ouro preto, minha
19 Dezembro, 2008
ouro preto, minha
vou consultar
os remendos da pele da cidade.
vista sua alma, seu corpo,
já lhe sei das mazelas.
quando olhada,
seu fígado se mostra lavrado por tenazes
de homens insensíveis.
sequer sua moldura foi mantida.
cães, sem ofensa aos cães,
trataram-na como boi morto
a ser comido em voracidade.
pouco lhe sobrou dos caminhos.
cabe saber, se rôta,
sua pele não é descartável.
cabe saber, se quebrados,
seus órgãos mantêm vida
a ser recomposta.
e saber, ao final,
se as mãos escravas que a montaram
terão os olhos daqueles que a habitam.
(per augusto)
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1.
antonio barbosa filho | 19 Dezembro, 2008 at 7:35 pm
Bonito, contundente, amoroso, seu poema.
Por Ouro Preto, brindemos. Ou pela saudade.
2.
Romério Rômulo | 19 Dezembro, 2008 at 9:36 pm
antônio:
esse poema é torto.mas ouro preto está aí,mesmo descarnada.
um abraço.
romério
3.
Bipede-Implume | 20 Dezembro, 2008 at 12:25 am
Ouro Preto ou uma mulher maltratada pelo tempo, mas contudo amada. Muita beleza aqui.
Abraço grande
4.
CRIS LIMA | 20 Dezembro, 2008 at 4:07 am
ME RECUSO COMENTAR ….APENAS ABRAÇAR A SAUDADE E ME DEIXAR LEVAR
BJ
CRIS LIMA
5.
Romério Rômulo | 20 Dezembro, 2008 at 8:44 am
bípede:
pra mim ouro preto é isso.
um abraço a portugal.
romério
6.
Romério Rômulo | 20 Dezembro, 2008 at 8:45 am
cris lima:
um abraço na saudade pode ser a resposta.
um beijo.
romério
7.
Mariana | 20 Dezembro, 2008 at 2:37 pm
Romério,
sou sim do Vale do Jequi…rs
pronto, jogo aberto
Padre Paraíso é o nome do lugar.
abraço
8.
Romério Rômulo | 20 Dezembro, 2008 at 3:59 pm
mariana:
o vale tem uma arte de uma riqueza enorme.a criatividade aí merece um estudo especial.
um abraço.
romério
9.
Mariana | 20 Dezembro, 2008 at 5:58 pm
devo concordar contigo, romério.
eu amo isso aqui.
10.
Romério Rômulo | 20 Dezembro, 2008 at 10:18 pm
mariana:
o jequitinhonha é uma força.
romério
11.
Fred Matos | 21 Dezembro, 2008 at 4:40 pm
Nos meus anos de Minas Gerais estive algumas vezes, mas só de passagem, em Ouro Preto. Evidentemente, o olhar de um turista, um fotografo, de alguém que caminha descompromissadamente por uma cidade, que procura os melhores ângulos e que foge dos lugares que lhe parecem perigosos, é completamente diferente do olhar às vezes cúmplice, às vezes magoado, mas sempre sincero, de quem a conhece intimamente. Fiz belas fotos em Ouro Preto, passei alguns poucos bons momentos em Ouro Preto. Visitei igrejas, caminhei nas suas ruas, mas não conheço Ouro Preto. Foi a constatação a que me levou a leitura deste seu ótimo poema.
Grande abraço.
12.
homensdopantano | 22 Dezembro, 2008 at 9:57 am
Se este negro ouro
lavrado foi
por negras mãos
De todo lhe tiraram
As pernas, as mães
A alma
Nasce (será?)
Vive
Uma cidade sem alma
Uma alma penada
em forma de urbe
Urge um novo viver
Couro Preto
fez do ouro perto
retribundo a visita, fiz este em resposta, abrá
13.
Bipede-Implume | 22 Dezembro, 2008 at 12:02 pm
Abraços recebidos e retribuidos com carinho.
Dos meus Natais seguem também votos de muita felicidade e muito amor.
Voltarei logo a seguir ao Natal.
De Portugal com todo o carinho.
Isabel
14.
Marcelo Novaes | 22 Dezembro, 2008 at 7:15 pm
Rômulo,
Sem ofensa aos cães, consultar os remendos da pele da antiga Vila Rica depauperada ( desde lá atrás…), qual fosse um oráculo; construída por mãos escravas ( com os ecos das festas de Chico Rei e os grãos de ouro nas cabeleiras negras, pra comprar alforrias, em dias de Santa Efigênia…), e apresentar um quadro-em-verso de quem ama sua vila e sua terra. Sem ofensa aos cães, manter-se de pé diante do que vê, como quem reza de joelhos. Poesia vertical – como prece -, com os pés na terra. Os dois pés. Sem ofensa aos cães…
Marcelo.
15.
Mário Mendonça | 22 Dezembro, 2008 at 9:09 pm
Grande Guerreiro das Palavras
Ouro Preto, nossa
sem direção,
neste mundo cão,
perdida,
na descabida
vida bandida,
resta o choro……
Abração.