quando todos partirem
8 julho, 2012 at 10:30 am Romério Rômulo 1 comentário
1.
quando todos partirem
eu vou ficar sem muros
e o silêncio dos cachorros
vai desabar sobre mim
penso nas ladainhas a rezar
nos bancos que serão meus assentos
e na ausência das aves
as pedras do meu olho
vão cair nos rios
e a minha mão
vai moer as cordas do tempo
pela noite
minhas facas saberão das noites a cortar
dos bichos a saber
e do meu corpo desfraldado
as carnes não deixarão rastros
e o ferro das ruínas
não caberá no poema.
2.
quando o mundo acabar
vou mutilar meus braços
meu hálito, meu desacerto.
quando o mundo acabar
vou desatar a glória
dos deuses correntes:
todos os diabos vão ficar nos cantos
das vias destratadas
os sóis serão banidos
e o começo de tudo estará pronto
(cozido, costurado, morto)
no adro do tempo
nem o meu coração tremido
vai bater.
romério rômulo
Entry filed under: Uncategorized. Tags: .
1 Comentário Add your own
Deixe uma resposta
Enviar trackback para este post | Subscribe to the comments via RSS Feed

1.
Lara Amaral | 8 julho, 2012 às 11:33 am
Lindíssimo poema!
O que mais poderia ser dito ou sentido no fim de tudo está aqui.
Beijo.