Posts filed under 'Uncategorized'

cavalo

cavalo é uma forma impura, quase louca
de gritar na carreira dos cerrados
a inanição do homem, pura boca
quando os peões estréiam seus recados.

9 comments 30 Outubro, 2009

puro antro

avaliar destarte o movimento
mais caudaloso rio sucumbido
na treva tanta, noite tremeada.
um vale de desígnios rotundos
de árias semeadas, vilas, éguas.
-lobos e fêmeas dormidos – puro antro.

e se souber demais, nascida terra,
o múltiplo te escolhe. eternamente.

8 comments 26 Outubro, 2009

quando nasci

1.
quando nasci
uns bêbados diziam de eu ser cavalo,
um porco do cerrado,
um cachorro do mato.
bebi todos os copos que me abriram,
resvalei nas puras tempestades,
interpretei o ranço do silêncio.

bastardo da vida, fiz sobrar meu rasos.

2.
os rios me interrogaram de águas,
rasgaram minha garganta de luzes.
quantos peixes nadaram minha cara de cão?
mesmo plantas, do mato todas, se disseram de mim.
sobrou – da memória- a solidão vazada.

(( do livro Per Augusto & Machina ))

15 comments 19 Setembro, 2009

operar um açoite, quando o tempo
sonoro se arrefece num arregalo
de medo e uivo. dor, tormenta
será o que sobrar nesta cidade.

dardos por olhos, sempre desfibrados
calentam a timidez de certos corpos
no ruído da mão, sempre latente.

-há verbo que se faça sobre nós?

11 comments 14 Setembro, 2009

a tua noite é vesga, a tua ânsia é água

o ovo é um riso e afago da manhã.
seu branco é texto da pele de um dente
que quebrado traz podre, enxofre, galo.
se um picasso sabe, ele o transforma ovo.

picasso, cúbico, do ovo, mondrian
fazido cores puras, geometria rouca
de levar tapa de cérebro escarlate
com tanta vida a defender de traços.

se ovo fui, quieto arregacei
umas manhãs-kandinsky, voluptuosas
de cor. talvez uma quirera
se benfazeja seja faça-se rouault.

7 comments 9 Setembro, 2009

abertura, 2

augusto:
o teu pulmão foi raso,
lavrado nas pedreiras.
comido e solto
te levou, de longe.

 

(( do livro Per Augusto & Machina ))

4 comments 6 Setembro, 2009

capa

Capa_Augusto

8 comments 3 Setembro, 2009

direito, braço de acontecimentos.
esquerdo, terra, atávico, múltiplo de dores.

barroco e cerrado, juiz e pai.

4 comments 3 Setembro, 2009

ROMÉRIO RÔMULO: o cantador de mistérios em Vila Rica

 

Entrevista a Hercília Hernantes, do Novidades e Velharias

eu faço poesia
porque a vida não basta
e preciso dividir mistérios

Estes são os versos iniciais do poema Para Renata do poeta mineiro Romério Rômulo.

O artista e educador Romério Rômulo é natural de Felixlândia-MG e reside na histórica cidade de Ouro Preto-MG, onde atua como professor de Economia Política na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

A sua trajetória literária comporta várias publicações em livro, destacando-se as obras: Só pedras no caminho pedras pedras só pedras nada mais (Lemi, BH, 1979); Anjo Tardio (Edição do Autor, Ouro Preto, 1983); Bené para Flauta e Murilo (Edições Dubolso, Sabará, 1990) e Tempo Quando (Dubolso, 1996). Também consta em sua trajetória literária o Prefácio da primeira edição assinada das poesias eróticas de Bernardo Guimarães, “O Elixir do Pajé” (Dubolso, 1988) e a sua efetiva colaboração na fundação do Instituto Cultural Carlos Scliar.

Na web, o poeta difunde as suas linhas poéticas no blog Romério Rômulo e, atualmente, dedica-se ao lançamento do livro Per Augusto & Machina, que será publicado, ainda neste semestre de 2009, pela editora Altana.

A poesia de Romério Rômulo trafega o universo dos sonhos e da materialidade, daquilo que é, simultaneamente, imaterial e palpável na palavra, na arte e existência humana. Através de inquietações, reflexões profundas e buscas por sentidos, o poeta voa os labirintos do devaneio poético e da universalidade, onde delineia o próprio reconhecimento e, concomitantemente, a sua identidade histórica.

