Archive for fevereiro, 2012
carpintaria, 1
1.
pelo grosso
as musas só me roem a pele e o osso.
2.
no geral
as musas só me fritam em água e sal.
3.
num cambão
as musas me derretem em solidão.
romério rômulo
travessia, 1
se ela quiser eu vou
faço logo a travessia.
manuelzão já me chamou.
inda que seja na cheia
atravesso o vau de rio
com um cavalo na veia.
o sertão é gado limpo
música semi colcheia.
com que roupa eu chego lá?
que pente que me penteia?
romério rômulo
rivotril, 16
a moça sugeriu a camomila
pra segurar meus cálidos pavores.
mas o diabo é sempre a minha vila:
aqui só servem rivotril. sem flores.
romério rômulo
aço, 1
eu construí a musa de improviso
com uma carne feita de maçã
e uma terra certa: o paraíso.
mas eu padeço de febre terçã
e o seu olhar de aço foi o aviso:
a minha musa é toda em rolimã.
romério rômulo
o braço de manuelzão, 1
minas é um rio comprido
como um cachorro latido
no braço de manuelzão
eu olho minas de perto
como tecido coberto
pelo balaço do mar
manuelzão e mar são coisas
de fazer minas chorar.
romério rômulo
sal, 1
morrer é um traço musical
desmanche da carne,toque de instrumento
navio aportado, soco duro.
a vida assombrada é um fragmento
emergido da terra, uma fogueira
onde a terra sem vida é uma beira
emoção do que é doce e virulento.
navio aportado, soco duro
o corpo me carrega em sal impuro.
romério rômulo
