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Per Augusto & Machina – hugo PONTES
LIVRO hugo PONTES
PER AUGUSTO & MACHINA
Romério Rômulo. Editora Altana, São Paulo, 2009
Antes de um comentário sobre poemas e poéticas, refiro-me à edição primorosa de Per Augusto & Machina, de Romério Rômulo, poeta preocupado com a força da palavra e o visual que as ilustrações emprestam às páginas do livro. Força essa encontrada nos poemas em movimento pré-modernista de Augusto dos Anjos.
Assim posso definir os poemas desse autor mineiro que, desde a década dos 80 do século XX, publica e dá a conhecer ao mundo literário a poesia e sua palavra-passe: verbi-voco-visual. Querendo entender que as palavras, em sua mais ampla expressão semiótica, trazem a sinestesia que provoca todos os sentidos do ser humano, por consequência do leitor.
Dessa maneira é que sempre vi e li Romério Rômulo, habilidoso artesão de um cuidadoso entretecer palavras, dando ao poema – assim como se dá a um bom vinho – tempo longo para a maturação.
Per Augusto & Machina é o resultado desse domínio, dessa não-convencional pressa em publicar para mostrar resultados. O livro encerra em suas páginas a genialidade do poeta cuja síntese, na opinião deste leitor, está no poema à página 14:
augusto e máquina se arranham
na última dose atormentada
do corpo, a válvula é entranha
até a amargura é mutilada.
guerrilheiro, berra
“o estado da manhã é uma ausência
a impetrar as cores mais cruéis.
a pútrida face do mundo, inexistência,
revela estradas, musas e corcéis.
tamanhas dores, machucado o corpo,
somente nasce das cinzas ao invés.
instantes tão medonhos jazem torpes,
a revelar o mundo de través.
soltos e matas, fuzis enigmáticos
apertam balas sobre o santo pátrio
e o que sobra é um sertão calado
que feito mar, estreita sobre a terra
o santo guerrilheiro, conselheiro, berra
na forma eterna de um tufão armado.”