Em entrevista concedida ao Novidades & Velharias[1], Romério Rômulo expõe as suas concepções acerca de homem comum e poeta, explicitando quando e como lhe ocorreu a descoberta da poesia e a consciência artística, atestando que no princípio da carreira sentia-se um poeta maldito, um Baudelaire, algo assim. Esclarece, também, os motivos que perpassam suas linhas poéticas, as influências culturais e literárias da antiga Vila Rica, onde acena que por vezes se considera um personagem do século 18, e que não há em sua poesia rupturas claras com o passado, o que leva-o a beber nas águas dos poetas da Inconfidência.

Acerca dos mistérios intrínsecos à poesia, à atividade do poeta e a relevância da experiência poética para a existência humana, Romério Rômulo elucida que os mistérios são as não-respostas, os avessos e até os direitos não compreendidos e que compartilhar os mistérios da vida não é a única razão da poesia, mas é, certamente, uma delas.

Além de questões conceituais e a trajetória criadora do artista, o poeta mineiro reflete alguns elementos imbricados em poemas como Para Renata, Uma bravura regenera a noite, Cândidos, um sopro; e, apresenta as linhas gerais de seu novo trabalho poético: Per Augusto & Machina. Sobre o seu novo livro, o poeta elucida as relações entre nuvens e materialidade corpórea, onde acena que o mundo transita entre o fluido e o palpável. (mais…)

19 comments 27 Abril, 2009

a paixão do poeta

1.
posso envernizar minha paixão.
posso dar-lhe uma nesga de brilho,
poli-la como aos sapatos burgueses,
os tecidos que encantam os salões,
as lantejoulas que efervescem a noite.
posso mesmo escavá-la como se faz com o furúnculo,
e, adentrado o seu pus,
arrebentá-la nas encostas de mim.
posso derivá-la em vida, cachoeira viva
que nunca será rio.

posso, então, o quê!

nada. nada posso
que não seja a sua própria carne,
seus espamos,
sua efusiva e momentânea fúria.

de tudo
o risco na pedra
vai dizer.
e só.

2.
a fúria, a tortura, os desejos
são caldos que engrossam a noite.
tensos, passamos pó sobre as feridas,
lambemos nossas almas de pedra,
reviramos cada estalo, cada medo.

os ruídos adentram nossa veia
como fogo da morte.
nada nos diz o silêncio. sobre nós
as formigas ressaltam seus desejos.

a chuva perdida sobre as portas
entrava as dobradiças, enferruja os homens.
a veia de minas, o chão de minas
nos confunde.

resta buscar o que sobrou do amor.

29 comments 26 Março, 2009

se de amor

se de amor eu canto o meu, somente,
na podridão da terra, entre brados tamanhos,
os tempos que perdi foram antanhos
e cabem no meu corpo já fervente.
brados passaram, em dores e mortalhas,
pisos vadios, estados diferentes.
eu peço, amor, do teu amor migalhas
que possam abismar todas as gentes.
vilão, daqui, em campo de batalhas,
só me atormenta a espada do vilão
que sem saber me cobre. indiferentes
do que me dói, os corpos destas terras
nem sabem o que dão e se me dão
alguma luz pra me tirar das trevas.

18 comments 8 Janeiro, 2009

reverso

o avesso é tão remédio como a noite
que busca luz num fundo de reveses.
outros seres, metástases do tempo
soluçam abrangentes, nossas vozes.

como se fossem anos, por mais luzes
que os avessos dos corpos se contorcem
rever o templo do homem, retaguarda
dos bichos que retorcem sua boca/

outro é viés de tudo, epicentro
do canto interno, pulso, um outro avesso
que retomado nos diz saber ser outro
se tanta luz lhe faz rever os dias.

 

11 comments 2 Janeiro, 2009

matéria bruta

dizer te amo,
bruta matéria,
se a resposta tem dentes de desgaste.

se as vísceras do mar te alimentassem
sobrava-te a imensidão e pura dor
carregarias no colo, aedo adjacente
dos tonéis do riso. é puro o espaço
do teu corpo, somado e mal somado.

quando virás trazer a gota do teu olho?
que multidões te encalham o riso
e a luva? vestes o quê no ventre?

7 comments 28 Dezembro, 2008

(raso de delírio: o meu cão morto)

rio acima duas canções se fazem.
alargado meu peito desfalece.
que arcos hão de vir, sombriamente,
falar, cerrado puro, do meu lastro?

e se os risonhos da manhã me deceparem?
acaso sou poesia ou sou manhã?
acaso uma nascente é tão nascente
que só se faça romper pela clausura?

vou de saberes, que saberes estes
são uivos que caminho pelas águas
e águas são de um sólido mais brusco
que desfalecem os ranços já chegados.
cauda selvagem, se me sobra toda
a vida por parir mais que selvagem.

