além-longe, onde ele se impregna-clarifica de um lirismo neohedônico que capitula telúrico em terras afro-tupí-davidicas. Será o impossível? Pois é! Hiperbóreo, do título, vem de como os gregos denominavam um povo que segundo eles moravam acima do vento norte. Pois um bielo-russo, o autor, Oleg Almeida comprou o mote e empreendeu viagens feito uma espécie assim muito bem agregada de gregonauta em terras brasilis gerais, tabuleiro-mosaico em que se cantando tudo há.
    Memórias-derramas? Devaneios-fugas? Exercícios de libertações? A arte como fuga-tronco? O Parnaso é o lugar que somos-estamos-permanecemos? Que vento varre as hélices da alma quando nos defrontados num descaminho do longe, se não sabemos que lar nos habita e que propriamente lar somos e estamos? Devaneios de sensibilidade. Alimentamo-nos de nossas neuras e as transformamos em versos e pólos rítmicos de versações?
    Que Estação Nada é um porto-lei? Remos em ventos: poemas. As aventuras ins/piram versos… Holderlin, o mágico de Hypérion no vestíbulo da prisão em que foi posto e condenado, acusado de loucura, quando exibia o mais alto grau de lucidez: “E no entanto tu brilhas, Sol! Terra sagrada, não cessas de reverdecer, o fluxo das torrentes escorre ainda para o mar, e no calor do meio dia a sombra das folhagens murmura ainda!”. Mares nunca dantes navegados? Por que mares, lares, bares e ares, segue a fluidez louca de Oleg Almeida? É difícil ancorar um navio no espaço, disse a poeta-suicida Ana Cristina César. Qual é a filosofia vivencial de Oleg Almeida? Aí tem poesia. Ai de ti vida errante!
    Poemas-crônicas, poemas-romances, retratos raros, poemas-historiais, poemas quadros cênicos, poemas e a paleta do olhar do criador trans/figurado. Que viagem é dar esqueleto estético a versos que ganham molduras em vidas, cores, tintas e panos, sentidos e consistências, a poética-texto que proseia o mar lusco-fusco entre a poesia propriamente dita e as memórias nem sempre tão doces, mas vertentes verdejantes de um ser como que enclausurado numa dor lancinante, quando se purga a escrever o derredor delas, antes, depois, e, pior, dentro delas: eis o livro. Para Holderlin, como para os gregos, um Píndaro, por exemplo, a arte é artesania. É o chamado mechané dos poetas antigos que Oleg faz macadames de idéias-poemas, de situações-conflitos-poesia, de narrações-poéticas que criam fundos, ermos, variações, dimensões que a leitura mergulha, bebe, rende harmonia. A poesia é exigência, diz Saint-John Perse. Pois no caso de Oleg Almeida é exigência de contar, narrar, descrever, arrancar, criar-se ainda assim da memória, verter-se, dar o que pensar em seio, berço, eio; e pinturas com magnífico nuance novidadeiro de punho e cunho clássico.
    ……………………………………..
    “Olhai, ó Senhor, para mim
    Com vosso sorriso bondoso e complacente.
    Dai-me um pouco de luz olímpica;
    Perdoai a vontade insana
    De ler o final da história, antes que seja escrito,
    De quebrar, com alarde, a casca de noz sagrada
    E comer o miolo
    De penetrar o impenetrável”
    (in, pg 10, Poema Numeral UM)
    Essa é a poética de Oleg Almeida talvez neohedonista. Delirante. Delirante? Melhor: assustadoramente poética, viajosa, fora do normal – se é que normal quer dizer alguma coisa – sem títulos; numeradas, como páginas de rostos, capítulos de uma mesma epopéia a criar diários, registros, delações, visões, com/figurações. O molusco tirado da concha em bólides e desafios faz-se homem no escreViver… Hiperbóreo…
    E trabalha o verso que uni-(verso), o longe, o perto (o dentro), mais, a chaga do tempo, como se quisesse estar onde não está, e quisesse ser o que não pode ser, ou se quisesse escrever-se para refazer-se e incluir naquilo que lhe foi tirado, talvez o vento-tempo: “O tempo nos mata – Não a pauladas (…) mas à sorrelfa/Com rugas, doenças e cartas de despedida/Pouco a pouco.” O tempo e suas cartas náuticas-poéticas. Navegar/Escrever é preciso, existir não é preciso?
    “O azul foi a cor da infância
    Do lépido céu que servia de teto (…)
    Dos olhos de minha avó
    Das histórias por ela contadas (…)
    Foi o azul do menino (…)”
    (pg 21, in Verso V)

