passagem por scliar e ouro preto

10 Junho, 2008

verdade mineira de dizer scliar: difícil de tão fácil, relato-me e o
relato: do mineiro que sou ao gaúcho que vê ouro preto de ouro
preto, gaúcho que me descobre a ouro preto que não vi: retilínea
que eu vejo barroca. scliar analisa o tempo íntimo do tempo.
caminho-lhe a fala, de hoje, entrado, leio a palavra na paisagem:
“arme e desarme
a paisagem é outra
e a mesma
e você é o mesmo
e outro.”
armo e desarmo, sou o mesmo e outro. a paisagem: scliar e ouro
preto, outros. a paisagem: scliar e ouro preto, mesmos. sclair é fé:
estou com ele.
prestes homenageado, traço scliar, traço niemeyer. desenho e
palavra mostram a vida tanta: prestes 90 anos.
percorro trípticos, agitado, um. calmo, outro. tensão-dimensão: o ato
compulsivo-dialético do homem. O homem que scliar acredita.
caminho por flores de racionalidade. a flor de racionalidade em
scliar é emoção. cada gesto, domado. cada emoção, domada. domados,
emoção e gesto pulsam, scliar relata: “eu pinto o cheiro das flores.”
quadros claros: esta maior última de scliar. ao “sermam de terceyra
dominga” scliar soma: “e agora.”
ouro preto volta: casario sobre tela. ouro preto volta: gravura com
o grito-bandeira de manuel bandeira que scliar agita:
“meus amigos
meus inimigos
salvemos ouro preto”
corto:
“meus amigos
meus inimigos
salvemos a luta de scliar.”
por cartazes e livros, scliar gráfico apontando caminhos. mesmo
de assinar. assinatura-traço-poema: concreto-pôr-sobre.
ultra-pássaro scliar
liberto tanto
ave!

O poema acima faz parte da exposição Scliar – 80 anos em formato de painel – 160 x 220 cm

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2 Comments Add your own

  • 1. lu dias  |  10 Junho, 2008 at 1:39 pm

    OURO PRETO

    Encravada na âmago da alma mineira, serena,
    talhada no ouro negro, expelido das vísceras da terra,
    incrustada no cerne de nossas montanhas amenas.

    Foste a canção primeira,
    nas harmonias e desarmonias de nossa saga,
    foste deusa-mãe, foste mãe escrava.

    Parida em meio ao áureo metal,
    o mesmo que enriquecia a corte,
    o mesmo que a servidão alimentava.

    Musa dadivosa a engendrar diamantes,
    rebentos entregues aos que vinham d`além mar,
    estrela luzente de pedras preciosas.

    Ainda carregas em teu bojo tantos encantos, ave!,
    velha-menina-moça, musa atemporal de nossa finitude,
    filha desta terra amada, salvem-na, salvem!

    (Rômulo junto o meu brado ao do Scliar e ao seu)

    Beijos,

    lu

    Responder
  • 2. Romério Rômulo  |  10 Junho, 2008 at 6:44 pm

    lu:
    poema forte.e obrigado por se juntar a nós nesta defesa.entre tantas heranças,scliar deixou especialmente a da luta pelo povo
    brasileiro e seus valores.sem nenhuma grandiloquência.uma luta
    política real travada em todas as frentes possíveis.com as aparentemente impossíveis no horizonte visível.
    um beijo.
    romério

    Responder

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