Archive for Junho 14th, 2008
repleno
quando a alma assustada retiver
no coração os últimos desejos
farei, senhor, que saibas do passado
quando retive em mim umas maçãs.
tantas borbulhas esparsas nos pertubam
o sentimento espúrio e puro que é a carne
farei, senhor, da minha alma bruta
a cálida flor que embala algumas peles.
e se deveres ser são pedras tais
que não conseguem amarrar desejos
direi, senhor, perdão. mas sobram a mim
os ângulos da vida que são meus.
direi do estado de noite em que me encontro
e da insônia que revela o estado
serei, senhor, a última morada
dos corpos, muitos, que retive e sou.
não desejo antros, potros, éguas soltas
que pastem o prazer de cada dia
mas falo aqui, senhor, sobra-me só
a instância do amor, vivido pleno.
2 comments 14 Junho, 2008
sobrevida
quando atrozes instantes te fizeram noite?
quando manhã te nasce do torpor?
é vida, se vivida à fome e frio?
vida assim, se retalhada em noite
te cabe do vazio a só morada
de um tempo que é manhã sobrevivida.
recanto, atroz de instantes tão perdidos
nas vidas regaladas destes olhos,
olhos da fome, doces, extirpados
de um saber ser vida toda noite.
vou, por agora, recorrer da noite.
(quando manhã te nasce)
4 comments 14 Junho, 2008
gauche
sou torto
e minha cor, azeda.
calo e punhal rechaçam toda mágoa.
(astro)
2 comments 14 Junho, 2008
