todo sertão é um caldo de tortura

26 Janeiro, 2009

o meu pecado é válido, se podre
arranca luzes da cidade alta.
qualquer amante a noite se refaz
deixando a güela ressarcir desejos.
quando mães, estacas, se filiam
às quadras do delírio permanente?
se, à noite, piso infernos e bordéis
é que um destino vago me repisa.
somos filhotes desta dor e medo.
somos filiados à mazela rústica.
quanto de podridão varreu-me sempre
se só o acaso dedilha meus olhares?
sou vil filhote desta dor e medo.

Entry Filed under: Avulsos, Inéditos. .

29 Comments Add your own

  • 1. A. Zarfeg  |  26 Janeiro, 2009 at 5:14 pm

    Meu ilustre poeta:

    Seu poema me fez lembrar que, geográfica, história ou esteticamente, nosso ser nacional está impregnado do sertão (real ou imaginário), conforme nos alertaram (e continuam nos alertando) Afonso Arinos, Euclides da Cunha, o velho Graça, Guimarães Rosa e tantos outros. Em seus versos, alquimista de Ouro Preto, essa herança atávica (maldição? libertação?) nos contagia até o imo da alma, fazendo de nós pequenos (como o grão de areia de Pascal) e, ao mesmo tempo, grandes (como a loucura do Conselheiro). Um grande abraço e até mais ver.

    A. Zarfeg

    Responder
  • 2. Mariana  |  26 Janeiro, 2009 at 8:00 pm

    Romério,

    belo poema. continuo tua fã.

    aliás, dá uma passadinha lá no Suave Coisa.

    abraço.

    Responder
  • 3. Romério Rômulo  |  26 Janeiro, 2009 at 8:02 pm

    zarfeg:
    a explicação é fácil.nasci no sertão de minas.isso não se perde.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 4. Romério Rômulo  |  26 Janeiro, 2009 at 8:49 pm

    mariana:
    fui ao suave coisa.muito obrigado.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 5. Bipede-Implume  |  26 Janeiro, 2009 at 9:47 pm

    Gosto mesmo destes teus poemas em que nos transportas pelo teu sertão, que carregas com amor e sofrimento.
    Muito belo.
    Grande abraço.

    Responder
  • 6. Romério Rômulo  |  26 Janeiro, 2009 at 9:52 pm

    isabel:
    este sertão caminha.obrigado.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 7. CRIS LIMA  |  26 Janeiro, 2009 at 10:56 pm

    AMANTES DE SUA POESIA A QUALQUER HORA SE REFAZEM!

    Responder
  • 8. Romério Rômulo  |  26 Janeiro, 2009 at 11:02 pm

    cris lima:
    a sua presença refaz.
    romério

    Responder
  • 9. Anna  |  27 Janeiro, 2009 at 6:59 pm

    Belo há-de ser o sertão…assim incauto nas tuas palavras, posso também sonhá-lo!
    Continua Romério, que as palavras te amam e as sabes desenhar.
    Um abraço

    Responder
  • 10. adrianna coelho  |  27 Janeiro, 2009 at 8:05 pm

    eu só vim reforçar o que vc já sabe:
    amo as suas palavras – áridas ou ávidas -
    elas, sim, me deixam num delírio permanente.

    beijos, romério

    Responder
  • 11. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 2:05 pm

    anna:
    continuarei.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 12. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 2:07 pm

    adrianna:
    as palavras-áridas ou ávidas-agradecem.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 13. adriano nunes - http://astripasdoverso.blogspot.com  |  28 Janeiro, 2009 at 8:55 pm

    Caro Romério,

    Obrigado por todas as visitas e comentários. Sou um apreciador de métrica, até bem mais que rimas. O seu poema é belo, boa métrica, mas nesse verso (desculpe-me a intimidade, porque entre poetas, acho isso possível) “quando mães, estacas, se filiam” há algo que não me pareceu “familiarizado” com os demais – às vezes, para postarmos não percebemos – recentemente, alterei o poema que fiz para o Aetano, graças à ajuda de Cecile por causa de um erro meu de métrica – pois os seus versos são decasílabos e com tônica na sexta também, enquanto esse, aparentemente, foge à regra.

    Forte abraço!
    Adriano Nunes.

