Archive for setembro, 2009
a bunda verde, escândalo da noite,
alarga o riso e o sal da madrugada.
o sal da alma traveste-se em quesitos
de uma avenida torpe, resvalada
de merdas e detritos
e fosse eu a última morada
a claudicar atritos.
quando nasci
1.
quando nasci
uns bêbados diziam de eu ser cavalo,
um porco do cerrado,
um cachorro do mato.
bebi todos os copos que me abriram,
resvalei nas puras tempestades,
interpretei o ranço do silêncio.
bastardo da vida, fiz sobrar meu rasos.
2.
os rios me interrogaram de águas,
rasgaram minha garganta de luzes.
quantos peixes nadaram minha cara de cão?
mesmo plantas, do mato todas, se disseram de mim.
sobrou – da memória- a solidão vazada.
(( do livro Per Augusto & Machina ))
operar um açoite, quando o tempo
sonoro se arrefece num arregalo
de medo e uivo. dor, tormenta
será o que sobrar nesta cidade.
dardos por olhos, sempre desfibrados
calentam a timidez de certos corpos
no ruído da mão, sempre latente.
-há verbo que se faça sobre nós?
a tua noite é vesga, a tua ânsia é água
o ovo é um riso e afago da manhã.
seu branco é texto da pele de um dente
que quebrado traz podre, enxofre, galo.
se um picasso sabe, ele o transforma ovo.
picasso, cúbico, do ovo, mondrian
fazido cores puras, geometria rouca
de levar tapa de cérebro escarlate
com tanta vida a defender de traços.
se ovo fui, quieto arregacei
umas manhãs-kandinsky, voluptuosas
de cor. talvez uma quirera
se benfazeja seja faça-se rouault.
abertura, 2
augusto:
o teu pulmão foi raso,
lavrado nas pedreiras.
comido e solto
te levou, de longe.
(( do livro Per Augusto & Machina ))
direito, braço de acontecimentos.
esquerdo, terra, atávico, múltiplo de dores.
barroco e cerrado, juiz e pai.
acaso na manhã velada
ter a matéria de imprimir avesso
soltar o cão de asa, uma só fala
em extinguir o corpo revelado.
aquela faca de extirpar loucura,
riacho manso que desprende vida.

