Archive for 4 junho, 2008

pontes, ouro preto

as pontes que martelo e que atormento
carregam uma espécie de ungüento
que vila rica deixou em cada delas.

o sujo, o não calado, o renitente
perderam a vida, a mão, a língua, o dente
por discordar do que havia sobre elas.

quantos soberbos sobre as pontes disfarçaram
suas viagens de quem nasceu do ouro
e o ferro em apetite aguçaram.

tiveram, em pindorama, estes senhores
que carregar na consciência, se a tiveram,
o grito amargo das dores que causaram!

(de quantas pontes vive ouro preto?)

4 junho, 2008 at 7:00 pm 4 comentários

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declaro:
carrego no braço os meus rebanhos,
o cabresto de toda adjacência,
a sobra mais latente de uma língua.

te dou de mim o que couber tua mão.

(declaro aqui de mim)



:: Veja Do tamanho das tuas mãos ::

4 junho, 2008 at 8:00 am 2 comentários

(o grito)

há um relato de voz naquela voz,
tão retorcida voz, toda ela espanto.
o corpo que é voz tem um esgar
que deixa de ser corpo e é só voz.
se munch se dissesse, rediria
a voz candente, noite de gravura,
que é gravura e voz que firma a tela.
intensos tão meandros destes traços
que num itálico do grito a fala sente
o homem ser só grito, sem mais homem.

4 junho, 2008 at 12:00 am 12 comentários


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