Archive for setembro, 2011
menestréis, 1
os menestréis do mundo são bem poucos.
uns arrebentam amores enlutados
outros se encantam nas paixões, já loucos.
romério rômulo
o mais armado dos homens, 2
meus olhares são frases depravadas.
minhas chamas no mato, minhas fadas
arrebatam o tronco das manadas
de bois, todos eles meu tormento.
as suas carnes pacientes eu invento
a debelar as fomes povoadas.
romério rômulo
lilith, 1
essa mulher tirou o bem do mal.
seu nascimento explica o mundo e as sobras.
eu sou o bêbado da fonte principal.
romério rômulo
maradona é o aço do sertão
1.
chamei um cancão de fogo
cangaceiro arrematado
pus maradona no jogo
pra fazer logo o melado
o homem já sabe tudo
num violão de veludo
toca bem tango e xaxado.
2.
no olhar sagrado do cancão
maradona é o aço do sertão.
romério rômulo
e só, é tudo
me decidi te ver
inteira, nua
uma mulher que é vento
e que é rua.
me decidi te amar
em meu quebranto
uma mulher que é sopro
e é espanto.
me decidi dizer-te
e fiquei mudo
uma mulher que é só
e só, é tudo.
romério rômulo
poesia, 5
eu não faço poesia
e encerro o assunto
é preciso o mundo
a roda do mundo
a mão humana do mundo
a poesia só vale
se trouxer comida mas mãos.
romério rômulo
curva, 1
a poesia é seca
tem alma de deserto
pele curva
a poesia é suja.
quem não quer a missão
saia de perto.
romério rômulo
rivotril 14, 15
14.
cappuccino amanhece desabado
pelas cores da pátria mãe gentil
com as veias no lance deste dado
o meu tubo letal de rivotril.
15.
cappuccino é um desvio de conduta
pelos céus encerados do brasil
minha musa, a mais filha da puta
cai de amores aos pés do rivotril.
romério rômulo
ópera, 1
no minifundio de roupa
amarrado por ingaços
caibo eu, cabem as tramas
minhas obras, meus abraços
meu muro, todo de espaços
meu palco, santo vazio
meus amores mais devassos
a seca feita no cio
as cantigas, todas lama
as águas destes meus poços.
quanta vida pela rama
na folhagem dos meus ossos!
romério rômulo
