24 Junho, 2009
e tal beleza flui teu corpo cru
que nego-me a revê-la de manhã.
a tua assaz tamanha reticência
é um valor de ossos, todo então.
cabe dizer-te cada coisa nua
que a amplidão da fala me apavora.
se te contemplo, dizes-me mistério
se te revelo, nada me revela.
tanta beleza soa falsa e dela
arranco meu tropeço, minha noite.
a goela se apavora, a nua cara
de visgo, teu passo de cadela.
Entry Filed under: Matéria Bruta. .
10 Comments Add your own
Leave a Comment
Some HTML allowed:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>
Trackback this post | Subscribe to the comments via RSS Feed

1.
nina rizzi | 24 Junho, 2009 at 10:19 am
toda beleza soa falsa.
a beleza é triste tamanho o conceito.
as noites vem, vão esperanças nuas
cios e pavores (vãos?)
: ficam os mistérios,
os tropeços.
que belíssimo poema, meu caro.
beijo
2.
Moacy Cirne | 24 Junho, 2009 at 10:57 am
Pô, cara, parece-me um de seus melhores poemas: enxutez verbal em larga escala.
Abraços.
3.
Beta | 24 Junho, 2009 at 7:20 pm
Qdo passo muito tempo sem vir, seus versos me faltam como uma saudade. O bom é que posso saciá-la. Por isso não me estenderei nem em elogio nem em palavras. Usarei o tempo para o melhor, sorver os versos que perdi. Um bjo.
4.
Romério Rômulo | 24 Junho, 2009 at 8:16 pm
beta:
obrigado,sempre.
um beijo.
romério
5.
Romério Rômulo | 24 Junho, 2009 at 8:12 pm
nina:
toda beleza soa falsa e dela
arranco meu tropeço,minha noite.
obrigado.
um beijo.
romério
6.
Romério Rômulo | 24 Junho, 2009 at 8:14 pm
moacy:
se caicó fala,ouro preto fica em silêncio.
um abraço.
romério
7.
Nydia | 24 Junho, 2009 at 10:57 pm
RR
quando a beleza soa falsa e não se revela… não é beleza.
mas este poema É uma beleza, verdadeira e escancarada…
beijo
8.
Lou Vilela | 26 Junho, 2009 at 11:54 am
“cabe dizer-te cada coisa nua
que a amplidão da fala me apavora”
… e nos silencia!
Belíssimos versos, meu caro!
Abraços!
9.
líria porto | 27 Junho, 2009 at 7:54 pm
dizer o quê?? frente ao belo, faz-se reverência – e só.
10.
Natália Nunes | 12 Agosto, 2009 at 4:56 pm
nua ela, um mistério, nunca.
belo!
ah, obrigada pela presença nos meus dois blog, romério.
claro que gosto
abraço!