 
(raso de delírio: o meu cão morto)

10 comments 23 Dezembro, 2008

ouro preto, minha

ouro preto, minha

vou consultar

os remendos da pele da cidade.

vista sua alma, seu corpo,

já lhe sei das mazelas.

quando olhada,

seu fígado se mostra lavrado por tenazes

de homens insensíveis.

sequer sua moldura foi mantida.

cães, sem ofensa aos cães,

trataram-na como boi morto

a ser comido em voracidade.

pouco lhe sobrou dos caminhos.

cabe saber, se rôta,

sua pele não é descartável.

cabe saber, se quebrados,

seus órgãos mantêm vida

a ser recomposta.

e saber, ao final,

se as mãos escravas que a montaram

terão os olhos daqueles que a habitam.

(per augusto)

15 comments 19 Dezembro, 2008

(lhes atropelo a alma)

se alma de montanhas, decrescer.
a avidez de ser noite fica pura
como puros ouvidos soam doces
se extirpado seu revés do tempo.

que almas velarão a tua voz?
que riscos cederão estes teus olhos?

de outro, se montanha, pura pedra,
chão, rasgo, lua, estado, capim podre,
armar-se de nuances agridoces
mais que ficar, dirá: arrefecer.

o nu do rosto, dente permanente
traz a vontade de manhã mais nua
que reverbera os caldos de uma boca.
a boca só, em si, atropelada,
carrega uma cidade como fosse
viver cada rua, cada nesga
de rua, cada poça d’alma

           (lhes atropelo a alma)

23 comments 16 Dezembro, 2008

meu cavalo selvagem, meu morcego

1.

meu cavalo selvagem, meu morcego
rebuscam o sertão atávico.
quando aquilante da noite,
revivo a árvore sem escrúpulos de mim.
os corpos nutrem espaços. vertem ossos
que quebram meu estado breve.
de emoção vou refazer meus gonzos.

2.

quisera o aço de quirera, a quirera de aço
que ruboriza a face:
um poema que nutra a vida de carne.
seja breve meu estro. seja ralo e breve,
como breves e ralas as palavras avançam
sobre o corpo do povo.
o ar é puro manejo. não há vento
que esconda meu grito.
(per augusto)

16 comments 14 Dezembro, 2008

(para affonso romano de sant’anna)

 

não acredite na suavidade dos poetas
cujos versos,
por simples,
são um cavalo em pêlo, no cerrado.

(fuja do poeta
como se foge da doença que se estampa longe.
seu fígado é visgo:
nada lhe corrói as entranhas.)

os aços mais duros
não conseguiram lhe desmontar as peças.
seu olhar, sempre sobre,
há que ser medido em trovões.

um poeta qualquer, por mais frágil,
faz terremotos parecerem grilos.

(a estranha essência do poeta)

24 comments 9 Dezembro, 2008

pontes, ouro preto

as pontes que martelo e que atormento
carregam uma espécie de ungüento
que vila rica deixou em cada delas.

o sujo, o não calado, o renitente
perderam a vida, a mão, a língua, o dente
por discordar do que havia sobre elas.

quantos soberbos sobre as pontes disfarçaram
suas viagens de quem nasceu do ouro
e o ferro em apetite aguçaram.

tiveram, em pindorama, estes senhores
que carregar na consciência, se a tiveram,
o grito amargo das dores que causaram!

   (de quantas pontes vive ouro preto?)

21 comments 6 Dezembro, 2008

(ponte: cabeças)

cabeças. ponte aziaga.
santos dummont à direita é uma praga
que deixa multidões na incerteza.

se a bomba que relincha nas cabeças,
zona e curral, avião levados às pressas
vê a morte em terror, toda a beleza

do vão dos corpos queimados, uma sorte
de absurdos gêmeos, uns quilates
de metais raros, sondados pelos vates.

por modernas incursões  hiberna
do verso, este terrível acessório,
que faz da vida, morte. morte eterna!