    Responder
  • 14. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 9:13 pm

    adriano:
    obrigado pelas suas observações.fique à vontade para me detalhar o que analisa.o joão cabral,como você,também se fixou muito na métrica,com grandes resultados,como sabemos.
    te deixo o meu abraço.
    romério

    Responder
  • 15. adriano nunes - http://astripasdoverso.blogspot.com  |  28 Janeiro, 2009 at 9:29 pm

    Romério,

    Vou então analisar: quan/do/ mães/, es/TA/cas, /se /fi/LI/am se considerarmos MÃES sem propagação sonora, isto é: sem considerar MÃ/ES – as tônicas caem na quinta e na nona – porque nesse sentido o verso apresenta tônica na sexta e na décima, porém os seus outros versos não usam esse artifíco e a métrica é imediamente percebível!

    Forte abraço!
    Adriano Nunes.

    Responder
  • 16. adriano nunes - http://astripasdoverso.blogspot.com  |  28 Janeiro, 2009 at 9:41 pm

    Romério,

    A solução simples, ao meu ver, seria acrescentar “e” antes de “quando”.

    Abraço forte!
    Adriano Nunes.

    Responder
  • 17. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 9:45 pm

    adriano:
    sua observação está correta.há um deslocamento,sim.
    um abraço.
    romério

    Responder
  • 18. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 9:57 pm

    rodrigo:
    este poema será publicado no meu próximo livro.vou acatar a sua sugestão.muito obrigado.um abraço.
    romério
    ps.nada como um leitor rigoroso.tenho vários,mas por vezes a coisa passa.ainda mais que eu produzo mesmo muitas rupturas na métrica,com umas quebradas brabas.no caso,sua proposta
    fortalece o poema.

    Responder
  • 19. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 10:03 pm

    adriano:
    me desculpe.eu tinha acabado de ler algo vinculado a “rodrigo”
    e troquei o seu nome.minha desatenção me cria esses casos.
    obrigado mais uma vez.
    romério

    Responder
  • 20. adriano nunes - http://astripasdoverso.blogspot.com  |  28 Janeiro, 2009 at 10:15 pm

    Romério,

    Eu que agradeço pela sua generosidade e humildade e por sempre nos brindar com pérolas como essa!

    Adriano Nunes.

    Responder
  • 21. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 10:22 pm

    adriano:
    no campo da arte,se não se abre às opiniões,os limites crescem.
    obrigado.
    romério

    Responder
  • 22. adriano nunes - http://astripasdoverso.blogspot.com  |  28 Janeiro, 2009 at 10:47 pm

    ABRAÇO (Para o meu amigo, o poeta Romério Rômulo)

    Escápulas clavículas
    Úmeros ulnas rádios

    (aos poucos,
    faz-se o abraço)

    Trapézios escafóides
    Semilunar falanges

    (um corpo
    noutro corpo)

    Piramidal hamato
    Trapezóide captato

    (e quase
    tão colados)

    Pisiforme antebraços
    Mãos braços metacarpos

    (abra -
    os(ços)
    poéticos)

    Responder
  • 23. Romério Rômulo  |  28 Janeiro, 2009 at 10:58 pm

    adriano:
    os amigos são o motivo maior.com esse poema,só me cabe
    te mandar aquele abraço.
    muito obrigado.
    romério

    Responder
  • 24. CRIS LIMA  |  29 Janeiro, 2009 at 12:32 am

    Meu caro,portanto…refeitos,estamos!

    Responder
  • 25. Romério Rômulo  |  29 Janeiro, 2009 at 12:42 am

    ótimo,cris.
    romério

    Responder
  • 26. Índia  |  29 Janeiro, 2009 at 1:31 am

    Gostoso ler vc, lindo poema.

    Beijosss

    Responder
  • 27. Romério Rômulo  |  29 Janeiro, 2009 at 10:22 am

    obrigado,índia.
    um beijo.
    romério

    Responder
  • 28. Janaina Amado  |  31 Janeiro, 2009 at 3:01 pm

    Caro Romério,
    De volta das férias, vim aqui te deixar um abraço e te reler. Achei este poema especia, parabéns!
    Apesar de marinha, litorânea, sou apaixonada pelo sertão. Vivi muito tempo no centro-oeste, o sertão é um dos meus temas preferidos, em história ou literatura. Teu sertão das Minas está realmente aí. Lindo.

    Responder
  • 29. Romério Rômulo  |  31 Janeiro, 2009 at 4:23 pm

    janaína:
    salve a sua volta.o sertão é distante.
    um abraço.
    romério

    Responder

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