Archive for Outubro, 2009
cavalo
cavalo é uma forma impura, quase louca
de gritar na carreira dos cerrados
a inanição do homem, pura boca
quando os peões estréiam seus recados.
15 comments 30 Outubro, 2009
puro antro
avaliar destarte o movimento
mais caudaloso rio sucumbido
na treva tanta, noite tremeada.
um vale de desígnios rotundos
de árias semeadas, vilas, éguas.
-lobos e fêmeas dormidos – puro antro.
e se souber demais, nascida terra,
o múltiplo te escolhe. eternamente.
8 comments 26 Outubro, 2009
onde o homem amanhece
o torto da manhã carrega um osso
que é esqueleto do dia de amanhã.
seu prazo é inerte: ronda um sol
por eixo da terra que nem sabe.
cada homem delega-se instrumento
de tudo isto em seu relógio louco
que mostra a manhã arrependida
de ser a outra depois, e mais, depois.
cada fala se sabe compreendida
no tempo desta luz e desta treva.
e o caminhar de escuros entre claros
define a substância dos caminhos.
estes caminhos são por demais ossos
de esqueletos, múltiplos, corpóreos,
estantes desta flor chamada gente,
martelo deste prego que arremata.
por seu intento e sabe-se o quê
os pisos rasos, fundos, ancestrais,
onde o homem amanhece noite
e sua claridade vai traduzir morte.
fosse eu o deus das madrugadas!
21 comments 22 Outubro, 2009
no cosmopolitismo das moneras
desta homogeneidade indefinida
nasce a maçã, o polvo virulento.
corto na tarde o rasgo da notícia
que chega, anquilosada, feito vento.
18 comments 19 Outubro, 2009