 (ponte: cabeças)

  (per augusto)

6 comments 3 Dezembro, 2008

(a affonso ávila)

ponte azulada. contos.
pela casa espalham documentos
tal e qual fossem eles os ungüentos
salvadores de cláudio na escada.

como affonso dedilha sua lira
pelos esconsos flagrados de escravos
a multidão em repulsa solta uns bravos
rugidos que incendeiam aquela pira

molhada de luz. soubesse eu dos versos
de cláudio na manhã em que morreu
diria aos ditames do reinado
cláudio é eterno: o rei enlouqueceu!

condenaria o rei a varrer pedras
e brumas da vila de sempre. em seu reinado
as pragas o teriam mutilado!

 
                        (ponte: contos)

                        (per augusto)

14 comments 28 Novembro, 2008

destroncamentos

1.

túrgida e ventada manhã,
toda ela acesa.
duro ranço da noite. em verdade
martelos são macios se levados
ao fogo da paixão e perquiridos.

2.

e produzir umas clarezas tais
que não se faça ambigüidade equivalente.
martelar o afoito do dia,
reduzir a quirera da noite no sopapo.
rasgar latejamento, sangue podre.

se sobra escuridão, que assim seja!

 
(destroncamentos)

6 comments 27 Novembro, 2008

poema

é texto de palavra atada e fugidia.
rasgo de alma, fosse chuva e sol.
antípoda gerado eixos: fome, alimento.
alma súcuba de traços: vento e chumbo.
tiro borracha e madeira, certeira testa.

O solto, o desastre, o aço preso do corpo,
em pétalas e mãos, estardalhaço.

 
(o poema)

8 comments 27 Novembro, 2008

quando manhã te nasce

quando atrozes instantes te fizeram noite?
quando manhã te nasce do torpor?
é vida, se vivida à fome e frio?
quando atrozes instantes te fizeram noite?
quando manhã te nasce do torpor?
é vida, se vivida à fome e frio?

vida assim, se retalhada em noite
te cabe do vazio a só morada
de um tempo que é manhã sobrevivida.

recanto, atroz de instantes tão perdidos
nas vidas regaladas destes olhos,
olhos da fome, doces, extirpados
de um saber ser vida toda noite.

vou, por agora, recorrer da noite.
(quando manhã te nasce)

8 comments 13 Novembro, 2008

ciclo

e tudo volta à terra
como terra, sempre!

(fecho, per augusto)

4 comments 12 Outubro, 2008

delírio quase louco, desdourado

despir o corpo das pedras da polêmica,
andrajos de palavras, soletrar um
tempo de rosto que desvenda a noite.

6 comments 4 Setembro, 2008

mario cesariny

Enviado por Meg

2 comments 16 Julho, 2008

por meu amigo

meu amigo scliar lá se foi.
quando olhei seu corpo, não estava.
quando olhei seu olho, já não via.
quando firmei sua mão, já não pulsava.
quando detive a tela, já não tinha.

quando mirei seu rosto, puro intento,
me coube a vida de dizer-lhe só.
da sua mão parada, meu tormento.

quedou-se amargo, o meu corpo, pró
o que ele fez da vida. e sinto
seu extrato por um vidro: pó.

Casario – Carlos Scliar

10 comments 15 Julho, 2008

flecha e raio

quanto de homem trago no meu corpo?
e quanto sou de bicho na manhã?

10 comments 7 Julho, 2008

Marlene e seus amiguinhos

Por Beatriz Nassif

A Marlene (babá), tem uns amiguinhos. Váááários amiguinhos.

Uma vez, ela estava pegando as folhas que caíram da árvore. Então, ela sentiu uma coisa gosmenta e verde. Quando viu, sabe quem era? Isso, um de seus amiguinhos. Mas que amiguinho? Uma rã. E os gritos eram tão altos que a rã pulou e foi embora! Ufaaa!!! Mas que nojo!!

Alguns dias depois, Marlene estava pegando o saco de lixo pra dar pro caminhão de lixo. Então ela viu que o saco estava rasgado. De repente….. Ela sente uma coisa gosmenta e mole. Quando ela vê…… É um de seus amiguinhos. Esse amigo é o rato. Um rato gordo, mole e gosmento. O filho Marlene, Elisângelo e o motorista (que agora trabalha na Dinheiro Vivo) Alex morrem de rir (modo de dizer). Marlene dá uns berros e o ratão vai embora. Ufaaaa!!!

Um tempo depois, Marlene está lavando a sua louça quietinha, na boa quando o Alex diz “ Marlene, olha essa lagartinha” e Marlene responde “Ahhhhh”. Era uma centopéia.