    Assim é Oleg Almeida. Narrador-contador (cantador) que veste a roupa do que pensa, inventa, sente, e isso dói. Escrever é derrubar paredes? O Poema IX é lindo! Fragmento: “No dia em que morreste, meu velho (…)/De capa branca, imaculada, e de sandálias pretas/Que nunca usaras em vida/Tu foste embora/Seguindo o caminho que todos os homens igualaria nos seus direitos/O da eternidade.” (pg. 39). Alexandre Dumas, em suas Memórias, dizia que era um menino entendiado, entendiado até as lágrimas. Quando sua mãe o encontrava assim, chorando de tédio, perguntava-lhe: – E por que é que Dumas está chorando? Então o menino de seis anos respondia: – Dumas está chorando porque tem lágrimas.
    Os poemas hiperbóreos são as lágrimas hedônicas-tropicais de Oleg Almeida em peregrinação pelo mundo que re-descobre a cada ver-se? Ei-lo exatamente nu e lacrimal in versus: “Cheguei e, no meio do desespero/Vi todas as coisas, que conhecia desde o berço, ilesas/As flores a recamarem o teu sepulcro eram bonitas/O vinho tomado para coibir os prantos, gostoso/A lua recém-nascida, amarela/Mas tu não vivias/Ou tinhas entrado, talvez, nessas coisas/E nelas te radicarás/Virarás crepúsculos, raios e sons/Integrarás a natureza/Em cujas feições delicadas, daí para a frente/As tuas se encarnariam.” Bravo! Quadro cênico de pura poesia, a mortalha cênica de um olhar sensível-dor. As perdas (as ausências) alimentam sensibilidades lírico-meditativas que soçobram entre rumos, remos, resmas, iras e criações desta ordem. Que pátria é a infância? Que poesia é nossa cara-pátria? As caras e as coragens (e as fugas-devaneios) do mundo:
    “O mundo de hoje não se parece com nada (…)
    Aliás, eu também nada tenho de grego
    Tirante meu hedonismo mal-sucedido
    E as questões
    Quem sou eu? Donde venho? Aonde vou?!”
    (pg. 67 Verso XV)
    ………………………………………………………………

    Ítalo Calvino dizia: “Entre os valores que gostaria que fossem transferidos para o próximo milênio está principalmente este: o de uma literatura que tome para si o gosto da ordem intelectual e da exatidão, a inteligência da poesia juntamente com a da ciência e da filosofia (…).” Oleg Almeida é um caótico itinerante? Já o dramaturgo e poeta Antonio Miranda diz que toda poesia é impura (…) e instaura-se no caos do qual não pretende se libertar… E sobre o escritor Oleg Almeida, o literato Antonio Miranda se manifesta verdadeiramente profético-poético: “Surpreendente o domínio da língua portuguesa por um poeta eslavo! Degusta as palavras e os sentidos em poesia que linda com a prosa, de forma direta, confessional, sutil mas, ao mesmo tempo, incisiva. Aposto no talento dele.”
    Feito um Homero querendo voltar para casa, Oleg Almeida procura o que se pode chamar de seu – entre sangue, suor e criação – de casa (o que se pode chamar de lar?); lar, lugar, estar, ser, origem, raiz, talvez despertencimento – ele mesmo a sua própria casa-lugar/ser, o próprio verbo caminhar (fazer a casa), assim, luz e lágrima – e verso. Zeus ajuda quem cedo se aventura? O tempo o que é? Tempo-palhaço (até no circo das idéias poéticas), ladrão de mulher, ladrão de nós mesmos, acima dos ventos, das peregrinações ilusórias, dos ícaros, quando o próprio farol de Alexandria pode ser apenas um ponto de exclamação acima das nuvens-ventos, indicando idas e vidas como lugares nenhuns, o ser feito vinagre na peregrinação-purgação como alma-andaluz. O lar divino é aquele em que nos deixamos; lastro e rastro, estrelas e trilhas, ilhas e edições de. Vinho, chocolate, recordação, prazer, status paradisíaco de ser-estar-permanecer-continuar! Carpe Diem. E Poesia, claro, porque Oleg Almeida, filosófico e lingüístico, feito um novo Odisseu pós-moderno (e pós tudo?) faz a sua própria diferença: aventurar-se. Eis o repertório no verbo VIVER se encantando no umbral de novas ilíadas vivenciais e parnasos boêmios consagrados a Orfeu. Colocando poemas-viagens no poetar as buscas de si mesmo, hiperbóreo. Escrever é compor a solidão de poesia/Para ter companhia? Ah a dura viagem de existir! Não somos todos Ulisses?
    Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil, Escritor, Membro da UBE-União Brasileira de Escritores, Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos
    E-mail: poesilas@terra.com.br
    Blogue premiado do UOL: http://www.portas-lapsos.zip.net
    Autor de Porta-Lapsos, Poemas e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, a venda no site http://www.livrariacultura.com.br

    Responder
  • 11. Maria  |  2 abril, 2011 às 4:38 am

    sabe, costumo fugir sempre que dou de caras com essa tela de munch!
    é murro no estômago, granada no ouvido!
    é tão real esse grito, me faz suor na pele, como quem não consegue acordar de pesadelo.
    não conheço hospício, mas pesadelo sim…
    fizeste uma descrição perfeita, nesse poema fantástico.
    beijo, rômulo.

    Responder
  • 12. Mariana Ricatieri  |  20 abril, 2012 às 12:14 pm

    Perfeito!
    Um poema que descreve com precisão o que os olhos visualizam ao percorrerem a tela: cores vibrantes, linhas sinuosas, formas angustiantes…. intenso! Você soube dizer com as palavras o que o coração sente quando meus olhos fitam a obra!
    Parabéns!

    Responder

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