Archive for outubro, 2008
ponte: contos
casa dos contos. ponte.
saída de cláudio pela vida
tangente, da escada, razão pura,
esquecida independência fraterna.
esconsos de affonsos, das vilas
que veneram o monarca da hora,
tangido pela força do vento
vazada em liberdade pela escada,
o corpo de cláudio é montanha!
(per augusto)
mulher e ponte
marília. ponte, mulher.
mulher e ponte, ambas por gonzaga.
se disser que marília é aziaga
estou perdido em largos do horizonte.
vista de mim, marília, ensandecida,
estagnada em musa proibida,
pelo rigor da corte, gonzaga, se sabe,
nasceu dela, ela lhe pôs a vida.
quando gonzaga, em frutos d’além mar
outra marília viu, e dela fê-la prenha
se recordava, atroz, desta marília
que vila rica fez, e certo, venha
a fazê-la ancestral da lira louca
que gonzaga imprimiu, qual um pastor
de rebanhos, grosseiro relator
de todas as marílias que não viu.
gonzaga foi. marília não partiu!
(pontes: marília)
(per augusto)
(pontes)
o ato de nascer em cada ponto
carrega uns navios, umas flores,
todos os atos, breves, só completam
o ano do seu turnos já rasgados.
quantos de nós se sabem nestes rios,
se o fino odor do mundo se deslava
no corpo ao nascer do próprio ato?
quando nascer é tanto, que se diga
de só nascer se ato completado
por força de saber-se o incompleto.
(brasil, em ouro preto, corte)
afastem-se os cordéis, arranquem-se os cordões.
a vilania sempre surge em ouropéis
nos arremates turvos, equações
rudimentares da vida, distorções
de falas, pedras, pragas e bordéis.
o dente, simulacro de uma voz
carrega sobre si as multidões.
e se elas se atrevem entre nós
é que carregam, por nós, certos senões.
as vozes aspergidas, sussurradas,
cabem e andam em puros borbotões,
vicejam e estarrecem madrugadas
entre novelas, estorvos e canhões.
(brasil, em ouro preto, corte)
(per augusto)
mulher e noite são desejos sabidos
fogo trucida anjo, cerrado.
a minha pele, de sertão.
a sina da madeira se cumpre,
rito acabado de animais.
os guizos do bicho rompem cerca,
mais fosse um gnomo de fumaça.
tardio, pinhé ainda uiva seu ninho.
onças rebocam filhotes dos astros,
éguas parindo vadiagem no campo.
anca de flor agora, toda nuvem.
(mulher e noite são desejos sabidos)
per augusto
meu coração tem vale de equações
com um ananás que se lhe encerra o peito.
u’a serra estridente lhe remonta
de paixões o séqüito de entranhas.
de as estradas serem o ninho breve
sobra o esgoto da linha do horizonte.
a cumiada do olho, brusco traço
da vida, pisa língua e estrato, o corpo.
uma beleza, esta que me caminha.