Depois, Marlene estava limpando não sei o que e uma lagartixa caiu em cima dela. Ela gritou “Ahhhhhh”. Ela esqueceu que estava em cima do banquinho, pulou, caiu e se estrangulou. Ficou toda roxa e vermelha.

Outra vez, a mamãe estava penteando o meu cabelo e a Dora estava esperando. Marlene estava preparando o café. E de repente… PUM PUM PUM. O que será? Um bichinho sai do fogão. É um dos amiguinhos da Marlene. É outro rato. Ela senta na cadeira e o rato volta pro fogão. Ela pega o telefone e liga pra mamãe. O telefone toca. “Renata, tenho companhia aqui embaixo”. “Tem um blablá aí em baixo?”. “Tem”. Nós descemos. A Dora ainda estava com o cabelo despenteado. A gente pegou a Laurinha (cachorra) e enfiou na cozinha. Ela não fez nada. Acho que ela nem sabia que o rato estava lá. Tiramos-a e colocamos-a de novo. E nada acontece. Nós ligamos pra amiga da mamãe (Adriana) e contamos o que aconteceu e ela deu a idéia de ligar pro Angelo porque ele mata rato. “Angelo! Cê tá chegando”. “Por que?”. “Porque tem um rato no fogão”. Eu já tô chegando”. Um tempo depois “Angelo, cade você?”. “Eu tô na Cardoso”. Um tempo depois, ele chega e entra na cozinha. Começa a balançar o fogão. TUM TUM TUM. O rato sai do fogão. Mamãe dá uma espiadinha e depois fecha a porta. O rato corre pra lá e o Angelo também. O rato agora corre pra cá e o Angelo também. O Angelo pisa na cabeça dele de levinho, pega a vassoura traz um pouco mais perto e CRASH. Deu até pra ouvir. Ele quebrou a cabeça do rato (sem modo de dizer). A Dora penteou seu cabelo e fomos pra escola.

Ontem (25/10/2007), a Marlene foi abrir a janela e regar as plantas quando definitivamente uma lagartixa preta pulou do vaso direto pra Marlene. Ela pulou mesmo, ela não caiu, ela PULOU. Marluce (sua irmã) diz “Que fofa!”. E Marlene grita “Ahhhhh”. Ela balançou tanto o corpo que a lagartixa caiu.

Quantos amiguinhos, hein!

4 comments 6 Julho, 2008

o olhar que avisa anda aceso

De Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, ouça Desenredo, com Renato Braz

4 comments 3 Julho, 2008

conflito

a poesia se desloca por opostos.

6 comments 30 Junho, 2008

desbravamento

às vezes o texto é um cipoal.
inclusive pra mim.
vencida a luta de abrir caminho, vamos.

2 comments 25 Junho, 2008

quero dizer que manuelzão foi boi – VII

uns arrebóis de lenda,
uns bois de criação,
extrato de secura:
irmão.

o hálito cerrado
em corpo de varão
estado todo:
vão.

revela o cavalo
do peito, grão
poeira pesada:
mão.

fratura desossada.
desolação.
vida arriada:
não.

2 comments 24 Junho, 2008

musa

patrícia tem a voz enovelada
baixa, baixo profundo, adjacente.

patrícia tem a voz de madrugada.

(ventania)

4 comments 15 Junho, 2008

sobrevida

quando atrozes instantes te fizeram noite?
quando manhã te nasce do torpor?
é vida, se vivida à fome e frio?

vida assim, se retalhada em noite
te cabe do vazio a só morada
de um tempo que é manhã sobrevivida.

recanto, atroz de instantes tão perdidos
nas vidas regaladas destes olhos,
olhos da fome, doces, extirpados
de um saber ser vida toda noite.

vou, por agora, recorrer da noite.

(quando manhã te nasce)

4 comments 14 Junho, 2008

navegante

Por Renata Nassif

Mais novo integrante da blogosfera, Romério Rômulo fez sua estréia no dia 04 deste mês. Adepto fidelíssimo do bloquinho e do lápis, o poeta enfrenta a nova empreitada tecnológica com dedicação e bom humor. “Estou como o miguilim quando pôs os óculos: enxergando todas as maravilhas. Este troço é uma festa“, comemora.

Desde o lançamento, teve 733 visitas únicas, 24 postagens e 56 comentários. Com seu humor característico, RR fala com entusiamo sobre as novas possibilidades que o mundo web oferece: “nem o camões, com ventos d’além mar, segura. acho que vou arrumar um tapa-olho“.

5 comments 11 Junho, 2008


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