Archive for Outubro, 2008

ponte: contos

casa dos contos. ponte.
saída de cláudio pela vida
tangente, da escada, razão pura,
esquecida independência fraterna.

esconsos de affonsos, das vilas
que veneram o monarca da hora,
tangido pela força do vento

vazada em liberdade pela escada,
o corpo de cláudio é montanha!

(per augusto)

12 comments 21 Outubro, 2008

mulher e ponte

marília. ponte, mulher.
mulher e ponte, ambas por gonzaga.
se disser que marília é aziaga
estou perdido em largos do horizonte.

vista de mim, marília, ensandecida,
estagnada em musa proibida,
pelo rigor da corte, gonzaga, se sabe,
nasceu dela, ela lhe pôs a vida.

quando gonzaga, em frutos d’além mar
outra marília viu, e dela fê-la prenha
se recordava, atroz, desta marília
que vila rica fez, e certo, venha

a fazê-la ancestral da lira louca
que gonzaga imprimiu, qual um pastor
de rebanhos, grosseiro relator
de todas as marílias que não viu.

gonzaga foi. marília não partiu!

(pontes: marília)

(per augusto)

13 comments 14 Outubro, 2008

(pontes)

o ato de nascer em cada ponto
carrega uns navios, umas flores,
todos os atos, breves, só completam
o ano do seu turnos já rasgados.
quantos de nós se sabem nestes rios,
se o fino odor do mundo se deslava
no corpo ao nascer do próprio ato?

quando nascer é tanto, que se diga
de só nascer se ato completado
por força de saber-se o incompleto.

6 comments 13 Outubro, 2008

ciclo

e tudo volta à terra
como terra, sempre!

(fecho, per augusto)

4 comments 12 Outubro, 2008

(brasil, em ouro preto, corte)

afastem-se os cordéis, arranquem-se os cordões.

a vilania sempre surge em ouropéis
nos arremates turvos, equações
rudimentares da vida, distorções
de falas, pedras, pragas e bordéis.

o dente, simulacro de uma voz
carrega sobre si as multidões.
e se elas se atrevem entre nós
é que carregam, por nós, certos senões.

as vozes aspergidas, sussurradas,
cabem e andam em puros borbotões,
vicejam e estarrecem madrugadas
entre novelas, estorvos e canhões.

(brasil, em ouro preto, corte)

(per augusto)

2 comments 12 Outubro, 2008

mulher e noite são desejos sabidos

fogo trucida anjo, cerrado.
a minha pele, de sertão.
a sina da madeira se cumpre,
rito acabado de animais.

os guizos do bicho rompem cerca,
mais fosse um gnomo de fumaça.
tardio, pinhé ainda uiva seu ninho.
onças rebocam filhotes dos astros,
éguas parindo vadiagem no campo.

anca de flor agora, toda nuvem.

(mulher e noite são desejos sabidos)

12 comments 1 Outubro, 2008

per augusto

meu coração tem vale de equações
com um ananás que se lhe encerra o peito.
u’a serra estridente lhe remonta
de paixões o séqüito de entranhas.
de as estradas serem o ninho breve
sobra o esgoto da linha do horizonte.

a cumiada do olho, brusco traço
da vida, pisa língua e estrato, o corpo.

uma beleza, esta que me caminha.

2 comments 1 Outubro, 2008


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